Mundo moderno favorece crescimento do fast fashion

Por Yasmim Rodrigues

O fato de vivermos em uma sociedade excessivamente consumista, porém, não é novidade para ninguém. O curioso está na história da evolução, até chegarmos ao estágio que nos encontramos hoje, e isso atinge diversos setores da nossa vida. Na moda não é diferente: a internet está repleta de vídeos que mostram toda a linha de evolução da moda nos últimos anos. Os vídeos são um sucesso, alguns contabilizando 12 milhões de visualizações. Por meio deles, é possível perceber as mudanças no vestuário das pessoas, as tendências e, principalmente, a alteração na complexidade das roupas.

 

De acordo com a estilista Keterin Vargas, as mudanças sociais e econômicas sempre refletiram no comportamento e, consequentemente, no vestuário, que é uma das principais formas de expressão do ser humano. “Durante esse tempo, a mulher teve uma grande evolução social, pois seu status passou de uma característica de vida limitada, quando, no início do século, sua função era apenas servir ao marido e aos filhos, para um cotidiano mais ativo”, afirma Keterin. “Principalmente depois de entrar no mercado de trabalho, sendo necessário o uso de um vestuário mais utilitário e prático para atender essa sua nova realidade”, completa.

Evolução da moda. Foto: Reprodução

A tendência do  fast fashion (moda rápida, em português) faz com que a moda seja efêmera. “Até um tempo atrás, as tendências de moda eram lançadas em média de 3 em 3 meses. Porém, com o novo hábito de buscar informação rapidamente por meio da internet, a forma de consumir em vários setores do mercado mudou”, explica a estilista Keterin Vargas, 31. “Com isso, as tendências têm um período de vida muito curto, na qual, logo em seguida, surge uma nova para consumo. Hoje, para atender essa necessidade de mercado, é necessário criar coleções mensais e, às vezes, até semanais”, acrescenta.

Para a estilista, o principal ponto para essa evolução é o grande acesso a informação que existe hoje na internet. “Atualmente, em um simples clique, somos ‘bombardeados’ de novos desejos de consumo. E, para atender esse consumidor ávido por novidades, a indústria da moda criou esse sistema que envolve uma logística de produção muito mais rápida”, conta Keterin.

“O fast fashion é uma produção rápida, consumo rápido e descarte rápido. É benéfico para as empresas porque é um novo modelo de negócio e atinge alguns públicos específicos, especialmente os jovens”, afirma Ricardo Eleutério Rocha, economista e professor universitário. “Quando se estuda economia, a primeira lição é que existem restrições no lado da produção, mas do lado da demanda, do atendimento das necessidades de consumo, essas necessidades se mostram infinitas e ilimitadas. Uma das causas que movem a economia capitalista é o crescente consumo e a geração de lucro”, esclarece.

“O fast fashion é uma produção rápida, consumo rápido e descarte rápido. É benéfico para as empresas porque é um novo modelo de negócio e atinge alguns públicos específicos, especialmente os jovens” (Ricardo Eleutério)

Uma enquete feita pelo JornalismoNIC com 81 Jovens de 16 a 28 anos revelou que 23% deles reconheceram comprar muitas roupas e 37% admitiram descartar muitas peças também. “Fico procurando várias lojas pelo Instagram. Gosto de me sentir bem com o que eu estou usando, porém sei que a questão da moda impõe coisas a mim, mesmo eu não percebendo”, confessa a estudante Mariana Santos, de 18 anos. “Gosto de estar com um look diferente da maioria das pessoas e adoro receber elogios pelo meu gosto”.

Já para a também estudante Amanda Lacerda, 21, o consumo é uma fase. “É só porque esse ano quis renovar, pois já tinha uns três anos que não comprava roupa”, diz. As duas meninas concordam que a maioria das compras são feitas em lojas de departamento e que, além de comprar, também descartam muitas peças. “Eu doo minhas roupas pra outras pessoas, quando não me cabem mais ou quando não uso mais tanto”, explica Amanda. Enquanto isso, Mariana revela que, como a igreja que frequenta costuma fazer bazares para angariar fundos, ela normalmente doa roupas também.

 

Críticas ao fast fashion

Crítica ao baixo salário. Foto: Reprodução

Entendendo o fast fashion como uma forma de democratizar a moda, trazer o produto desejado para o cliente final com preço acessível e considerando que causou um grande crescimento da indústria de moda e comércio, gerando muitos empregos, não vejo como algo negativo”, afirma a estilista Keterin Vargas. Porém, ela adverte ainda que, por trás de toda essa logística do fast fashion, existem alguns pontos negativos que, dependendo da postura da empresa, podem afetar nas questões sociais. “Devido ao volume de peças, preços reduzidos e ritmo acelerado da produção das coleções, já houveram alguns casos denunciados de exploração de mão de obra e condições precárias de trabalho”, conta.

O estudante de Moda Jeff Rodrigues, 21, alerta também para os problemas ambientais. “Para o meio ambiente, o fast fashion se torna negativo, já que na sociedade atual o consumo sem consciência e destino de descarte degrada cada vez mais nossos recursos naturais”. Segundo uma pesquisa de 2017 da Harvard Business School, uma peça de roupa usada cinco vezes por apenas um mês produz mais 400% de emissões de carbono do que uma usada 50 vezes durante o ano.

O que é o fast fashion?

O fast fashion  teve início em 1970 com a “crise do petróleo”. Foi uma estratégia das empresas têxteis para conseguirem sair da crise mais rápido. No fast fashion, as grandes empresas observam o que está sendo consumido e produzem produtos daquela determinada tendência em larga escala.

“As grandes cadeias mundiais, como Zara, H&M e outras, produzem para o consumidor um produto de preço menor. No Brasil, o fast fashion não tem um preço tão baixo quanto os verificados na Europa e nos Estados Unidos por conta dos altos impostos”, afirma o economista e professor Ricardo Eleutério. O economista ressalta que essa técnica gera emprego, renda, consumo e movimenta a economia. Porém, segundo ele, também há críticas relacionadas à baixa remuneração da mão de obra e ao impacto negativo sobre o meio ambiente.

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