Fake News representam perigo para o cenário político

Por Gabriel Lopes e Yasmim Rodrigues

Segundo a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), 235,45 milhões de chips estavam ativos no Brasil durante maio de 2018, número superior ao da população brasileira, que ultrapassou 208 milhões de habitantes neste ano. Esse dado faz com que cada vez mais pessoas utilizem as redes sociais, muitas vezes para se informar. De acordo com a pesquisa Digital News Report 2018, feito pela Reuters, 52% da população brasileira utiliza o Facebook como fonte de informação, enquanto 48% dos brasileiros utilizam o WhatsApp para tal finalidade.

Uma enquete realizada pelo JornalismoNIC, com cerca de 100 jovens entre 16 e 28 anos, revelou que o jornal impresso é o meio de comunicação que mais passa confiança para os leitores, seguido da televisão e, por último, da internet. Para a estudante Nicole Sampaio, 15, o jornal impresso é o meio mais confiável. “Antes de publicar algo, eles [os jornais] sempre têm certeza que é verdade”, afirma. Já para o estudante João Pedro Sarmento, 19, a internet é o veículo mais confiável. “Na internet só depende de mim a averiguação da informação”, relata. Para outros jovens, como a estudante Beatriz Fajardo, 18, “nenhum meio de comunicação passa segurança”. De acordo com Beatriz, “a TV passou a divulgar informações de acordo com a visão mais favorável a ela e a internet vira bagunça, pois fala o que quer”, destaca.

Esses dados revelam a desconfiança causada pelas notícias falsas – popularmente conhecidas como fake news – que, de acordo com levantamento da PSafe, são compartilhadas, em sua maioria (96%), via WhatsApp. Apesar das redes sociais estarem fazendo campanhas contra este tipo de notícia, a pesquisa confirma que a propagação delas ainda é alta. Com isso, faz-se o questionamento: por que as pessoas acreditam e/ou compartilham as fake news?

Terezinha Façanha, 58, psicóloga, enxerga a propagação das notícias falsas como um reflexo da falta de consciência política da população. “Eu acho que falta na gente uma consciência política. Se a gente tivesse mais consciência, a gente parava e pensava: ‘de onde é que vem essa mensagem? Quem mandou, quem enviou?’ Isso não tem lógica. Então a sociedade mesmo regularia as fake news”, discorre.

Efeitos na Política

Box: Yasmim Rodrigues.

O termo fake news ficou popular em 2016, por conta das eleições presidenciais dos Estados Unidos, disputada entre Donald Trump e Hilary Clinton, com as notícias falsas obtendo maior alcance que tradicionais jornais americanos, como o “New York Times” e o “Washington Post”.

No Brasil, o termo também se popularizou bastante. O jornalista e cientista político, Arnaldo Santos, 63, entende que a população brasileira aceita as informações falsas como verdade pois ela não tem uma criticidade para avaliar a veracidade dessas informações. “Em um país com o desenvolvimento tardio como o nosso, em que a maior pobreza não é a monetária, mas a do saber, essas fake news tornam-se ainda mais impactantes e causam muito mais prejuízos pelo fato de existir pouco conhecimento para se fazer críticas e avaliações”, analisa.

O cientista político chama a atenção para a grande exposição dos jovens a esse tipo de notícia. “Os jovens são a maioria da população brasileira, têm muito mais familiaridade com as tecnologias, estão muito mais conectados do que os adultos, portanto, ele é mais suscetível a ser impactado por essas fake news. Embora o jovem tenha um certo conhecimento, ele deve ter o discernimento de se preocupar em não se deixar envolver por qualquer informação. Mas, ele é muito receptivo a receber essas informações sem nenhum criticismo”, acentua. Ele também relembra que o problema atinge jovens e adultos indiscriminadamente.

Santos vê uma linha tênue entre a repressão da liberdade de expressão e o controle da propagação das notícias falsas, sendo um perigo para a democracia uma regulamentação excessiva. “Com esse limite tênue, com essa sensibilidade que temos, o que os órgãos de controle, as autoridades e o Congresso Nacional precisam fazer, provavelmente, são leis mais duras e penas mais contundentes para os autores”, propõe. O cientista evidencia a importância da checagem  das notícias antes de repassá-las “É sempre bom lembrar: desconfiou da informação, cheque-a”, aconselha.

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