André Gress e o musical de sua vida

Por Clara Menezes

O produtor e diretor de espetáculos, André Lima Gress, 28, é uma das pessoas que trouxeram a cultura do teatro musical para o Ceará. Apesar da pouca idade, o jovem tem uma carreira com a arte que muitos não teriam sem suas oportunidades e, principalmente, sua paixão. Tão pouco investido em solo cearense, os musicais criaram vida na direção de André.

André Gress em sua primeira produção licenciada pela Broadway, Avenida Q. Foto: Reprodução

Seu afeto, porém, começou aos cinco anos, quando viu seu primeiro espetáculo na Broadway, em Nova Iorque. O musical era O Fantasma da Ópera e o menino, sem entender muito do contexto, ficou traumatizado – ou talvez, encantado – pelo gigantesco cenário. “Eu vi o lustre caindo, as coisas acontecendo, aquele cenário, o barco entrando e aquilo mexeu muito comigo”, lembra André Gress.

O menino, tão entusiasmado com a experiência na Broadway, comprou um CD para escutar o espetáculo repetidas vezes com a vontade de reviver minimamente o sentimento de ver um musical.  Foi assim que André se apaixonou pelo teatro. Portanto, com apenas seis anos, o menino começou a fazer artes cênicas.

Influência internacional

Quando o jovem teve a oportunidade de fazer o terceiro ano do Ensino Médio em uma escola americana, ele continuo a estudar teatro. A diferença era que, dessa vez, ele teve a oportunidade de ter o contato mais uma vez com os musicais de Nova York. Foi nesse momento que André percebeu que poderia ter uma independência no ramo, apesar da falta de investimento no Brasil.  

Quando voltou dos Estados Unidos, começou a cursar Publicidade e Propaganda na Universidade de Fortaleza (Unifor). Apesar de não ter relação com o teatro, o produtor conseguiu criar um grupo independente de artes cênicas na  universidade. Sua primeira direção foi uma adaptação do musical Rent, que tinha assistido em seu intercâmbio. Assim, André Gress, aos 18 anos, dirigiu seu primeiro espetáculo amador.

“Mas, minha formação em teatro musical mesmo iniciou-se quando eu comecei a trabalhar fora do país”, afirma Gress. Até então, suas experiências eram, prioritariamente, voltadas para o teatro comum. Portanto, após algumas peças feitas, teve a oportunidade de estudar na New York Film Academy, uma escola de cinema norte-americana. Foi entre idas para o exterior para se especializar e pequenas produções em Fortaleza que o diretor começou a montar seu portfólio.

“Minha formação em teatro musical mesmo começou quando eu comecei a trabalhar fora do país” (André Gress)

Carreira

Gress em seu projeto, Broadway Brasil. Foto: Reprodução/ Broadway Brasil

Apesar de ter alcançado grandes conquistas no teatro, André Gress nunca tinha pensado que essa arte poderia trazer estabilidade financeira. Por isso, se formou em Publicidade e Propaganda e foi trabalhar na empresa de marketing do seu pai. “Nunca consegui achar que poderia viver disso [de teatro]”, revela Gress.

Porém, após trabalhar na empresa por alguns anos, passou a fazer projetos com o diretor de cinema cearense, Allan Deberton. Os dois criaram o Broadway Brasil, um projeto para incentivar e profissionalizar jovens estudantes de artes. Assim, “chegou um ponto que eu tive que escolher entre trabalhar com meu pai ou cair de cabeça nisso”, conta.

No entanto, a decisão de seguir carreira no teatro não foi aceita sem relutância, principalmente, dos seus pais. “No começo, foi um pouco difícil [a aceitação dos meus pais], porque os pais sempre se preocupam”, lembra. Segundo ele, foi mais “complicado” para sua mãe aceitar. Mas, como o teatro sempre foi uma arte que acompanhou André Gress durante toda sua trajetória e ele já tinha algumas conquistas, seus pais, por fim, aceitaram.

Musical no Ceará

O diretor, mesmo com toda esta profissionalização em diversos lugares, decidiu ficar no Ceará. Mesmo sendo um mercado tão escasso, André resolveu firmar carreira em solo cearense. Com o desejo de ensinar e a vontade de transformar Fortaleza em uma referência nas artes cênicas, criou a escola “The Biz”. Segundo André, proporcionar essa oportunidade em sua terra natal é viabilizar “tudo que eu nunca tive”. É dar aos jovens a chance de se profissionalizar em sua cidade.

Até se estabilizar, passou por momentos difíceis no Ceará. O mais árduo foi fazer com que as pessoas acreditassem no poder do teatro musical. “Você sonhar sozinho dá muito mais trabalho. Você sonhar com  outras pessoas sonhando junto com você, faz acontecer”, reflete. Para ele, ainda é preciso amadurecer a ideia na mente das pessoas. “Elas precisam entender que não é porque você faz algo que você gosta que você não tem que levar a sério”, afirma.

“Você sonhar com  outras pessoas sonhando junto com você, faz acontecer” (André Gress)

Futuro

André Gress quer aproveitar os bons momentos. Foto: Reprodução

Para o futuro, tudo que André Gress quer é ser feliz. Para o homem de 28 anos com uma trajetória longa, o seu objetivo é achar um equilíbrio entre trabalhar e aproveitar os momentos. Gress quer apenas pôr seus projetos em prática e continuar feliz na sua profissão.

“Minha vida inteira fiquei correndo atrás de tudo e achei que tinha perdido tempo porque não tinha começado com 10 anos”, recorda. Hoje, o produtor e diretor entende que as situações ocorrem porque devem. “Se você é honesto e trabalha, não tem medo de trabalhar e tem compromisso, esse é o segredo para você conquistar tudo que você quer”, opina.

Para ele, ser feliz é continuar seguindo seu dom: o de visualizar um espetáculo de olhos fechados. “Consigo fechar o olho e ver o palco como se fosse uma tela de pintura toda bonita, com a luz, com o cenário”, afirma. O homem que não se vê sendo nada além de artista apenas anseia pelo equilíbrio de uma profissão que ele mesmo estabeleceu no mercado cearense.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php