Utilização do som automotivo gera divergências na sociedade

Por Gabriel Lopes

A utilização do som automotivo, popularmente conhecido como paredão, é muito prestigiado pela população do Norte e Nordeste brasileiro ao ponto de um vereador de Belém ter sugerido uma lei para  tornar o paredão patrimônio cultural e imaterial da cidade. Além disso, muitas são as lojas especializadas na montagem do som automotivo, que dispõem dos mais variados tipos de aparatos sonoros.

No entanto, a prática também atrai muitos opositores, que se incomodam com o volume do som do paredão. Diferente de Belém, Fortaleza conta com uma lei que proíbe o uso público destes equipamentos. Criada em março de 2011, a Lei Ordinária n° 9756 ficou conhecida como “Lei do Paredão”, de autoria do vereador Guilherme Sampaio, 47, que limitou a atividade do som automotivo em Fortaleza.

Guilherme Sampaio, o autor da “Lei do Paredão” de Fortaleza. Foto: CN7

Essa lei acabou gerando um grande número de autuações e apreensões de equipamentos de som na capital cearense. A Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), que realiza o combate à poluição sonora na capital do Ceará juntamente com a  Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Guarda Municipal de Fortaleza, apurou um número de 734 autuações e 376 apreensões no período entre janeiro e outubro de 2018.

Após sete anos de vigência, o criador da lei avalia como positivo o impacto da legislação na sociedade fortalezense. “A lei foi efetiva na redução das situações de poluição sonora causada por paredões, já que foi associada a uma maior eficácia da fiscalização. Além disso, a polêmica em torno da aprovação da lei gerou nos cidadãos uma cultura de maior cobrança pelo respeito ao sossego, inibindo quem abusa desse direito”, explica.

Guilherme avalia que a lei ainda pode eficaz na prática, com uma “formatação de parceria administrativa que permita a polícia militar exigir o cumprimento da lei. Assim, teríamos flagrantes mais rápidos e o alcance da fiscalização seria maior em todo o território do município”, propõe o vereador.

Oposição entre favoráveis e contrários ao paredão

Apesar das proibições, muitos são os adeptos da utilização do som automotivo no Ceará. Pedro Neto, 24, administrador, enxerga no paredão uma forma de inclusão social e uma maneira de promoção da cultura local. “Vários jovens não têm  tanta condição de ir para uma casa de show, principalmente em Fortaleza, porque os preços delas são muito caros. O paredão em si toca de tudo, então abrange uma maior população e o valor é bem mais acessível”, argumenta.

O som automotivo gera muitos conflitos na sociedade cearense. Foto: Reprodução.

Em relação à “Lei do Paredão”, o administrador critica uma suposta falta de critérios da lei, que seria desproporcional na sua aplicação. “A lei é muito desproporcional. Não abrange um horário, um local específico, nada. Isso limita muito a prática do som automotivo. Eu sei que o som automotivo é uma coisa complicada e afeta muitas pessoas, realmente é um som alto, incomoda. Mas a gente vai para cantos com 5, 6, 7 km de distância da cidade, que não tem nada, absolutamente nada perto, e mesmo assim a polícia vai lá e acaba com nossa festa, prejudica as pessoas que montam o som, que vão para curtir na paz”, reclama.

Enquanto isso, a autônoma Antonia Elisangela, 44, é contra a utilização do som automotivo próximo às residências. “Eu não sou contra o som do carro, eu sou contra o local onde eles o colocam. Por exemplo, do lado de uma residência, chega uma pessoa e bota um sonzão daquele. Prejudica, porque dentro tem crianças, tem idosos, às vezes tem uma pessoa doente dentro da casa e ninguém sabe, aí coloca um paradão daqueles, incomoda”, reclama.

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