Venda de veículos usados cresce com atual crise

Por Gabriel Lopes

A atual crise financeira afetou diversos setores da economia da sociedade brasileira. A venda de carros também foi acometida pela recessão e a tendência do setor foi o aquecimento do comércio de carros usados. Essa situação é mostrada no levantamento da Webmotors, divulgado pela portal online Exame:

Infográfico: Gabriel Lopes

De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), esse mercado representa 43% da procura dos consumidores brasileiros. Apesar da crise, segundo estudo de 2018 do Sindipeças, a frota de veículos no Brasil, em 2017, foi de 43,371 milhões automóveis.

Francisco Alberto, 64, economista e professor de Economia, analisa o baixo número nas vendas de veículos baseado em alguns fatores. “A queda do número de compras de veículos, em especial os veículos novos, acontece principalmente por causa de alguns fatores, como o desemprego, a instabilidade econômica e o alto preço da gasolina, que acabam afastando o consumidor desse tipo de produto, por ele se tratar de um bem de luxo, algo dispensável em tempos de crise”, elucida.

João Marcus Mota, 21, estudante de Economia, explica o fenômeno de acordo com a elasticidade (tamanho do impacto que a alteração em uma variável, como, por exemplo, o preço, exerce sobre outra variável, por exemplo, a demanda). “Como carros são considerados bens de luxo, eles costumam ter uma elasticidade alta, já que, com uma pequena variação na renda, a pessoa vai pensar muito bem antes de comprar um carro novo. Ela vai dar prioridade aos bens necessários”, esclarece.

Visão do mercado

Carros seminovos são alternativas na atual crise. Foto: O Globo

Apesar dos números mostrarem um crescimento na demanda por carros seminovos no mercado consumidor, Gabriel Teixeira, 22, revendedor de veículos, acredita que a crise também afetou negativamente o ramo. “Creio que tenha piorado um pouco, especialmente pelo grande número de desempregados, principalmente em relação às pessoas entre 18 e 25 anos, que buscam o primeiro carro, um carro mais popular, que é o tipo de veículo que vendemos”, revela.

Em relação às medidas governamentais que poderiam gerar melhorias no setor, David Félix, 32, revendedor de veículos, acredita que uma maior liberação de crédito e uma desburocratização do financiamento aumentariam o número de vendas. Félix também coloca a estabilidade financeira e política como fatores importantes, pois “a estabilidade também diz tudo, porque as pessoas estão com medo de entrar com um financiamento por não saberem como será o dia de amanhã”, explica.

“A estabilidade também diz tudo, porque as pessoas estão com medo de entrar com um financiamento por não saberem como será o dia de amanhã” (David Félix)

João Victor Mota, 22, estudante de Medicina, que costuma comprar veículos seminovos, explica os motivos de sua preferência. “O valor de um carro usado é, muitas vezes, inferior ao valor do mesmo modelo zero km. Quando se pesquisa com cuidado, pode-se encontrar carros usados com muita qualidade em comparação com um novo”, enuncia.

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