Psicopedagogia auxilia a aprendizagem na escola

Por Carolina Melo e Letícia de Medeiros

O distúrbio de aprendizagem acomete estudantes de variadas faixa etárias, com recorrência maior em crianças e adolescentes durante o período escolar. Segundo uma pesquisa do site NeuroSaber, em 2016, estima-se que mais de 40% desses alunos apresentam distúrbio de aprendizagem. Para os alunos que portam algum tipo de déficit, é essencial o acompanhamento de um psicopedagogo para uma melhora nos estudos.

Livros escritos pela psicopedagoga Luciana Queiroz. Foto: Letícia Medeiros.

Segundo Luciana Queiroz, 36, atual presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), seção Ceará, a atividade auxilia no direcionamento da aprendizagem, pois muitos problemas acontecem pelas demandas emocionais, mas também podem ser demandas motoras, cognitivas ou pedagógicas. “A partir da avaliação, compreendemos qual o problema daquele sujeito”, explica a presidente da associação que atualmente conta com mais de 150 mil profissionais em todo o Brasil.

Questões emocionais

Segundo Luciana Queiroz, a adolescência é um momento caracterizado por decisões, amadurecimento da personalidade e conflitos internos. Desde que o jovem ingressa na escola, se inicia o processo de desvencilhamento da família e o contato com outras pessoas. No decorrer de seu crescimento, se relacionam com grupos diversos, sofrem influência das redes sociais e do meio onde vivem, entre outros fatores significativos que afetam diretamente no emocional e atrapalham a desenvoltura na realização de responsabilidades diárias.

Acompanhada por uma psicopedagoga há três anos, Luiza Frota, 15, estudante de ensino médio, melhorou a forma como concilia suas emoções com o estudo. Segundo a estudante, a diferença do seu comportamento, desde o começo de sua terapia até o período atual, é nítida. “A conversa e o desabafo sobre meus sentimentos, faz com que eu fique mais calma. Tenho muitos problemas em me deixar levar pelas minhas notas. A tensão em momentos de provas e estudos aumenta a ansiedade, então a terapia faz com que eu também acredite mais em mim”, confessa.

Tratamento clínico

O tratamento clínico da psicopedagogia inicia com a avaliação do paciente. “Esse primeiro processo gira em torno de 8 a 10 sessões em que avaliamos as seguintes áreas: pedagógica, cognitiva, motora e emocional”, detalha Luciana Queiroz.

O segundo processo é o trabalho da intervenção psicopedagógica, que será direcionado para as demandas que foram apresentadas durante o período de avaliação. De acordo com a psicopedagoga, esse é o momento em que o profissional pode trabalhar de forma mais pontual. “Trabalhamos com recursos lúdicos, sobretudo com crianças. Trabalhamos com jogos, objetos facilitadores do processo de aprendizagem e músicas. Aquilo que media o aprender por um viés mais lúdico, utilizamos como instrumento para avaliação. Com adolescentes e adultos fazemos o trabalho utilizando os jogos, mas temos também jogos mais direcionados para cada idade”, acrescenta.

É comum que psicopedagogos trabalhem em conjunto com psicólogos, fonoaudiólogos, neurologistas e psiquiatras. Há controvérsias quando o tratamento acontece apenas com o psicopedagogo. “A gente trabalha as questões voltadas para a aprendizagem. Quando a gente detecta que tem situações emocionais, comportamentais, que são da área de atuação do psicólogo, a gente encaminha para que ele trabalhe essas demandas específicas da área. E a gente fica trabalhando com as questões relacionadas à aprendizagem”, esclarece.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php