Estilo de vida pode desencadear diabetes

Por Letícia Serpa

Muitos jovens, hoje em dia, têm preferido dedicar o seu tempo livre à internet e, por causa do sedentarismo, estão passando por problemas de saúde, desenvolvendo doenças crônicas sérias e um quadro de saúde grave precocemente. Uma destas doenças mais comuns é a Diabetes Mellitus, que se divide em tipos 1 e 2, e consiste na má-regulação de insulina no sangue. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), 23,3 milhões de pessoas, no Brasil, terão a doença em 2040 e, desse total, 5% na faixa etária de até 15 anos.

Segundo a nutricionista e professora de nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor) Andrezza Penafort, 39, o sedentarismo, a genética e, principalmente, a alimentação desregulada são grandes fatores para o desenvolvimento da doença. “A alimentação fast-food, hoje, é uma alimentação de alta densidade calórica, alto nível de gordura e baixo nível nutricional. Ela vai contribuir para o desenvolvimento da obesidade que predispõe o desenvolvimento da diabetes”, explica.

Prevenção

Andreza Penafort. Foto: Arquivo Pessoal

Para a nutricionista Andrezza, a melhor forma de prevenção da doença é fazendo um rastreio dos grupos de risco, como a existência de outros casos de diabetes na família, pessoas com excesso de peso, sedentárias ou mães que tiveram diabetes gestacional. “Dessa forma, você previne a doença com a mudança no estilo de vida, porque, uma vez que aquele indivíduo desenvolve a diabetes, ele vai precisar de controle para manter sua glicemia normalizada”, ressalta.

A transformação desse estilo de vida é ter uma mudança compatível com a saúde. A alimentação mais regrada, tanto na quantidade quanto no tipo de alimento que o indivíduo consome, deve estar aliada ao exercício físico. “A prática do exercício físico otimiza a captação de glicose sem a necessidade da própria insulina. Esta prática, atrelada ao controle de estresse, ansiedade e sono, é uma forma de prevenção da doença”, explica.

Tratamento

A nutricionista esclarece que o tratamento se dá em duas direções. O medicamentoso, que seria um hipoglicemiante ou aplicação de insulina, e a mudança do estilo de vida. As pessoas com a doença vão precisar ter horários fixos para se alimentar, além da necessidade de atividade física para os músculos conseguirem captar a glicose, melhorando o índice glicêmico.

Ao contrário do que muitos pensam, a diabetes não é um sinônimo da pausa total e imediata de certos tipos de alimentos, o ideal é que a pessoa evite alimentos com alto índice glicêmico. “São alimentos digeridos e absorvidos mais rapidamente que vão elevar a glicemia, também, de forma mais rápida”, destaca.

“O indivíduo com a doença, terá uma alimentação preferencialmente de carboidratos mais complexos, que são carboidratos com mais fibras, então, ele deve evitar carboidratos ou açúcares simples, e apostar em alimentos que vão elevar a glicose de forma mais lenta, mantendo a glicemia normalizada”, acrescenta. Cereais integrais, fibras, frutas, verduras e carnes magras são exemplos desses alimentos. O diabético deve beber bastante água e evitar gorduras saturadas, por causa da predisposição a doenças cardiovasculares e o excesso da captação de glicose que vai para a corrente sanguínea, e que pode migrar para os órgãos-alvo, como os rins, olhos e nervos.

Caso

Beatriz Dantas, 13. Foto: Arquivo Pessoal

A estudante, Beatriz Dantas, 13, foi diagnosticada com diabetes tipo 1 aos seis anos. “Quando eu descobri que tinha diabetes, eu estava bebendo muita água, urinando bastante e perdi muito peso. Minha mãe me levou a um endocrinologista que me diagnosticou com diabetes tipo 2, mas o diagnóstico estava errado, pois, dois dias após o tratamento não ter resultados, fui levada com cetoacidose diabética (complicação da diabetes, quando o corpo produz ácidos sanguíneos) para o hospital”, relata. Cinco dias após ser internada, Beatriz foi liberada com o tratamento e o diagnóstico certo.

A estudante afirma que a sua doença não teve relação com a genética de sua família e que sua alimentação não influenciou o desenvolvimento da diabetes. Ela explica que o seu tratamento é feito com dois tipos de insulina. “Uma insulina, eu tomo pela manhã, ela é de ação lenta. Durante a noite, eu tomo a outra medicação, sempre antes de se alimentar. Para usar essa última medicação, eu preciso fazer uma contagem de carboidratos, para, depois, comer”, conta.

Diferença entre tipo 1 e 2

A nutricionista explica que a diabetes tipo 1 é um distúrbio no sistema imunológico que lesiona as células produtoras de insulina. Este tipo de diabetes ocorre geralmente em crianças, quando há a total falta de produção de insulina. “Muitos indivíduos com a diabetes tipo 1 são magros. Hoje, nós definimos a diabetes pela etiologia. Em torno de 5 a 10% dos casos é o de diabetes tipo 1, que é desenvolvido na infância, onde  há um fator genético muito grande, a partir de um gatilho que pode ser gerado por vários motivos”, esclarece.

A diabetes tipo 2 é mais comum em indivíduos adultos, de 30 a 40 anos, e está relacionada com o estilo de vida desregulado e uma alimentação desequilibrada. Neste tipo de diabetes, é mais fácil você encontrar indivíduos com sobrepeso ou obesos. “O que nos preocupa hoje em dia, é que, cada vez mais, de forma mais precoce, as crianças que eram diabéticas tipo 1, desenvolvem a diabetes tipo 2, por causa do excesso de peso e da alimentação inadequada”, relata a profissional.

Infográfico: Letícia Serpa.

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