Aumento das redes sociais cresce junto com perfis falsos

Por Carolina Melo

As redes sociais  possuem inegável relevância na sociedade. O Instagram tem se tornado a rede social onde há uma maior interação de seus usuários. Segundo a pesquisa Mídias Sociais 36o°, realizada em 2017, pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) em parceria com a Socialbakers, o Instagram aumentou a média de seguidores das principais marcas para mais de 800 mil. Ainda segundo a pesquisa, em 2018 a presença de digital influencers tem feito as marcas repensarem seus investimentos para alcançar os consumidores. As 100 personalidades online mais acompanhadas têm, aproximadamente, 9,9 milhões de seguidores em média.

A quantidade de likes e de seguidores são aspectos decisivos para que se construa uma imagem visual de um perfil. Quanto mais seguidores o perfil possuir, mais notabilidade ele conseguirá na rede. Mesmo que seja uma pessoa que viva uma rotina comum, ela acaba tornando-se uma figura admirável para muitos visualizadores, apenas por sua notoriedade conquistada.

Caroline Montenegro no Instagram. Foto: reprodução.

A busca para atrair a atenção desencadeia a existência de fakes (falsificações, em tradução livre do inglês), contas criadas por visualizadores assíduos de um determinado perfil para incorporar a identidade deste para si, mesmo que seja apenas virtualmente. Essa falsa admiração prejudica a credibilidade do perfil em questão, por originar uma lista de usuários iguais o da pessoa, gerando a dúvida de qual seja o verídico.

Foi o que aconteceu com Caroline Montenegro, 17. A adolescente conta com 55, 8 mil seguidores em seu instagram (@carolm_b) e comenta que o primeiro fake que percebeu surgiu no Facebook, depois várias outras contas onlines apareceram. “Nunca consegui descobrir a identidade das pessoas. O processo burocrático faz não valer a pena”, admite. Caroline acrescenta que, além do Instagram e Facebook, também surgiu um no Tinder, site de relacionamento, onde neste caso não se consegue denunciar o perfil.

O aspecto psicológico

A existência de perfis fakes pode ser conceituada de duas formas, segundo o professor e psicólogo Álvaro Rebouças. “Esta veneração pode se dividir em duas ideias: uma de admiração e respeito, e a de um culto a esta pessoa, no sentido de compreender que existem atributos fora do comum”, explica.  

Rebouças conceitua que, no aspecto psicológico, o fato de possuir a necessidade de copiar outra pessoa, se explicaria na área do psicodrama, que consiste em uma questão de papel e máscara. O papel seria uma caracterização de vivência daquela pessoa na determinada posição assumida, em relação ao perfil copiado. Nesse sentido, a pessoa iria tomar o perfil como um papel, ou seja, tornar o perfil como uma representação de quem você é e tentar, de alguma forma, ser aquela pessoa em específico e assumir os atributos admirados como seus.

“Perfis falsos talvez não sejam necessariamente falsos, mas sim um perfil que o sujeito almeja ser, uma imagem que gostaria de possuir, ou até mesmo como um personagem que eu assumo para diferenciar da realidade a qual vivo”, explica. O psicólogo diz que esta admiração é saudável até o ponto em que a pessoa consegue diferenciar a sua identidade original da pessoa venerada.

As redes sociais possuem grande influência no sentimento de insatisfação consigo mesmo, com o que se é e com o que se tem. “As redes sociais, hoje, não só criam opiniões. Elas criam formas de ser e de compreender, e de pertencer ao social”, comenta Rebouças. As mídias digitais influenciam no pertencimento do sujeito a grupos e a compreensão da pessoa sob vários aspectos, principalmente, com o fácil alcance digital existente para se propagar um modelo a ser seguido.

 

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