Projeto CHAMA, uma saída para gestantes em estado crítico

Por Gabriel Lopes e Letícia de Medeiros

A gravidez é o momento na vida de uma mulher quando os cuidados com a saúde precisam ser dobrados. Porém, a realidade de muitas brasileiras grávidas é destoante do ideal devido a problemas como a pobreza, o abuso sexual e o vício em drogas. Segundo um levantamento de 2014 do Ministério da Justiça, 23% das mulheres usuárias de crack engravidaram, em média, 2 ou 3 vezes. Esses situações causam distúrbios físicos e psicológicos, que podem comprometer o futuro da grávida e de seu filho, por falta de amparo necessário para uma gravidez e um pós-parto digno.

Visando diminuir os efeitos desses problemas, o Projeto CHAMA (Centro Humanitário de Amparo à Maternidade), fundado em 2016, é uma Organização Não-Governamental (ONG) que atua na acolhida de gestantes em estado crítico. O projeto oferece estadia para mulheres em uma casa, que fornece amparo médico e psicológico, além de incentivar a reintegração das assistidas na sociedade por meio do trabalho, pois elas aprendem a fazer costura e artesanato, dentre outras atividades.

Larissa é assistente social e coordenadora do CHAMA. Foto: Talita Machado

A assistente social e coordenadora do CHAMA, Larissa Barros, 34, afirma que a maioria dos casos amparados estão relacionados à dependência química e ao abuso sexual. “90% das nossas mulheres são dependentes químicas e essas gestações são frutos de abuso, se não nessa gestação atual, mas em algum momento da vida essa mulher foi abusada sexualmente. Eu não imaginava que era um número tão elevado de abuso sexual”, comenta.

Larissa conta que o CHAMA dispõe de equipes internas e externas especializadas no tratamento das gestantes. “O CHAMA tem uma equipe multidisciplinar, que inclui a equipe do serviço social, a equipe da psicologia e um educador social, que vem trabalhar essa questão da dependência química. Mas fora, a gente utiliza os equipamentos sociais, como o CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) e o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social)”, revela.

Nos últimos dois anos, 36 mulheres foram atendidas pelo projeto, enquanto 19 bebês nasceram, com três deles indo para a adoção. A coordenadora do projeto fala que muitas mães mudam de ideia (que normalmente é de não ficar com o bebê) durante o processo. “Todas que entram acham que o bebê é mais um problema na vida delas, pois elas já estão nas drogas, nas ruas, as famílias não as querem, elas não conhecem o pai, então a gravidez, para elas, é a última gota. Mas, no final, elas saem vendo que na verdade esse filho foi a solução”, revela.

36 mulheres foram atendidas pelo projeto. Foto: Talita Machado

Depoimento

O projeto CHAMA foi capaz de livrar pessoas de continuar morando na rua, como é o caso de Joana* (nome fictício, pois não quis ser identificada), 35. Joana é espanhola, veio ao Brasil já grávida de seu segundo filho e passou por atribulações antes de chegar ao projeto, em dezembro de 2017. “Quando cheguei ao Brasil, acabei sendo presa e já estava grávida. Após sair da prisão, eu não tinha dinheiro nem família aqui. Então, eu estava morando na rua, usava drogas e, de vez em quando, fazia programa para ter dinheiro. Um dia, um morador de rua que dava meu almoço havia me falado do CHAMA, mas eu não queria ir, porque já estava acostumada com o fato da rua não ter horários e me acostumei com isso. Porém, como eu estava muito doente e precisava cuidar do meu filho, resolvi ir”, recorda.

“Um dia, um morador de rua que dava meu almoço havia me falado do CHAMA, mas eu não queria ir, porque já estava acostumada com o fato da rua não ter horários” (Joana)

Quando chegou na casa, Joana diz ter recebido todos os cuidados necessários para seu filho nascer saudável e eu começar a trabalhar. “O clima daqui é muito propício para que eu quisesse continuar com meu filho. Antes de chegar aqui, eu não sabia se queria mesmo ter filhos, minha gravidez foi um pouco arriscada pela minha idade e por eu já ter realizado oito abortos no passado. A alimentação é muito boa, o clima é bem agradável, os psicólogos ajudaram muito no meu período pós gravidez e isso vai fazer com que eu sempre lembre do projeto como uma grande ajuda para mim”, declara.

Projeto CHAMA

 

Serviço

O projeto recebe doações de roupas, linhas para costura, alimentos e também dinheiro. Tanto a partir de sua conta corrente, quanto pessoalmente, ao visitarem o projeto. Para realizar a doação, pode-se entrar em contato com o projeto nos endereços abaixo:

Telefone: (85) 98683-1169

E-mail abrigochama@gmail.com

Facebook Projeto CHAMA

Instagram: @chama_insta

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