Ceará é pioneiro no atendimento à primeira infância

Por Cadu Vasconcelos e Laís Maia

A primeira infância é a fase mais importante para o desenvolvimento infantil que compreende o período entre zero a três anos. Comparado a outras unidades da federação, o Ceará segue com o maior investimento do Brasil em atendimento no programa Criança Feliz, destinado à primeira infância. Esse dado se deve ao programa de atendimentos domiciliares em 59 dos 184 municípios do Estado que prioriza o desenvolvimento infantil de crianças de zero a três anos de vida. Segundo o Governo do Estado do Ceará, os atendimentos foram ampliados em 37,8% no ano de 2018.

De acordo com a Unicef Brasil, o Ceará foi o primeiro Estado a ter uma Rede de Primeira Infância. O objetivo é mobilizar políticas públicas nas diversas áreas da infância como saúde, educação, assistência social, cultura, lazer, água potável, habitação, saneamento básico e segurança. Os números são um reflexo positivo da abrangência dessa iniciativa.

As ações do poder público nem sempre são suficientes, por isso, todo engajamento da sociedade civil conta. As ONGs possuem papel de relevância e defendem causas sociais sem fins lucrativos. Localizado em Fortaleza, o Instituto Primeira Infância (Iprede) é centro de referência na capital. A associação atende crianças de zero a seis anos e foca na primeira infância, dando ênfase na criação de vínculo entre a criança e a mãe.

Cuidados na primeira infância

Muitas famílias possuem dificuldade em saber o que a criança realmente precisa nesse período, por isso, é  necessário uma atenção maior. De acordo com Camila Nunes Guerra, 33, especialista pediatra, existem alguns cuidados que a mãe precisa ter antes e depois do bebê nascer, como realizar o pré-natal e manter uma alimentação saudável para seu filho.  Levar o bebê periodicamente ao pediatra, para consultas de rotina, também ajuda no desenvolvimento. Só o médico especialista em pediatria pode indicar suplementos alimentares e analisar a nutrição do bebê.

Dr. Sulivan Mota, presidente do Iprede.

Somado a isso, é importante trabalhar o afeto com a criança. “O carinho ajuda a desenvolver conexões cerebrais, fundamentais para o desenvolvimento neurológico de bebê”, explica Camila Nunes. Esse laço, quanto mais cedo formado, se faz uma abertura de proteção à criança e ao desenvolvimento do cérebro. Por isso, a maior tarefa do Iprede é conseguir trabalhar o vínculo entre mãe e filho o mais cedo possível, já que a base de todo o restante da vida se encontra nos primeiros mil dias. 

Dr. Sulivan Mota, 68, pediatra, professor e presidente do Iprede, afirma que é comprovado que crianças com vínculos maternais detêm uma facilidade maior em desenvolver sistemas do corpo, como motor, sensorial, cognitivo e afetivo. Crianças que não tiveram formação de vínculo possuem um número menor de sinapses neurais impedindo-as de ter novas habilidades cognitivas.

Thays Pompeu, 19, foi atendida pelo Iprede quando criança e precisou retornar ao local após o nascimento do seu filho Miguel, pois a criança nasceu abaixo do peso ideal. No Instituto, Thays e o filho foram acompanhados pela nutricionista, que indicou alimentos e os melhores horários para ministrar a alimentação do seu filho. Além disso, a mãe notou que o seu relacionamento com o filho obteve uma melhora após passar pelo local. “O atendimento do instituto é ótimo, me senti à vontade”, acrescenta.

 

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