Mostra Percursos é espaço para produção audiovisual universitária

Alexandre Bessa

Nos dias 8, 9 e 10 de novembro, ocorre a Mostra Percursos no cinema do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza. Ela é uma iniciativa dos docentes e discentes do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC) e tem como objetivo dar visibilidade aos trabalhos produzidos pelos alunos do curso, além de estimular o diálogo entre a sociedade e os jovens artistas. Desde sua criação, há oito anos, o evento exibe em média 60 filmes anuais, divididos em nove sessões. Com isso, de acordo com a organização do evento, abarca por volta de 120 espectadores por sessão – totalizando em torno de 8.580 espectadores, ao longo de todas as edições.

Gabriela Queiroz, 22, estudante de Cinema e Audiovisual da UFC e parte da comissão organizadora da Mostra Percursos. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Gabriela Queiroz, 22, que faz parte da comissão organizadora da Mostra, este é um espaço esteticamente diverso e inclusivo para a produção de cinema. “Em 2016, participei pela primeira vez da Percursos, como espectadora. Tinha acabado de entrar no curso. Exibiram um curta-metragem no qual trabalhei como assistente de produção e, ao ver o filme naquela tela gigantesca, ao ouvir as reações do público, eu senti que eu realmente fazia cinema”, relata.

Ela comenta ainda que a produção cinematográfica universitária sobrevive de festivais e mostras como essa. “Esse ano faço parte da comissão organizadora da Percursos. É um trabalho estressante, admito. Mas também é imensamente recompensador, uma vez que novos e velhos alunos poderão ter a mesma sensação que tive há dois anos atrás: a de que nós realmente fazemos cinema”, confessa Gabriela.

Para Gabriela Tortelli, 21, que foi aluna bolsista e da comissão da Mostra Percursos durante os anos de 2016 e 2017, é importante manter esse espaço onde os alunos podem compartilhar suas histórias. “Ela proporciona uma nova forma de discutir e refletir sobre o trabalho realizado por nós mesmos. O nome, “percursos” não é à toa. Significa deslocamento, movimento, o ato de percorrer. Ela serve de combustível e nos ajuda a entender nosso lugar enquanto artistas. A Percursos se tornou presente e urgente para mim em todos os sentidos”, explica a jovem.

Um outro foco da Mostra é a formação técnica dos alunos. Ao se encontrarem trabalhando ou envolvidos com a realização do evento, os alunos aprendem a trabalhar em equipe, algo que é essencial na produção de conteúdo audiovisual. “O fazer cinema não existe sem o coletivo. Um filme afeta de diferente forma a todos os envolvidos na sua produção. Mesmo existindo funções específicas para cada membro da equipe, o produto final é uma realização de todos”, afirma Tortelli.

O fazer cinema não existe sem o coletivo (Gabriela Tortelli)

Produção Universitária na Web

Os chamados millenials (conceito vindo da sociologia, referente a jovens que nasceram entre os anos 1980 e 2000) têm cada vez mais facilidade e demanda de acessar conteúdo audiovisual, a todo momento. Serviços de streaming, como o Youtube e a Netflix, são os principais responsáveis por popularizar essa realidade. Segundo informações do Youtube Insights 2017, relatório que divulga alguns dos principais dados do site, 60% das pessoas acima de 36 anos de idade consomem diariamente os produtos disponibilizados pela plataforma. Os vídeos mais procurados por esta faixa etária são de música, culinária e esportes. O mesmo mostra que 96% dos jovens entre 18 e 35 anos também acessam assiduamente o site. Entre o grande número de conteúdo disponibilizado, as webséries também vem se destacando entre este público.

FilmagenM da Websérie Dorothy na praça da Gentilância, em Fortaleza” – Foto: Reprodução

Ainda segundo o relatório, o espectador passa em média uma hora por dia no mobile assistindo a vídeos na plataforma. Apesar de ter lançado recentemente sua própria plataforma de conteúdo original, é nas séries independentes que o Youtube se destaca. Muitas destas são feitas por universitários, estudantes de cinema e audiovisual, que buscam apenas divulgar seu trabalho, através da visibilidade que o site disponibiliza. Dependendo ainda do número de visualizações, pode-se até mesmo lucrar com os vídeos das séries.

Um desses jovens criadores de conteúdo é Eric Matheus Lima, 22. Estudante do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Ceará (UFC), ele é criador e diretor da websérie Dorothy. “A história gira em torno de uma vigilante [Dorothy] que luta contra o crime, defendendo aquilo que ela acredita. A protagonista, Milena, alter ego de Dorothy, encontra-se também dividida entre dois rapazes que ama, enquanto tem que lidar com um estranho grupo que chega a sua cidade”, explica Lima. Ele conta ainda que a série aborda muitos temas, entre esses amor, diversidade, tráfico de drogas e lutar pelo que se tem fé.

Dorothy alter ego de Milena, personagem da websérie Dorothy. Foto: Reprodução

Ainda de acordo com o estudante de cinema, a produção de uma websérie assim não é tão simples. “Nós temos vários personagens na série, cada um com suas próprias peculiaridades. Na verdade, é até difícil se ter tantos personagens em uma websérie universitária, produzida de forma independente e sem investimentos”, confessa. Por fim, ele explica que a estreia de Dorothy está prevista para o mês de novembro e que um dos episódios será exibido na Mostra Percursos.

Serviço

Acompanhe a programação da edição 2018 da Mostra Percurso no site:

http://www.percursos.ufc.br/2018/mostra

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