Violência no trânsito ameaça expectativa de vida dos jovens

Alexandre Bessa

A violência no trânsito causou um impacto de 7,5 bilhões ao estado do Ceará, apenas no ano de 2017, segundo indicadores do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT, o seguro obrigatório de automóveis). O valor corresponde a 5,42% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Esse déficit acontece por conta da perda da capacidade produtiva causada por acidentes que ocasionam morte ou invalidez. De acordo com dados divulgados pela Seguradora Líder, responsável pelas indenizações do seguro DPVAT, o maior número de mortes é de pessoas com idade entre 21 a 30 anos, em sua grande maioria do sexo masculino.

Fortaleza registrou uma morte a cada 79 acidentes em 2017, segundo relatório da Prefeitura de Fortaleza. Entre os fatores que contribuem para esse número, o comportamento imprudente e agressivo no trânsito é o mais presente. No último dia 19, o motorista de aplicativo Walter Gomes de Azevedo, 38 anos, foi morto a tiros após uma briga de trânsito, no Bairro Jacarecanga, em Fortaleza. O motivo da briga teria sido um acidente por conta de um momento de desatenção, quando o motorista atingiu a moto na qual os os assassinos se encontravam.

1 pessoa morre a cada 79 acidentes em Fortaleza. Foto: Reprodução

Dados lançados no ano de 2018 da Organização das Nações Unidas (ONU) também mostram que a violência e os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Segundo a psicóloga Ilana Landim, 28, especializada em Clínica Analítica Comportamental, as pessoas são controladas pelas consequências imediatas dos comportamentos. Simplificando ao leitor, é como se o indivíduo reagisse imediatamente sem pensar a uma ação externa. “Quando mais jovens, é mais difícil permanecer no controle de consequências a longo prazo. É sempre mais fácil buscar um caminho rápido para se chegar a determinado local do que esperar pacientemente no trânsito, por exemplo. Em contrapartida, não há nenhuma política de incentivo ao comportamento adequado no trânsito, apenas a de punir comportamentos negativos, como as multas de trânsito”, destaca a psicóloga.

Masculinidade tóxica no trânsito

Edson Rocha, 23, administrador. Foto: Alexandre Bessa

Ainda de acordo com Ilana, culturalmente, os homens são ensinados que podem emitir determinados comportamentos mais do que as mulheres. Agressividade é vista de maneira positiva, como forma de masculinidade e virilidade. Já as mulheres, entretanto, têm imagem positiva quando estão associadas à docilidade e ao equilíbrio. “Isso autoriza os homens a manterem comportamentos impulsivos no trânsito ou em qualquer outro lugar”, afirma. Isso se reflete nos dados divulgados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária. Mostram, apenas no ano de 2013, 34.629 mil homens mortos em acidentes de trânsito, enquanto o número de mulheres mortas foi de 7.617 mil.

Para o administrador Edson Rocha, 23 anos, a violência entre os condutores é constante. “Eu estava indo para o trabalho […] e, ao manobrar o carro, quase atingi uma moto, assustando as pessoas que estavam nela. Logo depois, o condutor, que era homem, começou a me perseguir no trânsito e, ao parar no sinal, começou a bater no carro e a me xingar. Ele ainda fez uma sugestão de que estaria armado antes de arrancar em grande velocidade. Não gostaria nunca de passar por isso novamente”, conta.

“O condutor, que era homem, começou a me perseguir no trânsito e, ao parar no sinal, começou a bater no carro e a me xingar” (Edson Rocha)

Conscientização

Na última terça-feira, 25, comemorou-se o Dia Nacional do Trânsito. O dia está inserido na Semana Nacional do Trânsito, comemorada entre 18 e 25 de setembro. O objetivo, segundo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), é conscientizar a sociedade e propor uma reflexão e diálogo sobre uma nova forma de encarar a mobilidade.

O tema da campanha do ano de 2018 é “Nós somos o trânsito” e, ainda de acordo com o Contran, seria um estímulo aos condutores optarem por uma forma de condução mais segura.

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