Se a arte tem um objetivo, este é transformar a vida das pessoas

Por Gabriel Lopes

Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), pós-graduada em Arte: Crítica e Curadoria na PUC-SP e bacharel em Artes Visuais pela Faculdade Integrada Grande Fortaleza (FGF), Ana Cecília P. Bedê Colares, 35, é curadora e coordenadora dos Acervos Especiais da Fundação Edson Queiroz. Cecília é responsável pela organização, catalogação, conservação e pesquisa da área. Além disso, ela é professora da cadeira de Arte Brasileira, no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (UNIFOR).

Com vários familiares ligados às artes – incluindo sua mãe, Ana Beatriz Bedê, que era artista plástica, pintora e estilista, reconhecida por sua notável atuação artística – Cecília sempre teve a arte como algo bastante natural em sua vida. “Eu sempre vivi esse cotidiano de uma forma muito natural. Para mim, a arte sempre foi algo que fez parte da minha vida, da minha forma de pensar.

“A arte sempre foi algo que fez parte da minha vida, da minha forma de pensar” (Cecília Bedê)

Carreira

A UNIFOR conta com uma ampla variedade de obras de arte em seus acervos culturais. Foto: UNIFOR.

Já mais jovem, ao pensar em uma carreira, ela colocou as artes como algo que seria complementar. Por isso, Cecília cursou Terapia Ocupacional na UNIFOR por dois anos, já que ela ainda não via as artes como uma ocupação principal. Somente depois ela começou a cursar a faculdade de Artes Visuais na FGF. “Lá eu aprendi todas as técnicas, mas me envolvi muito com a teoria também. Eu estudava a história da arte, a teoria da arte, a arte e a educação, a sociologia da arte. Daí em diante já estava certo que eu iria por esse caminho, que eu ia trabalhar com isso”, conta.

Após graduada, a artista passou a atuar em diversos museus, sempre na parte de acervos, curadoria, educação e arte. Trabalhando atualmente com os acervos da fundação Edson Queiroz,  Cecília vê grande relevância na sua atual função para o público. “Acessar esse acervo é acessar nossa história. Quando a fundação disponibiliza a exposição aberta ao público, gratuitamente, isso demonstra o verdadeiro motivo, a verdadeira importância que isso tem, que é a história da arte no Brasil”, comenta.

Em relação ao papel da arte com a sociedade, Cecília Bedê a vê como uma forma de transformar as pessoas para melhor. “Se a arte tem um objetivo – e eu acho que isso é uma discussão longa -, o objetivo é fazer pensar, é transformar, é afetar a vida das pessoas. Ela não vai mudar o mundo, ela vai mudar as pessoas. E são as pessoas que vão mudar o mundo. Então, uma sociedade se transforma a partir da arte”, disserta.

“Uma sociedade se transforma a partir da arte” (Cecília Bedê)

Vida pessoal

A curadora afirma que o apoio familiar sempre foi algo fundamental para o seu sucesso pessoal e profissional. Mãe de dois filhos, filha de uma artista plástica e vivendo com vários familiares artistas, ela revela que sempre foi admirada por sua família pela sua ocupação. “A partir do momento em que eu também decidi trabalhar com isso [arte], minha família achou natural até, talvez seja uma família incomum. Mas eu não tive nenhuma barreira, inclusive sempre recebi apoio e admiração deles pela minha escolha”, evidencia.

Mesmo em momentos de descontração, Cecília utiliza a arte para relaxar, sempre consumindo as mais variadas maneiras que a arte pode se manifestar. “Eu vejo outras exposições, vou em outros lugares. Tenho dois filhos, vou à praia, viajo com eles. Leio, pesquiso, conheço artistas novos. Eu vivo bastante isso assim, isso faz muito parte da minha rotina. Meus hobbies também são ligados à arte”, conta.

Planos para o futuro

A artista, além de permanecer no seu ofício, tem como desejo fazer um doutorado, visando continuar sua pesquisa sobre curadoria. Além disso, Cecília torce para que o país consiga manter seu trabalho de uma forma digna. “Na verdade é um futuro que eu quero para todo mundo que trabalha com isso, que a gente tenha a garantia de continuar. O que a gente [curadores] faz serve para todas as pessoas. Restaurar, conservar, registrar, manter a memória. A gente precisa de memória. Eu espero que possamos continuar e que as coisas melhorem. Nós não temos uma situação muito propícia para quem trabalha com isso, principalmente em acervos públicos”, desabafa.

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