Um novo tipo de estrela pop

Por Thomás Regueira

Nos últimos anos, a busca pela representatividade e o engajamento social por meio do entretenimento tem se mostrado cada vez mais forte, o que resultou no surgimento de vários artistas que “fogem” dos padrões impostos pela sociedade. Entre eles está a cantora, modelo e artista plástica letã, Viktoria Modesta, 31. A artista se destacou na indústria fonográfica por não possuir uma parte da perna esquerda, se tornando a primeira artista pop amputada.

Vida e começo da carreira

Viktoria Modesta modelando. Foto: reprodução 

Viktoria Modesta nasceu na Letônia em 25 de Fevereiro de 1987, época em que o país fazia parte da União Soviética (URSS). Nesse período, crianças com problemas físicos e mentais eram criadas reclusas. A artista teve complicações durante o nascimento devido a uma negligência médica, comprometendo sua perna esquerda. Durante a infância, a cantora passou maior parte do tempo dentro de hospitais, sem poder frequentar a escola. Modesta e sua mãe se mudaram para Londres quando tinha 12 anos de idade, em busca de melhores condições de vida.

Viktoria movida pelo seu interesse por música e moda, se interessou muito pelo ambiente da subcultura britânica. Aos 15 anos, começou a modelar para marcas de roupas alternativas. Inspirada por um desfile do estilista Alexander McQueen, que tinha um modelo usando próteses nas duas pernas, a modelo decidiu que queria amputar sua perna como uma forma de se livrar das memórias dos hospitais. A decisão também teve o intuito de não comprometer sua saúde no futuro e assumir controle do seu corpo. Após cinco anos de negociação com cirurgiões, ela conseguiu realizar o procedimento aos 20 anos.

Mensagem de representatividade

Sua perna amputada e suas próteses diferenciadas, não necessariamente imitando realisticamente um membro do corpo, chamaram a atenção de diversas marcas. A campanha mais famosa que participou foi a “Born Risky” (“Nascido Arriscado”, em tradução livre para o português). Promovida pelo canal de TV britânico “Channel 4”, a campanha tinha como principal objetivo promover a representatividade de deficientes físicos. Para isso, foi produzido o clipe de “Prototype”, música de Viktoria, que hoje tem mais de 100 milhões de visualizações em diversas plataformas de transmissão de vídeo.

Viktoria Modesta também se apresentou durante o encerramento das Paraolimpíadas de Londres, em 2012, quando performou a música “42”, da banda Coldplay. Na ocasião, a cantora estava vestida como se fosse uma rainha de gelo, utilizando uma prótese feita de cristais.

Atualmente Viktoria também está envolvida na fabricação e venda de próteses para pessoas qamputadas. Em entrevista ao portal de notícias britânico, The Guardian, a modelo diz que representa o sentimento de criação de uma identidade própria. “É bem mais do que ser a primeira artista fashionista amputada da música, ou o que você quiser chamar. É sobre assumir o controle de si mesmo, se você não se enquadra, eles também não se enquadram”.

No clipe da música “Prototype”, a cantora aparece utilizando próteses exóticas e explorando sua sensualidade, apesar de sua condição física. O vídeo  é uma crítica de como a cultura pode alienar as pessoas e influenciar várias loucuras e atrocidades sem pensar, mostrando também como os artistas podem ser meros fantoches de pessoas poderosas, de uma elite econômica e cultural.

 

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