“O termo acidente passa a sensação de que não se pode controlar, mas existe prevenção”

Por Marta Negreiros  

Prevenção de acidentes de trânsito, consequências,  diferenças, o tratamento das lesões dos incidentes foram questões tratadas no IV Fórum do Observatório de Segurança Viária. O evento contou com a presença d0 Dr. Abdulgafoor M. Bachani, diretor da Unidade de Pesquisa de Lesões da Universidade Johns Hopkins, referência internacional em saúde pública. Também participaram da palestra o Secretário Municipal de Conservação e Serviços Públicos, Luís Alberto Saboia, o pesquisador e coletor de dados da Universidade Johns Hopkins, Andrés Vecino e o representante do Observatório, Ezequiel Dantas. O evento aconteceu ontem (20), no teatro Celina Queiroz, na Universidade de Fortaleza (Unifor).

Dr. Abdulgafoor M. Bachani, diretor da Unidade de Pesquisa de Lesões da Universidade Johns Hopkins, durante a o IV Fórum de Segurança. Foto: Ares Soares.

“A morte é só a ponta do iceberg. É importante pensar nas lesões não fatais”, alertou Abdulgafoor sobre a necessidade de tratamento dos traumas de morbidade, agudos ou emergências, que acontecem no trânsito e, geralmente, trazem mais custos financeiros tanto para o Estado, quanto para as pessoas envolvidas no acidente. O ciclo de atendimento, tratamento e o de reabilitação do paciente é indispensável para redução da mortalidade no trânsito.

O número de mortes por acidentes viários é de 3.600 por dia no mundo todo, segundo a pesquisa mostrada por Abdulgafoor. “Para entender a gravidade e o impacto disso, pense que é como se fossem dez aviões caindo todos os dias”, explica. Uma questão importante é a diferença de mortes entre países mais desenvolvidos e menos desenvolvidos. As nações mais ricas apresentam números menores de mortalidade em relação aos mais pobres. Para o diretor, isso está diretamente ligado às questões de segurança, desenho e infraestrutura das vias e também no tratamento dos traumas que chegam aos hospitais.

Andrés Vecino, pesquisador da Universidade de Johns Hopkins, apresentou os dados que foram colhidos numa pesquisa feita em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) em três capitais sul-americanas: Fortaleza, São Paulo e Bogotá. Foram feitas observações a cada seis meses e desde que a pesquisa foi iniciada já foram relatadas diminuição em relação a motoristas alcoolizados, bom uso do cinto de segurança no banco da frente e praticamente 100% do uso do capacete.

Dr. Abdulgafoor M. Bachani, Luís Alberto Saboia e Ezequiel Dantas respondendo perguntas dos presentes. Foto: Ares Soares.

À medida que o país se desenvolve os acidentes aumentam, já que cresce também a quantidade de carros, motocicletas, pedestres e ciclistas nas ruas. A partir disso, surgem impactos ambientais, por meio da emissão de CO2 dos veículos motorizados, aumentando a poluição urbana e podendo desencadear doenças como tuberculose, diabetes e problemas cardíacos. A economia também é diretamente afetada. Todo ano são gastos 517 bilhões de dólares em acidentes de trânsito, no mundo, o que seria equivalente entre 2 e 3 por cento do PIB mundial, de acordo com Abdulgafoor.

“O termo acidente passa a sensação de que não se pode controlar, mas existe prevenção”, garante Abdulgafoor. O uso do capacete para motociclistas, boa visibilidade e manutenção das vias e leis que fiscalizem e punam o excesso de velocidade foram algumas das medidas preventivas abordadas. “As soluções não são uma bala mágica, são multisetoriais e complexas. É preciso mobilizar recursos e unir as pessoas, ainda é um desafio”, acrescenta.

Luís Alberto Saboia trouxe dados correspondentes aos acidentes em Fortaleza e pontuou a importância do conhecimento dos problemas viários da cidade, para que sejam devidamente debatidos, conscientizados e combatidos. “Se fala de mobilidade urbana como se fosse futebol, todo mundo tem um comentário a fazer. Para a maioria das pessoas a única coisa importante é saber quanto tempo vai demorar para chegar em tal lugar, mas é muito mais que isso”, declarou.  

 

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