Fumar é um hábito cada vez menos comum

Por Yasmim Rodrigues

“Eu comecei a fumar porque gostava muito quando bebia, depois descobri que me acalmava e acabei criando hábito”. O relato da estudante Beatriz Irineu, 23, tem se tornado raro, pois o número de fumantes está reduzindo. “O consumo do cigarro tem diminuído muito. Isso se deve às campanhas de conscientização dos perigos do cigarro, incluindo aquelas imagens de doentes nos maços de cigarro”, afirma o psicólogo Tauily Taunay, 35. Porém, segundo ele, as campanhas não funcionam para quem já fumava. “Estudos em neurociência ativa afirmam que a pessoa olha a imagem e não estabelece uma relação com ela, pensa que é só uma gravura”, explica o psicólogo.

“Tudo se justifica para alguém voltar a fumar” – Paulo Britto. Foto: Murilo Lira

O último levantamento da pesquisa Vigitel apontou que Fortaleza reduziu, em 6 anos, o índice de fumantes de 8,8% (em 2012) para 5,6% (em 2018). A meta dos órgãos públicos de saúde é reduzir cada vez mais esse índice.  “Acredito que tem a ver com a proibição das propagandas e as regras do fumo em locais específicos”, concorda o professor Taunay.

“Quando viajamos percebemos essa diferença. O cearense realmente está fumando menos. Talvez pelas campanhas de conscientização, talvez por menos influência da TV. Mas isso começa em casa, quando os pais participam ativamente em ser exemplo saudável aos filhos. Pais que não fumam, em geral, tem filhos que não fumam. Amigos fumantes, às vezes, fazem o jovem influenciável fumar”, afirma o médico pneumologista Paulo Britto de Castro Figueira, 56.

O início do hábito

Muitas pessoas começam a fumar cedo e acabam levando o hábito por mais tempo “Comecei com 16 só em festa e, aos 18, comprando carteira”, relembra Beatriz Irineu. Outras iniciam por influência de outras pessoas: “eu comecei a fumar quando tinha 14 anos de idade. As minhas amigas mais próximas começaram a fumar e ficavam sempre me oferecendo. Eu já tinha curiosidade pois meu pai também fumava. De tanta insistência de minhas amigas, experimentei o cigarro e gostei”, conta a estudante M.S., 31. Segundo ela, fumar era uma forma de chamar atenção e se sentir inserida no grupo. “Nesse tempo, a maioria dos adolescentes fumava. Não havia tantas campanhas quanto há hoje” , afirma.

O cigarro é uma droga extremamente viciante. Box: Yasmim Carvalho

O pneumologista Paulo Britto adverte que o cigarro é uma droga tão viciante quanto o crack. “É hábito por ser considerado ‘charmoso’, ‘revolucionário’ e ‘transgressor’. Para o homem, pode ser visto como sinal de masculinidade e amadurecimento. Para a mulher´, sinal de liberalismo e igualdade dos sexos”, explica. Segundo o Psicólogo Tauily Taunay, não há uma razão específica para começar a fumar. “Geralmente faz parte da curiosidade do adolescente, pelo contato com pessoas que fumam. O exemplo pode fazer com que a pessoa queira experimentar”, diz.

Consequências do tabagismo

De acordo com o pneumologista Paulo Britto, o tabagismo é responsável por diversas doenças. “Imagine uma coisa que você não precisa. O que o corpo não quer. Ele responde e devolve com doença. Tem  tanta droga embutida numa unidade tabágica que teremos não somente uma, mas várias doenças. Câncer de boca, língua, esôfago, bexiga, mama, estômago, pulmão e enfisema, por exemplo”, alerta.

“Imagine uma coisa que você não precisa. O que o corpo não quer. Ele responde e devolve com doença” (Paulo Britto)

Além disso, existem diversos problemas sociais relacionados ao cigarro. “O isolacionismo, pois, cada vez mais o fumante é marginalizado nos fumódromos. Tem que ficar longe de quem não fuma”, conta Paulo Britto. Por fim, o fumante passivo pode ter todas essas  doenças por se permitir inalar a fumaça do cigarro. “Já tive bronquite, tenho gastrite e esofagite, o médico me alertou que o fumo agrava o quadro. Diariamente, sinto minha respiração ofegante ao andar e ao falar. Não consigo correr e nem nadar, pois eu perco o fôlego muito rápido”, confessa M.S.

Tratamento

“Tudo se justifica para alguém voltar a fumar”, adverte o pneumologista. Porém, a vontade de parar está presente em alguns fumantes que têm consciência do mal que o hábito causa. “Fumo de 10 a 12 cigarros por dia. Já pensei em parar, porém é muito difícil. Sempre acabo voltando”, confessa Beatriz Irineu. “Fumo em média 20 cigarros em um dia normal. Se estiver nervosa, fumo uns 30. Quando saio para beber no sábado, chego a fumar uns 40 cigarros. Penso em parar porque tenho consciência das consequências que o cigarro traz à saúde e também para que eu possa exercer a minha futura profissão. Vou ser psicóloga clínica. Afinal, seria bem desagradável para meus clientes serem atendidos sentindo o mau cheiro do cigarro”, explica M.S.

Infográfico: Yasmim Rodrigues

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