Postura ao usar celular pode ameaçar a saúde

por Thomás Regueira

O celular se tornou um aparelho indispensável na vida das pessoas de todas as idades. A possibilidade de trabalhar, pesquisar sobre os mais diversos assuntos e trocar mensagens em um único dispositivo faz muita gente passar boa parte do seu dia atenta ao celular. Uma pesquisa realizada pelo Counterpoint Technology Market Research (Centro de Pesquisa de Marketing da Tecnologia Counterpoint, em tradução livre para o português) com pessoas de todos os continentes, constatou que cerca da metade dos usuários de celular ficam conectados pelo menos cinco horas por dia.

Médicos ortopedistas e fisioterapeutas têm chamado a atenção para a má postura durante o uso dos smartphones, que pode gerar diversas complicações, principalmente problemas de coluna. Segundo o médico ortopedista Ismael Pontes, 35, quando uma postura inadequada é mantida por muito tempo pode causar contraturas musculares e consequentemente dor, principalmente na região cervical, o pescoço.

Fernanda Guimarães, estudante de jornalismo. Foto: arquivo pessoal

Fernanda Guimarães, 19, estudante de Jornalismo, foi diagnosticada com escoliose no começo de sua adolescência, uma deformação na coluna vertebral causada pela má postura. A sua coluna tinha um formato que lembrava a letra “S”. “Tinha muito o hábito de ficar online. A gente fica tão vidrado naquilo que esquece o jeito que estamos sentados”, comenta.

Esse problema causava bastante dores no pescoço e nas costas. Com 13 anos, Fernanda sentia dores comuns em adultos e idosos. “Fui ao médico e tive que usar a espaldeira. Como eu também tinha um deslocamento na bacia, usava compensação nos meus calçados e fiz exercício físico, no caso natação com acompanhamento”, relata. Ela também fez fisioterapia por um curto período de tempo, mas destaca que a natação contribuiu para que a escoliose não fosse mais grave.

Problemas mais graves

Aliada a fatores como sedentarismo e obesidade, a má postura pode estimular o desenvolvimento de problemas mais sérios como a lombalgia mecânica, que são de origem muscular e tem relação com a má postura e sobrecarga muscular nas atividades cotidianas. A hérnia de disco também pode ser desenvolvida por causa da má postura, provocando invaginações do disco para dentro do canal vertebral, podendo comprimir raízes e medula óssea, causando problemas neurológicos para membros superiores e inferiores como perda de força muscular e sensibilidade. Outro doença que pode se desenvolver é espondiloartrose, conhecida como artrose da coluna, que seria o desgaste da cartilagem das articulações da coluna, sendo mais comum em idosos.

De acordo com um estudo publicado por Kenneth Hansraj, na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (National Library of Medicine), adultos que usam muito os smartphones tem 58% de chance de desenvolver esses problemas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o desgaste da coluna vertebral, sobretudo na região superior das costas e do pescoço, uma epidemia mundial.

Entre os principais tratamentos estão a prática de atividade física, reeducação postural global (RPG), fisioterapia e os tratamentos alternativos, como a osteopatia. Não existe uma fórmula exata para o tratamento de problemas na coluna, mas todos devem ter acompanhamento de um profissional, como um ortopedista ou fisioterapeuta.

O processo de reabilitação

Artur Favela, fisioterapeuta. Foto: Thomás Regueira.

Artur Favela, 27, é fisioterapeuta com especialização em osteopatia, um método que visa buscar as causas da dor, não se limitando ao foco do incômodo. “Nós [fisioterapeutas] costumamos dizer que a osteopatia não é a forma de tratar, e sim a forma de avaliar, que é completamente diferente da fisioterapia tradicional. Não adianta você tratar só o local da dor, porque a causa continua lá e posteriormente volta”, explica.

Com essa grande variedade de métodos terapêuticos para o corpo, é comum surgirem dúvidas quanto ao profissional ideal para recorrer. Na opinião de Artur, as pessoas têm autonomia sobre a saúde e devem procurar o profissional que lhe convém. “Para as pessoas que fazem atividade física, o educador físico é a primeira opção delas. Ele pode dizer se com determinada dor elas precisam ir num médico especialista ou no fisioterapeuta mesmo”, declara. Em tese, o ortopedista é quem vai identificar e encaminhar o paciente para o tratamento adequado, enquanto o fisioterapeuta cuida da parte de melhora e reabilitação.

De acordo com o fisioterapeuta, um dos melhores meios de corrigir postura é a prática de atividade física, por eliminar o sedentarismo, uma das principais causas de má postura. “Quando você tem uma pessoa que está sedentária há muito tempo e ela decide praticar uma atividade física, com o tempo, vai começar a se sentir incomodada com sua postura e se sentir melhor com uma postura ereta, além do fortalecimento da musculatura”.

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