Uma religião marcada pela simplicidade e acolhimento

Por Thomás Regueira

O budismo, considerado a quinta maior religião em número de adeptos do mundo, tem atraído a atenção de diversas pessoas, sejam elas de outras religiões ou não. Mês passado em Fortaleza, a Monja Coen, pertencente ao zen-budismo, realizou uma palestra que lotou o auditório do Hotel Vila Galé, na Praia do Futuro. Ela se tornou conhecida pelos seus livros focados na prática budista e por promover palestras em todo o Brasil. Apesar do budismo ser original da Índia, ele se espalhou para outros países do Sudeste Asiático como Tailândia, Coreia e Japão. A religião ganhou várias vertentes ou “escolas”, entre as mais populares estão a kadampa, zen e o lamaísmo.

Lama Chimed Rigdiz. Foto: Thomás Regueria

O mestre Lama Chimed Rigdzin, 46, veio ao Brasil para ministrar palestras e oficinas pelo Centro de Budismo Tibetano Shiwa Gonpa Guru Ling e acredita que as pessoas estão se interessando pelos ensinamentos budistas com a finalidade de ter uma vida melhor. “Budismo é uma preparação para outras vidas para se libertar do sofrimento, essa é a meta. Mas é interessante ver as pessoas seguindo a harmonia e paz budistas e lentamente chegando a essa meta”, aponta.

O sentido da existência humana é uma das questões levantadas por Chimed Rigdzin, a partir desse pensamento de busca pelo sentido da vida. “Nós viemos para a Terra não só para vivermos por nós, temos que compartilhar felicidade, ter respeito e ajudar outras pessoas, não importa quem sejam. Não aceitamos a guerra, todas as religiões devem se basear em amor e compaixão. A guerra acaba com tudo isso, o trabalho da religião deveria ser acabar com a guerra”, explica.

Uma das práticas mais importantes do budismo é a meditação que, de acordo com a doutrina budista, procura explicações dentro da mente para os problemas e questionamentos das pessoas. Para Lama Chimed, a meditação serviu para que ele achasse a essência do amor puro. “Meditei pela minha própria mente e consegui reconhecer o que é o amor. Amor não é só um relacionamento, é sobre beneficiar e dar apoio a outros seres com todo nosso coração”, acrescenta.

Mudança de vida através do budismo

Rosélia Maia. Foto por Thomás Regueira.

A psicóloga Rosélia Maia, 57, é praticante e frequenta o Centro Budista Kadampa Bodhisattva há cerca de sete anos. Apesar de ter crescido em um ambiente familiar católico, ela nunca se identificou com a religião, o que lhe levou a buscar por outras práticas. “Quando cheguei lá [no centro budista] pensei ‘aqui é meu lugar, não saio mais daqui’, mesmo antes da palestra começar, já senti uma energia e identificação muito forte com aquele lugar, e estou lá até hoje”, revela.

Apesar de viver em um meio predominantemente cristão, a psicóloga relata nunca ter sofrido preconceito por ter crenças diferentes. “Nunca comentaram, questionaram ou discriminaram o fato de eu estar nesse caminho, pelo contrário. O que eles colocavam era ‘você está diferente, mudou para melhor’. Quando diziam isso, eu tomava essa expressão como uma comprovação de que melhorei, além de estar mais calma, paciente, menos consumista e mais seletiva”, confessa. Entre os principais ensinamentos e práticas que trouxe para a sua vida é a questão do desapego das coisas, assim como o crescimento espiritual constante. “Eu não tenho nada, o que eu tenho de meu são as boas ações que eu escolho praticar diariamente”.

História do Budismo

Siddhartha Gautama. Foto: reprodução.

A religião tem suas raízes na Índia no século VI a.C. Segundo a lenda, Siddhartha Gautama, o primeiro grande buda, era um príncipe e estava destinado a assumir o reino, mas ao invés disso, resolveu deixar o palácio e renunciar uma vida luxuosa para buscar o sentido da vida.

Em sua jornada, Gautama conheceu a realidade da pobreza de seu país e passou por jejuns extremamente rigorosos, quase morrendo no processo. Siddhartha Gautama acabou desistindo desses métodos e focou apenas na meditação. Através dela, conseguiu encontrar várias explicações para a vida.

Serviços

  • Centro de Budismo Tibetano Shiwa Gonpa Guru Ling. Rua Coronel Linhares 452, Meireles. Telefone: (85) 99936-1337
  • Centro Budista Kadampa Bodhisattva. Ed. Planalto Center – Av. Santos Dumont, 5335 – 313, Aldeota. Telefone: (63) 3258-1556

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