Jornalismo digital ameaça revistas impressas

Por Letícia de Medeiros

Com o fechamento de edições impressas de revistas, muitas delas têm migrado para o âmbito do online para conseguirem se manter e produzir conteúdo sem perder o público. Em uma enquete realizada pelo JornalismoNIC, com 168 pessoas de 16 a 40 anos, 79% delas não lêem mais revistas impressas, apenas acompanham pelo digital. “Hoje é muito mais fácil, para mim, olhar pela internet – de graça – uma notícia do que comprar uma revista para ter a mesma informação”, relata Marina Rossas, 19, estudante de Direito e uma das entrevistadas.

A leitura de revistas impressas é cada vez mais incomum, principalmente entre os jovens. Foto: Reprodução.

“Meus pais tinham o costume de assinar pacotes de revistas, então, desde cedo estive presente no meio e acredito que, por causa disso, criei um hábito de sempre estar lendo as mesmas em meu dia a dia”, conta o estudante de odontologia Júnior Braga, 22, em contraste com a maioria.

Para o jornalista Hélcio Brasileiro, 47, que trabalha na revista Somos Vós, os leitores do impresso não são um problema. “A questão do impresso é viabilizar os custos de operação”, afirma. “Só com publicidade, a conta não fecha. Por isso, focamos muito mais em projetos do que na ‘pura’ venda de mídia.” Ele revela ainda acreditar que a quantidade em meio digital seja maior, mas que as revistas impressas cumprem funções diferentes de entrega.

O futuro para o impresso

Uma pesquisa feita pelo site PricewaterhouseCoopers Brasil (PwC), em 2016, apresenta quanto o consumidor poderá gastar para ler no Brasil e afirma que a revista é o segmento que apresentará maior queda de consumo, com 3% ao ano até 2021, reduzindo de US$602 milhões em 2016 para US$526 milhões em 2021. Comparando a outros segmentos, o brasileiro irá gastar mais com o consumo de música do que com a compra de revistas.

Transição das revistas impressas para as digitais. Foto: Reprodução.

Apesar das dúvidas se o futuro do impresso será o digital, ainda existem revistas que continuam se mantendo no impresso a partir de renovações de projetos e ideias para que o digital não seja o único meio para o conteúdo ser publicado “Isso é algo que repensamos o tempo todo. A premissa básica, porém, é a crença que fazemos um conteúdo de qualidade, com um posicionamento muito claro”, explica Hélcio Brasileiro.

“O impresso ainda tem um peso e uma credibilidade que a web está conquistando. Acreditamos que a revista, tanto impressa quanto na web, deve existir destinada aos seus públicos específicos”, diz a jornalista Camilla Andrade, 33. A premissa maior na revista Mundo Petit, onde trabalha, continua sendo o impresso. “Nosso público mais ativo ainda é da revista impressa. O nosso planejamento de web ainda está sendo construído, já que estamos investindo nas plataformas digitais recentemente”, completa.

Fonte: Aldeia Global TV.

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