A trajetória “camaleônica” de Lady Gaga

Por Letícia Serpa

O filme “A Star is Born” (“Nasce uma Estrela”, traduzido para o português), com a participação ilustre da diva pop Lady Gaga, foi aos cinemas superando os $100 milhões de dólares na estreia, no final de semana passado. O longa mostrou aos telespectadores uma nova figura da cantora, exibindo nas telas de cinema seu talento para atuação.

A carreira de Gaga não foi facilmente aceita. Stefani Joanne Angelina Germanotta é o nome verdadeiro da artista, que ganhou fama a partir do seu primeiro álbum intitulado “The Fame” (“A Fama”, em tradução livre para o português), lançado em 2008. Neste período, Lady Gaga já se tornaria conhecida pelo seu jeito autêntico e inusitado de ser, além de suas contribuições extravagantes à indústria musical.

Primeiros passos

A história de vida da cantora se inicia na cidade de Nova York, onde Gaga cresceu e entrou no mundo do teatro e da música. Nascida em 28 de março de 1986, desde cedo, aprendeu a tocar piano, se apresentou em musicais de ensino médio, e chegou a fazer uma pequena participação na série “The Sopranos” (“Família Soprano”, traduzido para o português), em 2001.

Depois de largar a faculdade de música para focar em sua carreira artística, Gaga deu início à banda “Stefani Germanotta Band”, que ficou conhecida em Nova Jersey, onde aconteciam os shows do grupo. Após isso, a cantora foi convidada pelo produtor musical Rob Fusari para compor a sua primeira canção autoral e assinar com a gravadora Streamline Records. A carreira da artista alavancou de vez.

Capa do álbum “The Fame”. Foto: reprodução.

Com o sucesso dos hits “Just Dance” e “Poker Face”, do álbum “The Fame”, Lady Gaga atingiu o primeiro lugar no ranking da Billboard de vários países e foi indicada ao 52º Grammy, na categoria “Melhor Canção do Ano” para “Poker Face”. No ano seguinte, a artista lançou o seu segundo álbum, intitulado de “Born This Way” (“Nascida Assim”, em tradução livre para o português), que recebeu críticas positivas pelos especialistas em música contemporânea. Algumas canções do álbum utilizaram o nome de “Jesus” e sons que remetiam à Igreja Católica, o que fez a obra ser censurada em alguns países.

Fase polêmica

A ascensão de sua imagem como diva do pop veio acompanhada da personalidade única de Gaga. Além de muito talentosa, a cantora foi a autora de muitas polêmicas e alvo de inúmeras críticas a respeito de sua forma de se vestir em premiações e do seu comportamento nos videoclipes. Um exemplo de polêmica é o clipe da música “Marry The Night”, na qual a artista aparece nua em diversas cenas, agindo de forma perturbadora, e da música “Judas”, em que interpreta Maria Madalena de uma forma sensual e subliminar. Por causa desta última música, religiosos da Igreja Católica condenaram publicamente a obra da cantora.

Lady Gaga vestida de carne no MTV Music Awards, em 2010. Foto: reprodução.

No ano de 2010, Gaga surpreendeu a todos ao aparecer com um vestido feito de carne, na premiação do MTV Video Music Awards. A peça foi criticada por internautas e ONG’s que defendem os animais. Além desta roupa, outras também foram alvos de críticas. Em 2012, a cantora apareceu na Fashion Week de Londres com uma espécie de burca feita a partir de pele animal e uma bolsa gravada com a palavra “cunt” (“puta”, traduzido para o português). Por causa destes e outros acontecimentos, a artista já não estava sendo levada a sério e o seu talento musical estava passando despercebido com a ascensão de tantas críticas sobre o seu comportamento.

Em 2015, Lady Gaga participou de uma palestra na Universidade de Yale, onde falou a respeito de problemas emocionais que sofreu no início de sua carreira, quando tentava se descobrir como uma artista. Neste evento, ela admitiu que “Lady Gaga” seria apenas uma personagem que ajudou a cantora a superar uma fase muito perturbadora de sua vida.

Álbum Joanne

Com um visual mais limpo esteticamente, no dia 21 de outubro de 2016, Gaga lança seu quinto álbum consecutivo, intitulado “Joanne”. Esta obra da artista trouxe um novo aspecto da cantora, que decide reinventar sua imagem e enfatizar suas habilidades vocais. Além de, em seus videoclipes, apresentar uma aparência mais discreta, diferente do seu material de costume.

Visto como um afastamento musical de seus trabalhos anteriores, “Joanne” possui uma sonoridade leve. Seu conteúdo aprofunda-se em temas familiares e emoções de sua vida, como a morte de sua tia paterna, Joanne Stefani Germanotta, que teve uma significativa influência na obra, desde o seu título até o seu encarte. O disco foi incluído nas listas de melhores álbuns do ano e considerado por analistas como uma nova versão da artista, identificada como “uma das maiores camaleoas do pop”.

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