Bitcoin, a moeda virtual que está mexendo com o mundo dos investimentos

Por Yasmim Rodrigues

Tem sido cada vez mais comum ouvir o termo “bitcoin”. A nova moeda mexe com o imaginário do consumidor, traz diversas oportunidades inexploradas e também muitos riscos. As bitcoins são moedas virtuais que podem ser usadas como pagamento de alguns produtos. Elas foram criadas há aproximadamente 10 anos “como uma alternativa de um sistema financeiro ou econômico o qual não está vinculado a nenhuma autoridade monetária. É dito que foi pensado e executado por um programador denominado Satoshi Nakamoto”, explica o professor de Mercado Financeiro, Francisco Elder Ferreira de Araújo, 54. A criptomoeda é considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada e a grande responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre, aquele no qual o banco não se sujeita a regulamentações específicas.

No momento de produção dessa matéria, 1 bitcoin equivalia a R$ 26.154,18. O alto valor das bitcoins tem atraído muitas pessoas que passaram a investir na moeda com o objetivo de obter lucro no futuro. “Soube por amigos, observei o comportamento da variação de preços e resolvi arriscar”, afirma a analista de sistemas Samantha Rodrigues, 31. “Acredito que a moeda está em ascensão”, evidencia o também analista de sistemas, Germano Machado Duarte, 33. Já para o desenvolvedor de softwares Marcos Paulo de Souza Damasceno, 27, a motivação inicial não foi investimento: “eu sabia que tinha uma chance de subir, eu acreditava na ideia, mas eu nunca imaginei que fosse subir o tanto que subiu. Comprei mais porque eu trabalho com software e eu apoiava a ideia”.

Segurança

A criptomoeda é considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada e a grande responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Foto: Reprodução

O fato da moeda não ser regulada por um banco pode assustar algumas pessoas pela questão da segurança. Porém, a bitcoin trabalha com um sistema de blockchain que registra as operações feitas. No BlockChain, todos os blocos contém informações das operações feitas nos últimos 10 minutos. Contém também o Proof of Work, que é uma espécie de comprovante da operação matemática. Por conta dele, o trabalho de validação das bitcoins exige um investimento muito alto. Assim, a inflação é controlada e também contém uma referência ao bloco anterior a ele. Logo, é praticamente impossível violar o sistema.

Qualquer pessoa pode validar uma operação de bitcoin, desde que tenha um computador altamente capacitado para resolver operações matemáticas de alta complexidade. Quem consegue resolver essas equações recebe uma recompensa em bitcoins e é dessa forma que são geradas novas moedas, esse processo é chamado de mineração de bitcoins. Para o professor Elder Ferreira, as bitcoins representam um grande risco. “Eu particularmente não vejo nada pró. Na realidade, entendo como sendo uma mercadoria que é conversível em moeda de qualquer país. Eu entendo como uma grande pirâmide e que a qualquer momento acontecerá um colapso”, opina.

Riscos e Vantagens

Muitas pessoas que arriscaram o investimento em bitcoins conseguiram obter lucro, como o analista de sistemas Jeferson Macedo, 23. “É um investimento de risco, se souber investir, o retorno pode ser muito bom”, afirma. “Com o primeiro investimento que fiz tive lucro, mas, por ansiedade, comprei a moeda em um momento que não deveria e acabei perdendo meu lucro”, conta Samantha Rodrigues. “Eu obtive bastante lucro no final do ano passado. Eu tinha Ethereum [um tipo de  criptomoeda] e ele tinha triplicado na época, comprei bitcoins. Foi aí que eu comecei a investir, a estudar e investir em Cardano [outro tipo de criptomoeda]. Fiz 10 vezes o meu investimento em Cardano”, relembra Marcos Paulo. “Ganhei bastante dinheiro, perdi também mas, no final das contas, eu terminei positivo”, explica.

Porém, investir em bitcoins nem sempre traz o lucro esperado. “Até o momento tive perda, pela recente queda do valor da bitcoin”, explica o analista de sistemas Daniel Aguiar da Nóbrega, 30. “Somente obtive perda”, afirma Germano Machado. Como a bitcoin funciona por uma tecnologia peer to peer, na qual não há um banco para regular as operações, não há ninguém responsável por isso. Logo, se houver qualquer tipo de problema, não há para quem recorrer. Existem casos de corretoras que roubaram quantias que chegam a bilhões, o que evidencia a necessidade de cuidado em qual empresa se está comprando as bitcoins.

“Até o momento tive perda, pela recente queda do valor da bitcoin” (Daniel Nóbrega)

Muitas pessoas que arriscaram o investimento em bitcoins conseguiram obter lucro. Foto: Reprodução

As bitcoins não podem ser criados para sempre, eles irão parar de ser minerados quando atingirem 21 milhões de bitcoins. A cada quatro anos, os números dados aos mineradores são reduzidos pela metade. Dessa maneira, a bitcoin se configura como uma moeda deflacionária com inflação controlada. Pelo mesmo motivo que as criptomoedas trazem riscos, elas também trazem vantagens, pois não podem ser inflacionadas pelo governo, tornando-se uma moeda blindada contra possíveis má gestões públicas.

Como investir em bitcoins?

Para investir em bitcoins, é necessário ter uma carteira virtual que possibilita a compra e a venda das moedas digitais. “Compro pela carteira do mercado bitcoins. Tentei obter bitcoins com a mineração, mas não me pareceu valer a pena”, explica Samantha Rodrigues. Muitas pessoas compram a moeda na baixa e esperam vendê-las na alta, como é o caso de Germano Machado e Jeferson Macedo. “Invisto pelo mercado bitcoins, observando as altas e baixas do valor da moeda”, informa Jeferson.

É importante salientar que, apesar de trazer muitas oportunidades, é necessário ter cuidado ao investir em bitcoins, pois nem todas as pessoas concordam que seja uma alternativa para “mudar de vida”. “Se souber fazer, pode ser um complemento de renda muito bom, porém, no atual cenário, acredito que não dá para mudar a vida de uma pessoa”, justifica Daniel da Nóbrega. “Acredito que, para mudar a vida de alguém, o valor a ser investido teria que ser muito alto, o que não é muito aconselhado por grandes investidores. Primeiro por não ter um órgão regulador ou que garanta parte do investimento e também porque o valor da moeda já está muito alto”, justifica Samantha Rodrigues.

Box: Yasmim Rodrigues

“Acredito que a tecnologia da bitcoin pode mudar a vida de muitas pessoas, da população nos próximos 10, 15 e 20 anos”, afirma Marcos Paulo. Porém, ele alerta que investir em bitcoin pensando que é uma forma de virar milionário com pouco dinheiro é errado. “Acredito que as criptomoedas são uma forma de guardar seu dinheiro. É nisso que a bitcoin pode mudar a vida de uma pessoa. É uma forma de ter a representação de algo que tem valor em algo que ninguém tem controle, o governo não tem o controle e ninguém pode tirar de você”, explica. Em uma perspectiva de futuro, o professor Elder Ferreira adverte ser imprevisível o rumo que as criptomoedas vão tomar: “uma coisa é certa, trata-se de um investimento no qual o retorno deverá ser muito elevado para fazer face ao risco exposto”.

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