“Cada um trabalha sendo honesto na sua área”

Por Alessandra Baldessar e Thomás Regueira

O médico cancerologista e escritor Drauzio Varella, 75 anos, proferiu uma palestra na Universidade de Fortaleza (Unifor), na última quinta-feira (6), na abertura da 15a. campanha Doe de Coração, idealizada pela Fundação Edson Queiroz, que trata da realidade da saúde no Brasil e de sua ativa atuação na mídia.

Drauzio Varella inaugurou o “Doe de Coração” da Unifor. Foto: Pedro Vidal

A campanha tem como objetivo gerar discussão sobre a doação de órgãos e tecidos, vencendo o estigma em torno do assunto e incentivando um novo olhar das pessoas  e de suas famílias. É durante o mês de setembro que a UNIFOR realiza ações em nome da campanha. Antes do início do evento, o médico participou de uma breve coletiva.

“Mais do que a universidade, [porque] a universidade nem se fala, é ela que produz e congrega a inteligência do país”, comentou Varella a respeito da participação das universidades nesse tipo de campanha. “O Brasil tem o maior programa de transplantes gratuitos do mundo. O problema é que tem que ser preservado, mantido, e a sociedade civil tem que encarar isso como uma responsabilidade dela, não um problema do Estado. Nós estamos conversando aqui, mas não sabemos se vamos precisar de um transplante daqui a uma semana, um ano. Então, é um problema que nos atinge, e nós temos que estar mobilizados”, afirmou.

O cancerologista também falou sobre transmitir informações médicas por meio de uma comunicação efetiva. “Eu dei aula em cursinho [por] muitos anos, em salas enormes, de 400 alunos, e eu aprendi nesse contato que primeiro você precisa falar o que acredita, só o que você acredita”, disse. “Porque, especialmente na televisão, o que entrega são os olhos, e os olhos entregam a alma da gente. Eu não falo do que não entendo – não que eu saiba de tudo, mas quando não sei vou estudar, converso com colegas que trabalham na área. Eu tento encontrar a melhor forma de transmitir aquele conhecimento”.

Ademais, Drauzio Varella explicou ao JornalismoNIC como entende o papel social do médico, especialmente sendo um “médico da rua”, como se autodenomina. “É importante o médico estar ali no consultório o tempo inteiro, [porque] eu mesmo faço consultório até hoje. Então, acho fundamental você ter especialistas, generalistas, médicos, como os do Programa Saúde da Família (PSF), que vão às casas das pessoas. Você tem que ter o médico que procura transmitir conhecimento. Cada um trabalha sendo honesto na sua área, procurando fazer as coisas direito, com competência e estudando, porque estudar, para o médico, é absolutamente fundamental. Acho que cada um [é importante] no seu estilo”, declarou.

“Você tem que ter o médico que procura transmitir conhecimento” (Drauzio Varella)

Além de cancerologista, Varella também é pesquisador da prevalência do vírus HIV, diretor de vários projetos de saúde e tem um canal no YouTube, como fala na descrição, “de resfriado a questões sociais”.

Confira a cobertura da palestra de Drauzio Varella, que ocorreu na última quarta-feira (6).

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