5+ lendas da cultura asiática

Por Isabella Campos

A Ásia é o maior continente do planeta, tanto em área quanto em população, abrigando mais da metade dos habitantes do mundo, e dispõe de uma das mais ricas diversidades culturais. O interesse pela cultura oriental vem se tornando cada vez mais popular entre os jovens brasileiros, e tem como um dos motivos a explosão da cultura pop asiática. Além disso, o Brasil é um dos países com a maior população de asiáticos e descendentes fora da Ásia, destacando-se quando se trata da comunidade japonesa.

Em Fortaleza, eventos com o intuito de divulgar a cultura asiática tem ganhado cada vez mais força. Em julho deste ano, o Centro de Convivência da cidade recebeu o Sana, com um público estimado de mais de 50 mil visitantes nos três dias de evento. Pensando nesse interesse do público, o JornalismoNIC preparou uma lista com cinco lendas famosas dessa cultura, que vai de mitos sobre sabedoria e amor até narrativas do gênero terror.

Kitsune

A lenda das Kitsunes (palavra japonesa para raposa) é uma das mais populares na cultura do Japão, ainda que muitos dos mitos sobre ela sejam encontrados também nos folclores da China, Coreia e Índia. Quase todas essas lendas estão ligadas à sabedoria, pois a raposa representa, em seu simbolismo, a inteligência e sagacidade, além de serem seres emocionais e muito vingativos.

Segundo as lendas, as Kitsunes são animais sagrados ou amaldiçoados com poderes místicos. Têm uma ligação muito forte com suas promessas, e as pessoas que as quebram se tornam seus inimigos mortais. A relação desses seres com a “palavra de honra” é bastante forte, pois a quebra de uma promessa os leva à autodestruição. Os poderes das raposas mágicas, como também são chamadas, aumentam de acordo com a sua sabedoria e idade.

A cada 100 anos ganham uma nova cauda e, quando chegam às nove caudas, tornam-se semideuses. Nisso, levam o nome de Kyuubi no Kitsune (traduzido como raposa de nove caudas) e seus poderes aumentam, adquirindo sabedoria infinita e podendo até se transformarem em humanos.

Hongxian

Foto: Reprodução.

A lenda do Hongxian (palavra traduzida do chinês para fio vermelho) é uma das mais famosas e românticas da China, conhecida como “o fio vermelho do destino”.  Segundo a lenda chinesa, quando os seres humanos nascem, os deuses amarram fios vermelhos (invisíveis ao olho humano)  em homens e mulheres que são predestinados a serem almas gêmeas.

O deus responsável pelo Hongxian é Xia Lao Yue, tido como deus do amor e do casamento na mitologia chinesa, e sua representação é de uma velho. O fio do destino pode esticar e embolar-se, mas ele nunca se partirá, levando assim a certeza de que não importa o tempo, lugar ou hora, as almas gêmeas eventualmente se unirão. Acredita-se que, quanto mais longo for o fio, mais infelizes serão os destinados.  

Cordilheira Doi Nang Non

Foto: Reprodução.

A Doi Nang Non (tradução do tailandês para Montanha da Senhora Adormecida) fica na província de Chiang Rai, na Tailândia. Esteve em bastante evidência na mídia, nos últimos meses: nas cavernas dessa cordilheira, ficaram presos doze garotos, com idade entre 12 e 16 anos, e o seu treinador, do time de futebol amador Javalis Selvagens, durante três semanas, comovendo o mundo com o seu drama.

A cultura tailandesa dá o nome de “Montanha da Senhora Adormecida” a esse cordilheira, considerada sagrada por ter a forma incomum de uma dama deitada. Segundo as lendas do país, uma princesa que estava comprometida se apaixonou pelo cuidador de cavalos e acabou ficando grávida dele. Como o amor dos dois era impossível, fugiram e encontraram cavernas para se refugiarem. Quando o rapaz saiu em busca de alimento, foi pego e morto pelo exército do rei. A princesa, perturbada por perder seu amado, esfaqueou-se até a morte. A partir de então, o sangue dela deu origem à água que flui das cavernas, enquanto o corpo é a cordilheira em si.  

Gwishin cheonyeo

Foto: Reprodução.

O continente asiático também é famoso por sua vasta produção de filmes de terror, exportando conteúdo até para filmes hollywoodianos, como o que aconteceu com “O Chamado” (2002), originalmente japonês. Grande parte dessas histórias vem das lendas macabras bastante comuns no continente.

O gwishin cheonyeo (tradução do coreano para fantasma virgem) é uma das mais famosas lendas com esse teor sombrio. “O Chamado”, um dos filmes mais populares entre os fãs do gênero terror, se inspirou justamente nessa lenda para a montagem de sua protagonista, Samara.

A lenda conta que as mulheres nascidas na Coreia eram desde cedo moldadas para servirem os homens da família, sendo eles seu pai, marido ou filho. Quando as mulheres morriam virgens, isso queria dizer que não haviam cumprido com sua obrigação de gerar herdeiros, virando um fantasma virgem, sem ter paz. Elas vestem o sobok, uma roupa branca usada em ocasiões de luto, e têm os cabelos longos e despenteados, caídos sobre o rosto.     

Mae Nak, a grávida de Phra Khanong

Foto: Reprodução.

A lenda conta sobre Mae Nak, mulher que se casou com um militar e ficou grávida. A alegria da jovem com sua família, porém, não durou muito, uma vez que seu marido logo foi mandado para a guerra. Enquanto o marido estava ausente, Mae Nak e o bebê, ainda no ventre, morreram. Segundo a cultura oriental, quando mulheres morrem grávidas, elas se tornam assombrações, ou os chamados Phi Tai Hong, que são fantasmas amaldiçoados.

Como a mulher ainda amava muito o marido, o seu espírito o recebeu quando voltou da guerra, como se ainda estivesse viva. O marido viveu por meses com o espírito da esposa, até descobrir que se tratava de um fantasma, e logo fugiu. Quando o homem encontrou uma nova esposa, o fantasma de Mae Nak a matou.

Depois de tanto perseguir o marido, um sacerdote prometeu ao fantasma que ela viveria com o seu grande amor na próxima vida. Mae Nak foi então aprisionada em uma garrafa e jogada no rio, a qual foi aberta anos depois por dois pescadores, libertando o espírito. Hoje, a sepultura e a casa da mulher são pontos turísticos em Bangkok, capital da Tailândia, onde recebem bastantes oferendas, pois a lenda também diz que ela ajuda as pessoas que a presenteiam.   

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