Semana do Jornalismo debate notícias falsas

Por Letícia de Medeiros

Dando continuidade à programação da Semana do Jornalismo, o debate “O que é fake, o que é news?aconteceu hoje no auditório da Biblioteca da Unifor. O evento teve como mediadora a professora de jornalismo Adriana Santiago, recebendo o diretor e editor do Diário do Nordeste, Idelfonso Rodrigues, a jornalista investigativa, Thays Lavor, e o Consultor Sênior do Innovation Media Consulting, Lúcio Mesquita.

O debate foi iniciado com a contextualização de Adriana Santiago sobre o jornalismo e suas modificações, especificando que vivemos na era da pós-verdade. Segundo ela, o consumidor de notícias, além de fiscalizar, se apodera da linguagem do jornalista, dando sua própria interpretação das notícias e criando uma crise no jornalismo atual. Passando a palavra para Lúcio Mesquita, ele explica que a pós-verdade e as fake news sempre existiram, o que há de novo é a multiplicação no processo de mentiras. “O grande desafio é a vontade das pessoas de querer acreditar com o que é falso”, afirma.

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Tecnologia como empecilho ou ajuda

Lúcio Mesquita e Idelfonso Rodrigues falaram sobre o consumo de notícias por meio da internet. Foto: Lílian Camelo

Falando sobre a tecnologia no tempo das fake news, Lúcio Mesquita explicou que checagem e confirmação dos fatos são papéis que se tornam cada vez maiores para a imprensa. Ao passar a palavra para Idelfonso Rodrigues, o jornalista afirmou que nunca se consumiu tanta informação quanto atualmente e que a sociedade vive em uma era onde existem mais celulares do que pessoas.

Fazendo uma alusão ao que foi falado por Mesquita, Idelfonso especificou que a checagem das fontes precisam ser rápidas para o digital e que “nós não temos que ser apenas escritor de matérias, um jornalista moderno também usufrui do design”. Ele afirma que o desafio é sempre pensar na notícia de forma mais completa para chamar atenção do consumidor. Thays Lavor comentou sobre a necessidade de ajustes no comércio do Jornalismo para a produção de matérias e como o cenário das redes sociais é importante nesse processo.

Eleições e a propagação das fake news

Ao contar sobre seu trabalho na “A Pública”, agência de Jornalismo Investigativo, Thays Lavor apresentou a “Truco nos estados”, uma iniciativa de fact-checking sobre as eleições em alguns estados brasileiros. Ademais, falou sobre a propagação de boatos e notícias falsas no momento atual das eleições, pois, segundo ela, “em tempos de pós-verdade, a verdade no método é importante”.

Thays Lavor falou de seus projetos na agência “A Pública”. Foto: Talita Machado

Exemplificando, falou sobre uma declaração do candidato a governador General Teófilo, em que todos os políticos estão com nome na operação Lava-Jato. Com isso, houve uma checagem e investigação para provar se era verdade ou mentira. A partir disso, Thays fala sobre a transparência no método da notícia, sem precisar ser tendencioso ou preconceituoso com declarações. Com um mês, foi comprovado que a declaração do General estava falsa.  

Fact checking

Para haver a diminuição das fake news, tanto pelo lado do jornalista, quanto pelo lado do consumidor de notícias, Thays comentou sobre a atual existência do fact checking, para conferir se alguma notícia é verdade ou é mentira. Segundo ela, para evitar que as fake news cheguem a existir, o papel do jornalista nesse caso é de ouvir o máximo de fontes possíveis, para extrair informações por várias versões até chegar em uma verdadeira. “Eu não faço Jornalismo hoje apenas com jornalistas, agora há convergências entre outras profissões”, declara.

Eu não faço Jornalismo hoje apenas com jornalistas, agora há convergências entre outras profissões (Thays Lavor)

Idelfonso Rodrigues deu a dica para que alunos possam explorar o ambiente universitário, conhecendo outros caminhos além do jornalismo, buscando o conhecimento para entender de tudo um pouco. “Vivam a universidade que vocês tem”, concluiu.

O que é fake e o que é news?

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