Introdução alimentar afeta diretamente o desenvolvimento do bebê

Por Lara Montezuma e Sarah Esmeraldo

A introdução alimentar (IA) faz parte do processo natural do desenvolvimento infantil e é um assunto recorrente nas consultas pediátricas. As dúvidas mais comuns das mães vão desde o início da introdução até quais são as melhores formas de preparar os alimentos corretos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o indicado é que a introdução alimentar comece aos seis meses de idade, após a criança ter passado por um período exclusivo de aleitamento.

Dessa maneira, a mãe pode começar o processo de desmame – que costuma se estender até os dois anos de idade – e acrescentar novos alimentos na rotina do bebê. A pediatra Luana Nepomuceno afirma que esta transição deve ser feita gradualmente, como complemento para o leite. No começo, são apenas duas refeições de fruta e uma refeição completa com diversos tipos de alimento, como carboidrato, leguminosas, hortaliças, vegetais e proteína, além de um óleo vegetal no final.

Cardápio adequado para bebês, segundo a pediatra Luana Nepomuceno. Infográfico: Daniel Vasconcelos.

Após essa introdução, a mãe e o bebê já podem se aprofundar no método de sua preferência. Existem diversos tipos de introdução alimentar além do tradicional, que consiste em oferecer comidas em consistência de purê ou papa. Outro muito popular é o Baby-Led Weaning – conhecido como BLW -, no qual quem decide como comer é a criança. Os alimentos são ofertados em pedaços ou tiras diretamente ao bebê, sem o uso de utensílios.

A nutricionista acredita que os pais têm escolhido uma introdução alimentar participativa, uma mescla entre o método tradicional e o BLW. “O bebê participa ativamente do processo, interagindo com os alimentos e ao mesmo tempo recebendo alimentos ofertados pelo cuidador”, explica. É preciso atentar para diferenciar o preparo das refeições, já que os bebês não podem comer sal até o primeiro ano de vida e devem evitar o açúcar até os dois anos de idade. Além disso, também não se deve incluir temperos.

Alimentação e desnutrição

Essa atenção é necessária devido à ligação direta que a alimentação tem com a nutrição. A nutricionista do IPREDE –  Instituto da Primeira Infância, Liana Teixeira, 32, conecta uma introdução alimentar adequada com maiores chances de ter uma vida saudável, visto que “as crianças irão aceitar com maior facilidade os alimentos que estão presentes nas refeições da família”.

A profissional tem experiência com o assunto. Liana trabalha no ambulatório do IPREDE, onde é feito um atendimento especial para as crianças que são desnutridas ou apresentem sinais de desnutrição até os seis anos de idade. Para diagnosticar uma criança com risco nutricional é preciso usar os parâmetros de classificação da OMS, como o Índice de Massa Corporal (IMC). Também é necessário observar sinais clínicos como cabelos opacos, mucosas pálidas, sonolência e indisposição.

Na instituição em que trabalha, Liana conta que o atendimento é realizado de maneira individual a partir do prontuário disponível. No documento é analisado a história da criança em relação a alimentação, o que serve com base para o desenvolvimento de um cardápio adequado.

Adaptação

A introdução alimentar também simboliza uma nova dinâmica na rotina familiar. A mudança do cardápio alimentar do bebê traz novos obstáculos e empecilhos para os pais e a adaptação pode se tornar difícil. Para a administradora Tamires Santiago, 30, o período foi uma forma de conhecer mais o seu filho Bernardo, agora com um ano.

“Nós começamos a introdução no cenário ideal orientado pela pediatra, aos seis meses de idade. Mas eu preferi introduzi-lo aos poucos aos alimentos”, relembra. Tamires conta que as mudanças nos horários, nas texturas e nos sabores foi acontecendo lentamente para que pudesse dar tempo de acostumá-lo com o novo. No início, a comida era pastosa e agora o bebê já consegue comer com as próprias mãos. Durante todo o processo, a maior dificuldade era reconhecer as preferências do filho, o que só foi possível com o tempo.

“Hoje eu digo que a introdução dele foi um sucesso, já é nítido ver as preferências dele, o que ele come mais, o que ele come melhor. A sua preferência é por frutas doces, por exemplo, até hoje ele tem mais resistência com frutas cítricas”, exemplifica.

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