“Pantera Negra” traz representatividade africana aos filmes de super-heróis

Por Alexandre Bessa

Lançado em 15 de fevereiro de 2018, “Pantera Negra” é um filme produzido pela Marvel Studios compondo o Universo Cinematográfico Marvel. O longa, baseado no personagem da série de quadrinhos homônima, foi dirigido por Ryan Coogler, diretor de Creed (2015) e Fruitvale Station (2013), filmes que retratam aspectos sociais e culturais da realidade afro-americana atual nos Estados Unidos. Em “Pantera Negra” não é diferente. A obra, além de retratar a miscigenação cultural negra norte-americana, também representa a ancestralidade africana que molda esta identidade cultural. Criado nos anos 60 por Jack Kirby e Stan Lee, o herói só foi introduzido nas telas de cinema pela primeira vez em 2016, no filme “Capitão América: Guerra Civil”.

No filme, acompanhamos T’Challa (Chadwick Boseman), herdeiro do trono de Wakanda e dono de um poder guardião milenar. Uma das primeiras cenas é situada no começo da década de 1990, com uma ação do rei T’Chaka, em Oakland, na Califórnia, cujos desdobramentos – o assassinato de seu irmão e o abandono de seu sobrinho – levaram ao confronto de T’Challa (Boseman) e Erik Killmonger (Michael B Jordan), seu primo.

O enredo não se trata de uma história de origem, mas de uma história de aceitação e de como T’Challa precisa se tornar o rei ideal para o seu povo. Ainda assombrado pela memória do pai recentemente falecido, ele também necessita lidar com o fato de que seu progenitor era apenas um homem como qualquer outro e que também estava sujeito a cometer erros. Erik Killmonger, por sua vez, é o personagem que representa o abandono, o ressentimento, a raiva e a luta para manter suas origens, utilizado como metáfora para representar o próprio povo afro-americano e a perda de suas origens. O conflito de gerações que ele representa é envolto em mistério e revolta.

A mitologia possui contornos atuais, que vão desde as músicas de hip-hop às cenas das quadras de basquete em Oakland. A trilha sonora do filme contém canções de Kendrick Lamar e outros artistas, porém sua sonoridade vai além disto. Quando estão em Wakanda, as tribos possuem uma sonoridade singular. Além disso, os próprios cidadãos da nação fictícia possuem sons próprios que utilizam para se comunicar uns com os outros.

Representatividade africana

No processo de produção, a equipe pesquisou sobre detalhes das diferentes tribos africanas para retratar a diversidade dentro do próprio continente. Isto pode ser observado, principalmente, nas cinco tribos que compõem Wakanda. Cada uma delas inspirada por tribos igualmente diferentes, com diferentes trajes, dialetos, marcas corporais e acessórios.

A própria sonoridade do filme é uma forma de recuperar a ancestralidade africana. Os sons utilizados para representar as tribos foram inspirados em dialetos africanos reais, e cada um possui sonoridade singular que remete à natureza. As lutas interpretadas pelos personagens no filme também foram baseadas em artes marciais africanas, além das armas e apetrechos utilizados, como lanças, garras, máscaras rústicas feitas especialmente para batalhar, entre outros artefatos.

Outro destaque vai para o elenco do filme, formado majoritariamente por negros. Mais de 70%  dos atores presentes no filme, para ser mais exato. Desde o protagonista ao antagonista, além de todo o elenco de apoio, a representatividade africana e afro-americana se faz presente no filme.

Representatividade feminina

No filme, um destaque especial são as ‘Dora Milaje’, uma tribo de mulheres guerreiras e protetoras de Wakanda. A chefe da guarda, Okoye (Danai Gurira) é uma das personagens mais habilidosas do Universo Marvel e possui um papel fundamental em Pantera Negra.

Outro destaque é Shuri (Letitia Wright), irmã mais nova de T’Challa e gênio da tecnologia. Ela é a responsável por todo avanço tecnológico de Wakanda, além de ser uma das personagens mais carismáticas do longa.

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