Futebol de cadeirantes completa quatro anos em Fortaleza

Por Layo Lucena

O NOHO Power Soccer é o time representante da capital fortalezense na modalidade power soccer, o futebol de cadeirantes. “A equipe teve início em meados de 2014, após um paratleta retornar dos Estados Unidos, onde vivenciou o esporte e conseguiu uma doação de cadeiras para montar uma equipe em Fortaleza. Com minha participação, criamos a primeira equipe da modalidade no Nordeste”, conta David Xavier dos Santos, 36, diretor técnico da Associação D’eficiência Superando Limites (ADESUL), treinador e um dos fundadores da equipe NOHO.

Treinador David Xavier dos Santos e alguns membros da NOHO. Foto: Victoria Veloso

O jogo é misto, isto é, as equipes podem ter homens e mulheres disputando a mesma partida. A modalidade é praticada por seis jogadores, três de uma equipe, três de outra, sendo um deles um goleiro que não é fixo. Ou seja, ele pode atacar em algumas ocasiões. Algumas regras são as mesmas do futebol, como lateral e escanteio. Porém, a modalidade é praticada com cadeiras especiais, que servem para a proteção do atleta, pois ocorrem fortes choques entre as cadeiras. Apesar disso, a modalidade é uma forma de diversão e também de ajuda psicológica para os atletas.

“O esporte é uma boa oportunidade de conhecer pessoas, fazer amizades. Além disso, é uma chance de praticar esportes”, afirma Igor Gomes de Souza, 28, ala da equipe NOHO. O jovem foi recém-convocado para a Seleção Brasileira de power soccer para participar da Sul-americana, que acontecerá em novembro, no Uruguai. Segundo Igor Gomes, ela gera uma motivação a mais no dia a dia do atleta.

“O esporte é uma boa oportunidade de conhecer pessoas, fazer amizades. Além disso, é uma chance de praticar esportes” (Igor Gomes)

“Estou desde 2014, quando foi criada a equipe. Antes, eu jogava basquete, porém me encaixei melhor no power soccer, tem mais a minha cara”, afirma Daiane Santo, 29, goleira da equipe NOHO, também recém- convocada para a Seleção Brasileira de pela segunda vez para disputar o Sul-americano. “O power soccer me ajuda a ser uma pessoa melhor comigo mesma, me sinto mais livre e com energia para viver”, conta Daiane. De acordo com a goleira, é uma sensação única representar o Brasil em qualquer campeonato. “Espero que nos próximos anos o power chair seja considerado um esporte olímpico. É um objetivo de todos que apoiam essa modalidade”, revela a atleta.

Daiane e Igor, recém convocados para a seleção brasileira. Foto Victoria Veloso

Atualmente, a equipe conta com patrocínios e ajuda de contribuintes. “Com essa ajuda, podemos ter uma projeção para adquirirmos novos equipamentos, pois a cadeiras, que são necessárias para a prática do esporte, são bem cara”, afirma David Xavier. Segundo ele, o esporte é uma particularidade a parte na associação.

Associação D’eficiência Superando Limites

A Associação D’eficiência Superando Limites (ADESUL), localizada em Maracanaú, foi fundada em 2015 e hoje desenvolve várias modalidades desportivas como atletismo, basquete em cadeiras de rodas, bocha adaptada, futebol de amputados, futebol de cinco para deficientes visuais, judô para deficientes visuais, natação e power soccer.

A ADESUL apresenta, hoje, um quadro com aproximadamente 200 paratletas de participação e competição, com pouco mais de 3 anos da fundação. A associação foi criada a partir do sonho de atletas, técnico e familiares de realizar um projeto social que visa a inclusão desportiva do deficiente, mas que também fosse capaz de promover ações sociais de apoio à comunidade em que está inserida. Hoje, encontra-se entre os maiores projetos do estado e é reconhecida nacionalmente, segundo David Xavier.

   

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