Mirar e atirar como um estilo de vida

Por Thomás Regueira

O arco e flecha, desde os primórdios da história da humanidade, foi uma arma que possibilitou a caça e, consequentemente, a sobrevivência do homem. O objeto foi bastante utilizado em guerras ao longo da história. No entanto, com a invenção das armas de fogo, o arco e flecha perdeu seu poder bélico e de caça, passando a ser praticado como uma atividade esportiva e hobby. As competições e campeonatos de tiro com arco geralmente são disputadas individualmente. Cada arqueiro tem que disparar 72 flechas em séries de seis e, ao final, é feita a somatória de pontos para que ocorram os combates, que é um duelo entre dois competidores, ganha quem se suceder nos combates.

Desde 1972, nos Jogos Olímpicos de Munique (Alemanha), o tiro com arco é considerado esporte olímpico, que consiste em disparar flechas com um arco recurvo a uma determinada distância de um alvo, quanto mais no centro do alvo a flecha acertar, maior a pontuação. Em relação aos custos para praticar o esporte, o preço do arco pode variar de $800 até $12 mil reais dependendo de um conjunto de fatores. O arco escola, usado para arqueiros iniciantes, pode ser achado com preços mais acessíveis.

Além das olimpíadas

Existem também outros tipos de modalidades que envolvem arco e flecha, não apenas o tiro olímpico. São eles o tiro instintivo e o pa-kua. O instintivo consiste na utilização de um arco primitivo, composto basicamente por um pedaço curvo de madeira com uma corda tensionada. Neste, não se usa mira, o arqueiro tem que usar o próprio instinto para atirar. O estilo pa-kua funciona como uma complementação de arte marcial e forma de meditação.

A principal diferença dessas modalidades para a olímpica é o material do arco. O arco olímpico pode ser feito com fibra de carbono e não só de madeira, dispondo de recursos para um tiro mais preciso, como mira, estabilizador e “cliquer”, uma ferramenta usada para disparar a flecha.

Arqueiros cearenses

Wagner Chaves no pódio na copa do Nordeste 2017 de arco recurvo olímpico, Foto: arquivo pessoal.

O Jornalismo Nic conversou com Wagner Chaves, 45, atual campeão do Nordeste de tiro com arco olímpico e instrutor da modalidade em uma escola de equitação. Sua paixão começou desde a infância, vivida no interior do estado, quando brincava de arco e flecha artesanais. Chaves faz parte da Federação Cearense de Tiro com Arco desde 2015, quando houve o primeiro torneio no Ceará, no qual foi vencedor.

A disciplina é uma das exigências mais importantes do tiro com arco olímpico, segundo o Chaves. É preciso atirar a 70 metros de um alvo com 12 centímetros de diâmetro, manuseando um arco de 20 à 25 quilos e levando em conta fatores do ambiente como o vento, luz e temperatura. “Você tem que treinar muito porque existem muitas situações em que você vai ter que encarar em oito segundos. Normalmente é o tempo de puxar a flecha, ancorar, mirar e disparar. Em oito segundos tem que definir 15 ajustes de braço, cabeça, mira e mão, além do tempo para poder acertar o alvo”.

 

“O tiro com arco trabalha muito a parte da concentração, foco e objetivo a ser alcançado. É um esporte que te desafia porque o seu adversário é você. Todo treino você está brigando consigo” (Wagner Chaves)

Rodrigo Muchale mirando no alvo. Foto: Thomás Regueira.

Chaves considera o arco como um estilo de vida e que traz diversos benefícios para a vida de quem o pratica. “Ele se incorpora a você, o tiro com arco trabalha muito a parte da concentração, foco e objetivo a ser alcançado. É um esporte que te desafia porque o seu adversário é você, todo treino você está brigando consigo. É um esporte que de dá uma autoestima muito grande, melhora demais a coordenação motora, sua parte respiratória, te obriga a se concentrar”, destaca o arqueiro.

Rodrigo Muchale, 36, um dos alunos de Wagner, pratica tiro com arco faz apenas um mês, mas já aparenta ter bastante domínio e segurança ao manusear o aparelho. Postura e a largada foram as principais dificuldades enfrentadas pelo arqueiro. Apesar do pouco tempo praticando, Muchale já tem grandes pretensões no tiro com arco. “Eu pretendo melhorar pra competir. Começar com as competições da federação e, dependendo dos resultados e progresso, tentar talvez um norte-nordeste, e quem sabe um brasileiro”, admite.

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