Doping ainda preocupa o mundo esportivo

Por Marta Negreiros

A busca por desempenhos melhores nas competições é o principal motivo do consumo de drogas por esportistas. O capitão da seleção peruana, Paolo Guerrero, jogador muito conhecido no Brasil por grandes atuações em clubes como Corinthians e Flamengo, atualmente contratado pelo Internacional de Porto Alegre, vive um drama desde outubro do ano passado envolvendo caso de doping. O atleta jogava pela seleção do Peru quando foi sorteado para realizar o exame antidoping em um jogo amistoso contra a Argentina. O exame acusou a presença de benzoilecgonina, substância encontrada na cocaína e proibida pela Wada, considerada como estimulante.

Paolo Guerrero. Foto: reprodução.

Apesar de Guerrero alegar inocência, explicando que a substância vinha de um chá de anis que tinha tomado no hotel, o caso foi levado para Federação Internacional de Futebol (FIFA) e, em dezembro de 2017, aconteceu o julgamento. Inicialmente a pena foi de um ano, decisão que deixaria o peruano fora da Copa do Mundo, que aconteceu em junho deste ano. Depois de muitos processos de apelação, a pena foi reduzida para seis meses e o jogador disputou o mundial. No final de agosto, a justiça suíça, onde fica a sede da FIFA, revogou a liminar de redução da penalidade e ainda a aumentou para 14 meses. O peruano só poderá atuar novamente em janeiro de 2019.

O caso de Guerrero não é isolado. Segundo levantamento feito pela Agência Mundial Antidoping (Wada), no ano de 2016, foram relatados 4.814 “resultados analíticos adversos” em exames antidoping. Embora sejam divulgadas, as substâncias proibidas pela Wada não são de conhecimento geral, além disso, a lista passa por acréscimos durante o tempo, o que pode confundir alguns atletas. O atleta pego no exame antidoping, além de punição jurídica, que geralmente é o afastamento do jogador de competições oficiais, sofre consequências na saúde. Substâncias que afetam o sistema nervoso central podem provocar doenças crônicas como hipertensão e problemas cardíacos.

Segundo o professor de educação física e mestre em saúde coletiva, Walter Cortez, a maioria das substâncias usadas são hormonais, ocasionando um desequilíbrio em diversas funções do organismo e problemas a médio e longo prazo. “Doenças como o câncer, principalmente de testículos, mas também tumores hepáticos tanto em homens quanto em mulheres, podem se manifestar com o tempo”, afirma Cortez. Para o professor, é de extrema importância que os prejuízos a saúde do atleta sejam amplamente difundidos na sociedade. “Há de se massificar campanhas de educação para a saúde e há de se difundir tais informações nos diversos veículos de mídia. Talvez uma massiva e ampla dose de informações claras e precisas possa mudar um pouco esse ambiente das competições para uma direção de desporto e saúde, em vez de desporto e vitória a qualquer custo”, destaca.

A prática do doping é mais antiga do que se imagina, inclusive, mais velha que os Jogos Olímpicos. Desde o século III a.C. os gregos usavam cogumelos alucinógenos para aumentar a sua performance desportiva. Os romanos tomavam estimulantes para enfrentar as provas competitivas, muitos usavam cafeína, nitroglicerina, álcool, ópio e estricnina. No entanto, foi em 1886 o primeiro relato de caso de doping. Um ciclista inglês morreu de overdose por “trimetil” enquanto participava de uma corrida em Bordeaux, em Paris. A Fifa começou a inspecionar e controlar as substâncias dos atletas somente em 1966.  

O exame antidoping

Análise do exame antidoping na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Foto: reprodução.

O antidoping é realizado, geralmente, depois de qualquer evento esportivo. É comum a realização do teste em equipes que ganham algum campeonato para ter certeza que foi de forma limpa. Os exames são feitos, principalmente, a partir de amostras de urina, pois é por onde são eliminadas substâncias tóxicas ao organismo.

As substâncias mais encontradas nos testes de doping são estimulantes, que deixam o atleta mais excitado. As drogas agem diretamente no sistema nervoso e são capazes de eliminar a sensação de fadiga, potencializando o desempenho do atleta. Os diuréticos atuam na eliminação de água do organismo para que haja perda de peso. Os  anabolizantes aumentam a massa muscular do atleta e diminuem o tempo de recuperação, sendo considerados os mais nocivos entre as substâncias vetadas.

 

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