A história da primeira mulher transexual em “A Garota Dinamarquesa”

Por Clara Menezes

Posando para sua esposa com uma roupa feminina, o pintor Einar Wegener (Eddie Redmayne) descobre sua identidade que estava escondida desde a infância. Após se reconhecer, Einar começa, inicialmente com o apoio de sua cônjuge, Gerda (Alicia Vikander), a se vestir como mulher. Agora, ele se autodenomina “Lili Elbe” quando “brinca” com sua esposa em eventos artísticos e quando posa para autorretratos.

Einar e Lili. Foto: Reprodução

Depois dos momentos iniciais de diversão, Einar percebe que Lili é mais do que uma brincadeira, ela é, na verdade, quem ele sempre foi. Porém, durante a década de 1920, a questão da transexualidade era tratada como uma doença, um motivo para internar pessoas em hospitais psiquiátricos.

Dessa forma, a transformação de Einar em Lili não foi aceita facilmente. No entanto, o filme, dirigido por Tom Hooper, foca, principalmente, na relação entre Lili e Gerda. A mulher trans busca ter novas experiências com homens, enquanto Gerda pede para “ele” parar de “brincar” de ser mulher. A falta de compreensão da verdadeira identidade de Einar conturba o relacionamento das duas. Antes em um casamento estável, artístico e calmo, a descoberta de Lili faz com que o apoio mútuo espaireça no início.

Pioneirismo

Lili Elbe, a primeira mulher transexual. Foto: Reprodução

Em um momento do longa, a mulher transexual começa a sentir dores abdominais mensais, dores de cabeça e incômodo nos seios, semelhante ao ciclo menstrual feminino. Em uma consulta no médico, o profissional lhe informa que isso ocorreu, provavelmente, por alterações químicas no corpo e pede um exame. Os resultados, porém, não estavam alterados. É nesse momento que Lili reforça sua identidade como mulher, e não com o seu sexo de nascimento. Após isso, o médico pede a internação dela. Apesar da ainda pouca aceitação de Gerda, a esposa defende sua mulher.

Gerda percebe o quanto Lili está ciente de quem é verdadeiramente. Entre consultas médicas e pedidos de internação, as duas mudam de cidade para procurar alternativas. Desesperada, Gerda conversa com o amigo de infância de seu marido, o primeiro homem a conhecer a verdadeira identidade de Lili.

Porém, a crescente afirmação de Lili como mulher faz com que ela decida fazer definitivamente a mudança de sexo. No entanto, essa escolha não era uma alternativa imaginável, pois o procedimento nunca tinha sido feito antes. Até então, pessoas como Lili apenas eram internadas, diagnosticadas com “problemas de personalidade”.

Apesar da história pioneira para a representatividade transgênero no mundo, a narrativa do longa se torna, em alguns momentos, monótona. Em considerável parte do enredo, o diretor foca na descoberta minuciosa de Lili como mulher. Portanto, a narrativa prioriza a aceitação de Lili para com ela mesma sob a aceitação da sociedade, em geral.

O longa, baseado na história real das pintoras Lili Elbe e Gerda Wegener, mostra a relação das duas em meio ao (até então) inacreditável: a mudança do sexo masculino para o feminino. Dessa maneira, Tom Hooper conta a história da primeira mulher a fazer a cirurgia de mudança de sexo.

Confira o trailer abaixo:

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