“O Brasil hoje é um país mais decente”

Por Melissa Carvalho

Drauzio Varella foi convidado para palestrar nesta quarta-feira (6), na Universidade de Fortaleza (Unifor). Oncologista, escritor e youtuber, Varella se destacou na medicina por ser uma voz na comunicação. O evento marcou o lançamento da “Doe de coração”, uma campanha anual de doação de órgãos promovida pela Fundação Edson Queiroz. O médico conversou com os presentes sobre transplante de órgãos e suas experiências profissionais com seriedade e bom humor.

Varella conta que o transplante de órgãos é uma “intervenção de alta complexidade”. Apesar das novas técnicas desenvolvidas, a maior dificuldade da transplantação ainda é o tempo. A maior parte das doações vem de pessoas que sofreram morte cerebral, antes de fazer a transferência do órgão é preciso ter a aprovação dos parentes próximos. “A conversa com a família é fundamental”, admite.

Drauzio Varella durante a palestra. Foto: Victoria Veloso.

“Essa intervenção é a que tem maior benefício em relação ao custo da medicina inteira. Você aumenta a expectativa de vida em 27 anos, somando todos os benefícios dos receptores”, destaca. Durante a gravação de série exibida no “Fantástico”, Varella teve a oportunidade de conhecer centros médicos na Espanha, referência em transplante por ter um plantonista direcionado especificamente para essa área.

O médico acredita na medicina do Brasil e ressalta as grandes melhorias que já aconteceram. Varella conta que, antes da Constituição de 1988, o país vivia “uma realidade odiosa” na questão de saúde e que as pessoas que não tinham a carteira de trabalho assinada tinha acesso aos hospitais dificultado. “Eram considerados indigentes [pessoas sem assinatura na carteira de trabalho]. O Brasil hoje é um país mais decente”, atesta.

Sara Tavares, 19, estudante de fisioterapia, assistiu a palestra e contou ao Jornalismo NIC que é gratificante poder ouvir um profissional tão experiente como o Drauzio Varella. “Abriu nosso olhar sobre como o profissional da saúde vê a realidade do nosso Brasil”, declarou a estudante.

“Eu tive sorte de ter chegado onde cheguei”

A intervenção militar era o cenário brasileiro de 1964, ano que Varella ingressou na Universidade de São Paulo (USP) para cursar medicina. Especializado na área de oncologia, Varella estagiou no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, por três meses e viu os primeiros casos de AIDS. Quando voltou para o Brasil fez um artigo para o jornal O Estado de São Paulo sobre os perigos da nova enfermidade. A partir desse artigo, o médico foi convidado para uma entrevista na rádio Jovem Pan. Apesar do receio em ficar mal socialmente, Drauzio Varella concedeu a entrevista, que foi o impulso para sua trajetória na comunicação. Hoje, Varella se orgulha de duas coisas, de ter entrado nessa área mais comunicativa da saúde e do seu trabalho nas cadeias, relacionado aos cuidados com a AIDS.

“Doe de Coração”

Logomarca da campanha “Doe de coração”. Foto: Victoria Veloso.

A campanha foi idealizada em 2003 pelo chanceler Airton Queiroz, falecido ano passado. A “Doe de Coração” contribui para o aumento do número de transplantes de órgãos. De acordo com dados divulgados pela Central Estadual de Transplantes do Ceará, até julho deste ano já foram registrados 846 transplantes no Estado. Manoela Queiroz Barcelar, vice-presidente da Fundação Edson Queiroz, afirma que durante todo o mês de setembro a mensagem “sou doador” vai ser disseminada vai reforçada pela fundação e seus representantes.

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