“O jornalismo não está acabando, ele mudou”

Por Alexandre Bessa e Marta Negreiros

Encerrando a Semana de Jornalismo da Unifor, aconteceu na manhã desta quinta feira, 04, a palestra sobre Jornalismo e Comunicação Organizacional. Mediada pela professora Mariana Fontenele e participação do coordenador Wagner Borges, o evento teve como palestrante o assessor de Comunicação e Marketing, Paulo Mota. Mota é mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e Bacharel em Comunicação Social e Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, exerce chefia de comunicação e marketing na Companhia de Gás do Ceará (CEGÁS).

A comunicação organizacional é uma nova vertente do jornalismo das grandes empresas que se utilizam da comunicação e marketing para planejamento, gestão comunicacional e desenvolvimento de empresas públicas e privadas. Assim, é uma nova realidade de mercado que precisa ser explorada pelos novos profissionais jornalistas, além da redação. “Não tem nada a ver com o jornalismo convencional que conhecemos, é uma nova vertente, e tem que haver preparo para atuar nessa área”, afirma Paulo para explicar a importância da formação do profissional voltada para a área corporativa. Ele falou sobre os desafios de trabalhar com comunicação nos dias de hoje e de características que o indivíduo que quer se destacar na área, precisa ter.

Foto: Talita Machado

Para ilustrar tais aspectos, utilizou de sua própria trajetória pessoal e profissional. Disse que todas as experiências as quais passou, desde a universidade, o ensinaram habilidades importantes para o meio profissional. Durante muitos anos, foi jornalista correspondente e depois coordenador assistente do jornal Folha de São Paulo. Também já trabalhou no Diário do Nordeste, El País, e chegou a montar sua própria empresa de comunicação, a Bora Comunicação. Segundo Paulo, para que tudo isso fosse possível, foi necessário muito foco, disciplina, estudo e a habilidade de lidar com pressão em ambiente de trabalho, algo que é constante no meio jornalístico.

Mota incentiva um novo olhar sobre a comunicação corporativa e o novo perfil do jornalista. “Temos que parar de achar que a assessoria de imprensa e o jornalismo empresarial são menores do que o jornalismo ‘raíz’”, pontua. Além disso, evidenciou a importância da experiência na área corporativa e organizacional logo no meio acadêmico, para que esses novos profissionais possam ter vontade, planejar, investir e conseguir abrir seus próprios negócios, como uma outra alternativa de mercado. “O jornalismo não está acabando, ele mudou”, relata.

“Temos que parar de achar que a assessoria de imprensa e o jornalismo empresarial são menores do que o jornalismo ‘raíz’” (Paulo Mota)

O mercado atual

Foto: Talita Machado

“O mercado passa por dificuldades no momento, mas ainda há oportunidades para quem tem vontade de fazer acontecer” explica Paulo. Para ele, o bom profissional de comunicação do mercado atual precisa ter atitude e vocação como características principais. Além disso, pensar nas novas tecnologias disponíveis como formas de se empreender e ganhar dinheiro também é essencial. “Todo mundo hoje em dia passa o dia todo com o aparelho celular na mão. Se o indivíduo conseguir então pensar nas necessidades que essas pessoas ainda tem e colocar os meios digitais como forma de suprir tais necessidades, ele então ganhará explorando um mercado ainda muito novo”, conta.

Por fim, salienta ainda o importante papel das próprias empresas no processo de mudança pelo qual o mercado passa. Com redações de comunicação cada vez mais integradas, passando por mudanças e demissões de funcionários, explica que é importante estimular os funcionários para que estes se sintam parte do processo e, por consequência, da própria empresa. Segundo Mota, pensando dessa forma, o profissional de comunicação do mercado atual não encontrará problemas em sua carreira e as empresas não ficaram desfalcadas de novas mentes pensantes.

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