Arbitragem esportiva busca soluções para reduzir erros

Por Gabriel Lopes

De acordo com o levantamento feito pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com dados coletados até a 27ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2018, apenas três equipes não tiveram erros de arbitragem que alterassem negativamente o resultado de suas partidas – Ceará, Chapecoense e Sport – , enquanto 19 equipes foram favorecidas por erros, com exceção do Fluminense. Porque estes erros acontecem? Os árbitros estão despreparados? A formação não é adequada? Falta remuneração? Os recursos técnicos são insuficientes?

A arbitragem brasileira é constantemente criticada pelo número elevado de falhas, algo danoso para várias equipes, que perdem pontos importantes em torneios, o que pode mudar drasticamente o resultado de campeonatos. Tal situação gera desconfiança acerca da arbitragem brasileira. Uma enquete realizada pelo Instagram do JornalismoNIC, com a participação de 50 jovens brasileiros entre 17 e 28 anos, revelou que 79% dos votantes não confiam na arbitragem esportiva do Brasil.  

A maioria dos torcedores que votaram não confiam na arbitragem brasileira. Fonte: Instagram.

Enquanto isso, a arbitragem nas principais ligas do mundo, como na Premier League (campeonato inglês), se equivocam com menos frequência. De acordo com pesquisa feita pelo Professional Game Match Officials (PGMO), ou Árbitros de Jogo das Partidas Profissionais, em tradução livre, a porcentagem de acerto dos árbitros ingleses na Premier League foi de 98% no ano de 2017. Essa alta eficácia foi alcançada mesmo sem o uso do Video Assistant Referee (VAR), ou Árbitro de Vídeo Assistente, em tradução livre, recurso que, comprovadamente, reduz os erros da arbitragem, como aconteceu na Copa do Mundo de 2018, subindo de 95% para 99,3% a porcentagem de acerto dos árbitros. Comparando com o Campeonato Brasileiro, de acordo com verificação da CBF, a taxa de acertos somente de impedimentos em 2015 foi de 90%, número 8% abaixo da porcentagem inglesa. Em termos de arbitragem, é uma diferença considerável.

Nailton Junior de Sousa Oliveira, 26, árbitro de futebol e professor de arbitragem, acredita que a precariedade da arbitragem brasileira passa pela falta de uma profissionalização na área. “A maior fragilidade, tanto na formação, quanto na carreira do árbitro, gira em torno da profissionalização. O árbitro ainda é um prestador de serviços e, por isso, precisa ter outra atividade financeira que lhe dê estabilidade, pois recebemos por jogo que atuamos e de acordo com a competição”, explica.

Já Carol Souza, 22, árbitra de futebol, apesar das críticas à arbitragem brasileira, vê o curso de formação dos árbitros cearenses como satisfatório, pois ele consegue atender os aspectos necessários para o exercício desse ofício. “Na minha opinião, acho o curso bastante completo e satisfatório. Hoje conseguimos ter aula de tudo, temos aulas de vídeos e de análises de lances, além da boa quantidade de aulas práticas”, detalha.

Redução dos erros na arbitragem

O árbitro Nailton Oliveira vê no VAR um recurso de grande importância para a redução dos erros na arbitragem brasileira. “O VAR já é uma realidade para a redução de equívocos. Ele tira do árbitro o sentimento de culpa e desconfiança de algum lance que venha a decidir a partida. Os dados já mostram que o VAR traz  bons resultados e a perda de tempo de bola rolando é mínima”, assevera.

O jogador brasileiro Dedé é expulso injustamente pelo árbitro paraguaio Eber Aquino, que utilizou auxílio do VAR. Fonte: Eitan Abramovich/AFP.

O estudante e torcedor Otávio Guerra, 22, também enxerga nesse recurso uma grande ferramenta para a redução dos erros na arbitragem e explica que a inserção da tecnologia pode ajudar a diminuir o poder do árbitro em questões complicadas do jogo. “Descentralizar e inserir árbitros auxiliares mais experientes, juntamente com o uso da tecnologia, poderia diminuir os casos de corrupção e más decisões”, opina.

Porém, utilizar somente o VAR não exclui as chances de erros grosseiros da arbitragem, como no caso ocorrido nas quartas-de-final da Copa Libertadores da América de 2018, no confronto entre Boca Juniors e Cruzeiro, quando o zagueiro cruzeirense Dedé foi expulso injustamente com o auxílio do árbitro de vídeo. Após o jogo, o erro foi reconhecido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e o cartão vermelho foi anulado, atestando assim o erro na aplicação do VAR.

Tecnologia do árbitro de vídeo sendo utilizada na Copa do Brasil de 2018. Fonte: Leandro Lopes/CBF.

A árbitra Carol Souza alerta que é necessário muito estudo para uma boa aplicação prática do VAR. “O VAR simplesmente não traz a certeza de acerto, pois o árbitro tem a chance de rever o lance. De qualquer forma, a decisão final continua sendo interpretativa em determinadas situações de jogo. Para diminuir esses erros, precisa de muito estudo de lances”, esclarece.

A implantação dessa tecnologia no Brasil já está sendo feita, com experiência na Copa do Brasil de 2018. Os campeonatos estaduais de São Paulo (a partir das quartas-de-final) e de Minas Gerais (a partir das semifinais) também confirmaram o uso do árbitro de vídeo em 2019.

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