Mulheres empreendedoras ganham destaque no mercado

Por Letícia de Medeiros e Rafael Pompeu

A busca por independência econômica incentiva mulheres a iniciar um negócio autônomo. Uma pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Sebrae, o empreendedorismo feminino corresponde a 15,4% e o masculino a 12,6%, em 2016. Uma das justificativas para a entrada da mulher no mercado empreendedor é a necessidade de complementar a renda familiar.

Exemplo de empreendedorismo feminino, Melissa Carvalho, 45, criou seu próprio negócio, Melissa Bijoux, especializado na produção de bijuterias, como forma de sustentar a si e sua família. “Eu fiquei desempregada, estava atrás de algo para fazer e me identifiquei muito com a bijuteria, fiz um curso e comecei a vender”, relembra.

O empreendimento de Melissa enfrentou dificuldades no início, que foram superadas após realizar um curso sobre confecção de bijuteria. “A gente vai se aperfeiçoando, porque cada público é um pedido diferente, e vou melhorando em cada lugar que vou”. Hoje ela leva cerca de uma semana para confeccionar seus produtos e três semanas de exposição em diferentes pontos de Fortaleza. Melissa também utiliza das redes sociais para ajudar na divulgação de seu negócio.

Para evitar a ociosidade, Iolanda Fiuza, 62, iniciou seu projeto de venda de acessórios masculinos, apenas como um hobby. Suas primeiras clientes foram suas amigas, e aos poucos, o negócio expandiu. Outro fator foi a vontade de não precisar mais depender do marido e poder ajudar no orçamento da família. “Antes tudo o que eu ia comprar, eu pedia o contracheque dele, e aquilo me incomodava, hoje não preciso mais disso”.

Com o objetivo de trazer à tona o lado empreendedor feminino, o Instituto da Primeira Infância (Iprede) criou o projeto Mãe Colaboradora, implementado em janeiro de 2008. O projeto é uma das ações do Programa de Atenção À Mulher.

Sobre o projeto

 

Curso de maquiagem do Senac para o Mãe Colaboradora. Foto: Iara Pereira.

Os cursos oferecidos para as mães das crianças acompanhadas no Iprede ocorrem em parceria com o SENAC. As mães têm oportunidade de realizar gratuitamente os cursos de maquiador, barbeiro, corte e costura, escovista, manicure, saladeiro, design de sobrancelhas e organizador de eventos. “Esses cursos dão a oportunidade das mães se capacitarem e desenvolverem a geração de renda e assim sustentar sua família”, explica Ana Beatriz Ferreira, 32, coordenadora do projeto.

O projeto é uma ação de aprendizagem em serviço de habilidades produtivas. As mães adquirem competências produtivas com uma proposta de formação em serviço, a partir de cursos profissionalizantes, para ajudar as mães no hora de ingressar no mercado de trabalho.

Relatos

Bruna Alves, 25, entrou no projeto em fevereiro deste ano quando estava desempregada. “Já fiz dois cursos, um de empreendedorismo em doceria e outro de escovista, agora estou na oficina de rádio na parceria do Iprede com a Unifor. O mãe colaboradora me deu oportunidade para que eu aprendesse coisas novas, praticar fora com uma chance de conseguir um novo emprego e mostrar tudo que aprendi”, relata Bruna.

Já Nayane Cristina Fernandes, 22, enfrentava a depressão quando resolveu participar do projeto Mãe Colaboradora. “Precisava voltar a fazer alguma coisa, queria me sentir capaz de fazer algo por minha família, além que estava em uma fase difícil financeiramente. Fiz curso de maquiador e atualmente estou fazendo o de barbeiro, juntamente com um curso de rádio”, conta.

 

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