Produtos femininos custam mais caro no comércio

Por Letícia Serpa

Você, alguma vez, já foi às compras e se assustou ao ver que preços de produtos femininos são sempre mais caros que os preços de produtos masculinos, mesmo que ambos sejam idênticos? Este fenômeno, chamado “The Pink Tax” (“A Taxa Rosa”, em tradução livre do inglês para o português), é uma realidade que está presente em todo o comércio mundial. E isto acontece, somente, porque a indústria sabe que  produtos femininos são comprados majoritariamente por mulheres.

Segundo o economista, Allison Martins, 35, a diferenciação dos preços dos produtos somente por serem voltados às mulheres pode ser explicado através do marketing e da economia comportamental. “Os preços mais altos são em razão da estratégia das empresas do ponto de vista financeiro e do ponto de vista de marketing, onde eles conseguem visualizar que elas têm uma propensão maior para o consumo”, explica. E isso implica para uma segunda explicação, que seria a economia comportamental. “As mulheres têm essa propensão a consumir por conseguirem capturar a ideia da utilidade daquele produto ou serviço. E isso, consequentemente, faz com que os preços sejam majorados”, completa Martins.

De acordo com uma entrevista concedida pela diretora da Mind Shopper, Alessandra Lima, ao jornal Folha de São Paulo, “isso muda conforme a categoria de produto. No sabonete líquido, a diferença pode chegar a 40% mas, nesse caso, os femininos têm mais ingredientes, o que incrementa o custo médio, embora tenhamos comparado as mesmas marcas”.

Contudo, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) fez um estudo que comprova que mulheres fazem mais compras devido a impulsos emocionais mais fortes. O que torna isto a única resposta possível para explicar o fenômeno da “Pink Tax”. Algo que o economista Allisson Martins ratifica quando explica que mulheres percebem uma utilidade maior em cada produto na hora da compra. “As mulheres têm esse lado mais aguçado de conseguir trazer o produto de forma mais útil, perceptível e isso implica numa propensão maior ao consumo delas. E as empresas, percebendo esse caminho, apostam nessa condição de tentar ofertar produtos com preços maiores, porque sabem que, mesmo assim, a mulher pagará aquele valor”, explica.  

Em uma pesquisa informal realizada pelo Jornalismo NIC, na qual 22 pessoas participaram, 81,8% afirmaram que percebem a diferença de preços entre produtos masculinos e femininos no mercado, 72,7% comparam os valores antes da compra e 95,5% consideram mais caros os produtos femininos. Dentre estas pessoas, 9,1% não consomem os produtos e 90,9% dizem ser injusta a diferença entre produtos idênticos. 

Infográfico: Letícia Serpa.

Um vídeo que viralizou na internet, realizado neste ano pela influencer Dear Alyne com mais de 40 milhões de visualizações, apresenta muitos exemplos que demonstram a diferença nos preços de diversos produtos masculinos e femininos. E algo também comentado foi o fato de que mulheres, ainda por cima, ganham salários menores que homens na maioria das profissões. Aumentando ainda mais a desigualdade entre os dois e gerando mais prejuízo para as consumidoras.

https://www.facebook.com/dearalyne/videos/194488441235252/

 

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