Ilustrador baiano transforma orixás e mitos iorubás em heróis de histórias em quadrinhos

Por Alexandre Bessa

Com a série de quadrinhos “Contos dos Orixás”, o ilustrador baiano Hugo Canuto leva diversidade étnica e cultural para os quadrinhos, quebrando preconceitos sobre a cultura afro-brasileira. Apaixonado por mitologias desde menino, o quadrinista decidiu deixar a estabilidade da profissão de arquiteto para se aventurar no mundo das histórias em quadrinhos. Para Hugo, a narrativa dessas histórias possui uma linguagem global, que reinterpreta os mitos dos dias atuais com a mistura de imagem e texto.

Financiado e lançado na “Comic Con Experience 2017”, o projeto inicialmente era previsto para ter 60 páginas. Ao longo do processo de pesquisa, o autor sentiu a necessidade de aprofundar e ampliar o conteúdo para contar a história que desejava, estudando a língua e cultura Yorubá. Dessa forma, o trabalho final acabou ficando com 120 páginas.

A narrativa dessas histórias possui uma linguagem global, que reinterpreta os mitos dos dias atuais através da mistura de imagem e texto. Foto: Reprodução.

“O Conto dos Orixás” é necessário para entendermos a cultura afro-brasileira e a nossa identidade como povo, resgatando essa herança para as novas gerações. “A ideia surgiu a partir de uma convergência de paixões. A primeira delas, pelo legado das civilizações africanas, como a Yorubá, que moldaram minha terra de origem. E a Bahia, repletas de tradições ancestrais, representadas aqui pelas histórias dos Orixás, arquétipos milenares de força, coragem, sabedoria e beleza”, explica o autor em seu website .

Agora ele se dedica a estudar sobre Exu, Iansã e Oxóssi, dando corpo aos “Contos dos Orixás”, recriando as histórias dos mitos iorubás com o visual pop dos gibis de heróis. O ilustrador já lia sobre a mitologia Yorubá e história da África devido a “Canção de Mayrube”, projeto no qual criou um universo mítico inspirado nos povos que formaram o continente americano.

O enredo

Em um tempo antigo, deuses e heróis caminharam entre os homens. Travaram batalhas com furor, ensinaram a curar e lidar com a terra, o ferro e o fogo, reinaram e amaram com a mesma intensidade. Alguns desceram do luminoso Orum (mundo espiritual) para realizar seus destinos, enquanto outros nascem no Aiyê (mundo físico) e pelos grandes feitos, foram elevados a Orixás (deuses), marcando para sempre a história de dois continentes.

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