Tesouro Direto é opção de investimento para jovens empreendedores

Por Yasmim Rodrigues

É comum que jovens vendam alimentos, produtos artesanais ou qualquer outro tipo de mercadoria em suas universidades como forma de conseguir renda extra. Essas vendas são importantes, pois podem ser desde apenas um complemento do mês, até ajudar a pagar o curso universitário. “Eu comecei a vender porque precisava ajudar na renda para continuar pagando o curso e não ter que trancar”, conta a aluna de Odontologia Stéffani Vasconcelos Santos, 23, que vende pães com patê em sua universidade. De acordo com ela, suas vendas possibilitam uma boa renda extra que a ajuda, inclusive, a evitar o acúmulo de dívidas. O aluno de Nutrição Davi Santana Santos, 19, começou a vender coxinhas fit para ajudar a sua mãe e também para conseguir um extra para si. “Ganho apenas 1 real por unidade, os outros 3 vão para a minha mãe, geralmente gasto o que eu ganho no fim de semana”, explica.

“Eu comecei a vender porque precisava ajudar na renda para continuar pagando o curso e não ter que trancar” (Stéffani Vasconcelos Santos)

As ideias empreendedoras dos jovens garantem um resultado notável, porém há como melhorá-lo. Ambos os estudantes afirmam que gostariam de aprender a investir melhor o dinheiro que ganham como forma de ampliar o sucesso que já tem. Segundo o economista e professor universitário Ricardo Eleutério Rocha, o tesouro direto é uma modalidade de investimento interessante tanto para os jovens quanto para os mais velhos. “O Tesouro Direto é um investimento seguro, pois os títulos são garantidos pelo Tesouro Nacional”, ensina.

Tesouro Selic

“Quando se vai investir observa-se três parâmetros: a rentabilidade, a segurança e a liquidez, que é a velocidade que a aplicação se transforma novamente em dinheiro” – Ricardo Eleutério. Foto: Reprodução

“Quando se vai investir observa-se três parâmetros: a rentabilidade, a segurança e a liquidez, que é a velocidade que a aplicação se transforma novamente em dinheiro. O Tesouro Direto apresenta bons resultados nos três parâmetros”, aconselha o economista. O Tesouro Selic é uma forma de investimento que tem se popularizado no mercado, pois é uma opção mais simples de aplicação e consiste em um título público que é comprado por meio do Tesouro Direto. Funciona como uma espécie de empréstimo para o Tesouro Nacional, que devolve o valor com juros. “Atualmente a Selic está fixada em 6,5%. É um bom investimento principalmente se a Selic subir. Essa aplicação acompanha a elevação da Taxa Selic, a taxa básica de juros”, afirma Ricardo Eleutério. Esse tipo de investimento é uma alternativa tanto para quem tem pouco dinheiro para investir, quanto para quem tem muito dinheiro. Em 2016, era possível investir no Tesouro Selic com apenas R$ 30,00.

O Tesouro Selic rende o que é conhecido como a “Selic Over”, que é a taxa meta da Selic diária, logo o Tesouro Selic rende diariamente. Em uma visão anual, pode-se afirmar que o esse investimento rende 100% da Taxa Meta da Selic, de modo que sempre pode-se prever a rentabilidade. Ou seja, quanto maior a taxa básica de juros, maior o ganho.

É válido ressaltar que o Tesouro Selic desconta o Imposto de Renda, que segue a tabela regressiva de imposto, ou seja, quanto mais tempo o Tesouro Selic é deixado sem ser resgatado, menos se paga de imposto. Se o investimento for deixado aplicado por mais de 2 anos, alcança-se a alíquota mínima, ou seja, o desconto é o menor possível. Além disso, quando o investimento é resgatado é de responsabilidade da instituição de investimentos reter o imposto, sendo assim, o valor disponível para resgate já aparece isento do imposto.

Porém, existem riscos no mercado financeiro. Entre eles está o risco de crédito, no qual quem recebe o empréstimo não conseguiria pagar quem emprestou. No investimento no Tesouro Selic, esse risco é um dos menores, pois, na prática, ao investir nele, se empresta dinheiro ao governo e este tem autonomia para mexer em toda a economia, sendo a última instituição a “quebrar”. Há também o risco de liquidez, que seria a oscilação do valor investido na hora do resgate, mas não afeta o Tesouro Selic. Em outras palavras, se forem investidos R$ 100 mil, não há como receber menos do que isso no resgate. Além disso, o Tesouro Selic pode ser resgatado a qualquer momento, após a solicitação o dinheiro fica disponível no mesmo dia ou no dia seguinte.

Investimentos, Tesouro Direto e Poupança

Os títulos de renda fixa são os mais seguros, como a Caderneta de Poupança e o Tesouro Direto. Foto: Reprodução

No mercado financeiro nacional, existe um conjunto de instituições financeiras públicas e privadas que oferecem vários tipos de títulos. Os de renda fixa são os mais seguros, como a Caderneta de Poupança e o Tesouro Direto; os de renda variável, como o dólar e as ações, são as que pode-se ganhar muito ou perder muito. “Geralmente o investidor mais “agressivo”, dentro dos três parâmetros, olha mais para a rentabilidade. Porém, quanto maior a rentabilidade, maior o risco, menor a segurança. Já os mais conservadores, utilizam a renda fixa, que paga juros pré ou pós fixados que permitem vislumbrar qual será o valor aproximado da rentabilidade”, explica o Economista Ricardo Eleutério.

De acordo com ele, o tipo de investimento mais popular entre os brasileiros é a Caderneta de Poupança. Porém, desde 2002, existe a modalidade que permite investir em títulos públicos e que tem uma rentabilidade maior do que a da Caderneta. “Esse ano a Caderneta deve pagar em torno de 4,5% e a Selic já está fixada em 6,5%. Além disso, a liquidez do Tesouro é diária e a da Caderneta é mensal, mas ambos têm boa segurança”, afirma.

Cuidados Necessários

O economista alerta que algumas aplicações financeiras pagam imposto e outras não, por exemplo, a Caderneta de Poupança, que não desconta o Imposto de Renda. Há também, no Brasil, o fundo garantidor de crédito (seguro depósito), criado para proteger os investidores da quebra de algumas instituições, mas algumas aplicações são amparadas por ele e outras não. Também é importante que o investidor observe se a inflação não é maior que a rentabilidade da aplicação. “Se a aplicação financeira te pagar 4,5% e a inflação for de 6,0% você estará perdendo dinheiro, a taxa de juros real estará negativa”, conta Eleutério. Por todas essas variáveis, é importante que o investidor conheça seu perfil e pesquise sobre suas aplicações “Lembrando aquele ditado popular, não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto. Se o cesto cair, você perde todos os ovos, na linguagem financeira é assim” adverte o economista.

Ademais, Ricardo Eleutério recomenda fazer uma carteira de investimentos, na qual pode-se diversificar as aplicações para minimizar o risco, aplicando em ações, caderneta de poupança e em títulos do tesouro. “Dessa forma, se você perder nas ações, ainda pode ganhar na caderneta e no título e faz uma rentabilidade para sua carteira de investimentos, perdeu ‘aqui’ e ganhou ‘ali’. No final, você acaba fazendo uma rentabilidade positiva”, explica. Porém, o economista ressalta a importância de estudar sobre os investimentos. “Busque ler e estudar, procure profissionais de mercado capacitados para orientá-lo, não vá atrás de dicas, busque, pense e olhe seu perfil”, aconselha.

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