“Se o que produzo não me realizasse, decididamente teria desistido”

Por Carolina Melo

Graduado em Computação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), João José Vasco Furtado, 53, é professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) no curso de computação e também dá aulas no mestrado em Ciências da Cidade. Além de atuar como professor, é diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (DPDI) e responsável pelo Parque Tecnológico (TEC- Unifor).

Vasco Furtado, esposa, Elizabeth Furtado, e filhas, Lara e lia. Foto: arquivo pessoal.

Pai de duas filhas, Lara, 28, e Lia, 21, Vasco não tinha o sonho inicial de cursar computação, e chegou a pensar em prestar vestibular para engenharia. Segundo conta, o interesse pelo curso aconteceu espontaneamente, quando um amigo lhe mostrou um cartão que funcionava a partir de programas de computador. “Não sei se os jovens conhecem, mas naquela época os programas dos computadores eram organizados em cartões. Era necessário fazer um furo no cartão e inserir no computador, e assim os cartões eram lidos. Eu achei aquilo muito bacana, e decidi cursar computação”, recorda.

Carreira

Seu interesse por inovações e pesquisas acompanha toda a sua trajetória profissional. No segundo semestre na faculdade,  estagiou no Serviço de Processamento de Dados do Estado do Ceará (Seproce). Após sua especialização em inteligência artificial, sentiu a necessidade de fazer algo a mais. Já atuando como professor na Universidade de Fortaleza, junto com a sua esposa, Elizabeth Furtado – também formada em computação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), professora e pesquisadora na Universidade de Fortaleza (Unifor), foram fazer mestrado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Campo Grande, quando já eram pais de Lara, a primeira filha. Durante o curso, o professor conta que se entusiasmou ainda mais pela área acadêmica. Depois, seguiram para a França em busca do doutorado.

“A Unifor me deu todo o apoio para realizar o mestrado e doutorado. Após uma palestra sobre pesquisa apresentada por mim, minha esposa e alguns colegas, o chanceler Airton Queiroz perguntou: ‘Onde é que faz isso no mundo?’ Eu respondi que nos Estados Unidos, Europa. E ele disse: ‘Então vai lá, vai aprender essas pesquisas com este entusiasmo’”, relata Vasco. Em seguida, o professor realizou seu pós-doutorado nos Estados Unidos, no Vale do Silício. “A Universidade de Stanford é referência para a área de inovação, foi onde iniciei o meu entusiasmo por essa área”, conta.

Atualmente, Vasco atua como professor e diretor de pesquisas. “A área administrativa da gestão é algo que não me interessa muito, sou muito mais interessado em desenvolvimento de processos, fazer as coisas acontecerem. Meu lado inquieto de ser”, confessa. Vasco assumiu a diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (DPDI) da Unifor a convite do chanceler Airton Queiroz. O professor comenta que é bastante interessado nesta função por ser “muito motivado, pois se trata de algo novo, criar o Parque Tecnológico (TEC-Unifor), apoiar pesquisas e internacionalização”, revela.

Em suma, ele se define como uma pessoa inquieta. “Minha profissão é uma das coisas que mais preenchem a minha vida. Se o que produzo não fosse algo que me realizasse, eu decididamente teria desistido”,  garante.

A origem do nome Vasco

O nome “Vasco” não estava registrado na certidão de nascimento do diretor. Quando começou a jogar basquete, com cerca de 11 anos de idade, usou uma blusa do time Vasco em seu primeiro treino e acabou sendo apelidado dessa forma. Apaixonado por basquete, participou da seleção cearense e da seleção brasileira, e o apelido Vasco ficou mais conhecido do que seu próprio nome. “Eu também sou torcedor do time Vasco, mas não sou fanático por times ou política. Quando fiz a alteração, já era casado, e fiz porque realmente todos já me conheciam por esse nome. Devido ao meu nome ser muito grande, assino a tudo como Vasco Furtado”, explica.

Passatempos

O amor pelo basquete perdura. Hoje, o professor considera o esporte como se fosse uma rede social, já que o ajuda a reencontrar amigos de longa data. “Jogo com pessoas que conheço a 40, 50 anos. Espero ter saúde para jogar sempre”, brinca. Jogar xadrez também é algo que gostaria de praticar com mais frequência.

Vasco Furtado não se considera alguém de emoções extremas e não possui ídolos. Confessa que, se fosse escolher alguém para ter como inspiração, seria seu pai. É bastante ligado à música, apaixonado por jazz e rock. Com relação à literatura, diz que costumava ler Saramago, um dos passatempos que hoje pratica pouco devido à correria diária de sua profissão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php