O Dia da Consciência Negra e seus significados

Por Ariadna Medeiros

Em 20 de novembro de 1695, o líder do Quilombo de Palmares e principal representante da resistência negra no Brasil colonial foi morto por tropas do Império português. Surgiu assim, o Dia da Consciência Negra no Brasil. Essa data ganhou mais força em 1978 com a criação do Movimento Negro Unificado, fazendo com que o dia se tornasse uma data significativa do calendário brasileiro.

A data representa bem mais do que um dia para relaxar em casa, para as mais de mil cidades brasileiras onde é feriado municipal. É um dia de conscientização que busca diminuir os preconceitos existentes ao redor da cultura negra e suas raízes. Para muitos, essa data tem uma representatividade muito forte. É o caso da Bruna Santos, 19, estudante de Direito e militante da causa negra. “Acredito que a data é um momento de refletir as atuais estruturas sociais e, mais ainda, pensar em como mudá-las”, diz a estudante.

Para Bruna, todo dia é útil para debater sobre a raiz negra e tudo o que ela engloba na sociedade. A estudante disse que sempre que vê uma oportunidade de fala, não desperdiça. Ela compara seu papel na luta negra, como um trabalho de formiga, “um pouquinho de cada vez”.

Apesar de toda a trajetória de lutas e resistência, ainda falta muito para chegarmos a um nível básico de igualdade entre negros e brancos no Brasil. De acordo com a ONG britânica Oxfam, negros e brancos só terão uma renda equivalente no ano de 2089, ou seja, 200 anos depois do fim da escravidão no Brasil. Segundo o Ministério Público do trabalho, para negros e pardos é mais difícil conseguir planos de carreira e igualdade salarial. “Se é um trabalho que exige um curso superior, é difícil você ver um negro. Um negro para conseguir sucesso no ramo corporativo ele tem que ralar…” ressalta a militante Amanda Souza, 27.

Opinião popular

Aproveitando a data, o Jornalismo NIC foi às ruas para descobrir o que a população pensa sobre o dia. A maioria dos entrevistados sabia da data, mas a exemplo do estudante Felipe Maciel, 25, esse dia poderia ter recebido mais atenção da mídia. “deveria ser mais divulgado, acho que eu não cheguei a ver em nenhum lugar que era a data da consciência negra”, comenta.

Já a estudante de publicidade e propaganda, Brenda Menezes, 23, acha que o movimento negro e toda a mobilização que está sendo feita em torno dele é apenas o começo de um futuro com menos desigualdade e preconceito. “Essas intervenções que tem na cidade, que são poucas, mas que tem, são só o comecinho”, reflete a estudante. Um fato lembrado durante as entrevistas foi que o Ceará foi o primeiro Estado brasileiro a abolir a escravidão, o que deixou algumas pessoas sentirem mais ainda a importância do dia 20 de novembro. “Como aqui, nosso estado foi o primeiro a ter abolição da escravatura, eu acho importante ter uma data comemorativa”, afirma o zelador Ismael Maia, 29.

Teve também quem lamentasse  a data. A professora universitária Kátia Patrocínio, 55, se entristece em saber que precisamos ter uma data específica para refletirmos sobre como o negro é tratado na sociedade. “Então é um momento da gente parar pra pensar, pra poder refletir, para poder discutir essas questões que fazem parte infelizmente do dia a dia de algumas pessoas…”, questiona a professora.

Em Fortaleza, mesmo a data não sendo feriado, será comemorada durante todo o mês. No dia 20 de novembro, a Prefeitura junto com a CAIXA Cultural e a Secretaria de Cultura (Secult) realizaram rodas de formação, aulas de capoeira e outras atrações culturais. Confira a programação.

 

Um comentário em “O Dia da Consciência Negra e seus significados

  • 24 de novembro de 2018 em 23:38
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    Matéria linda e necessária! Parabéns

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