Patti Smith: A arte em sua plenitude

Por Levi Aguiar

A curadoria de livros TAG – Experiências Literárias lançou, neste ano, uma edição com duas obras da artista Patti Smith, “Só garotos” e “Linha M”, além de traduzir seu livro de poemas “Devotion/Devoção”.

A escritora ficou conhecida pelo lançamento do seu disco “Horses”, em 1975. Este disco é considerado pela revista Time como um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. O álbum, caracterizado pelo lirismo e a adesão ao movimento punk, tem como abertura a união da música “Gloria”, do cantor Van Morrison, e trechos do poema “In Excelsis Deo”, “Jesus died for somebody’s sins but not mine” (Jesus morreu pelos pecados de alguém, não pelos meus”, em tradução livre para o português). Além de cantora e escritora, Patti é conhecida por suas performances, ligação com as artes visuais e composições.

Patti é chamada de poetisa do punk, cada obra sua traz uma densidade de apreciação ao universo da arte, sua humanidade e a paixão pelas suas referências, como Janis Joplin.

“Só garotos”

Imagens do livro de memórias de Patti Smith, “Só garotos”. Foto: reprodução.

Quando ela completou 22 anos, mudou-se para Nova Iorque com o sonho de se tornar artista. Patti Smith vivia em abrigos e trabalhava, provisoriamente, em uma livraria, onde conheceu uma das personalidades mais marcantes de sua na vida, o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Eles tornaram-se amigos e amantes. Patti, com minuciosidade e sensibilidade, narra suas memórias ao conhecer Robert mais intimamente. “Como se fosse a coisa mais natural do mundo, ficamos juntos, só saindo do lado um do outro para trabalhar. Nada foi dito; apenas mutuamente compreendido”, confessa em seu livro.

Os dois tiveram alguns conflitos quando começaram a morar juntos. Além disso, envolvido por descobertas, Robert começa explorar sua orientação sexual com homens. A situação financeira não estava muito boa e ele começou a se prostituir para sustentá-los, pois só o trabalho de Patti não era o suficiente. Mesmo depois de alguns desencontros, a amizade entre os dois continua a mesma.

O principal foco deles era sustentar o amor pela arte. Esse sentimento, que transcende e se complementa com a união de ambos, é narrado no livro de memórias. “Um dia a gente vai entrar juntos, e a exposição vai ser nossa”, lembra a escritora sobre essa época.

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