Inovação do rádio no mercado de notícias

Por Thomás Regueira

Criado no começo do século XX, o rádio foi uma revolução para os meios de comunicação. Até então, as notícias eram transmitidas por meio de veículos impressos ou do boca-a-boca, pode-se dizer que o rádio juntou esses dois recursos. Apesar do posterior surgimento da televisão e da internet, o rádio ainda é um dos principais meios de as pessoas se informarem. No Brasil, por exemplo, ele tem um alcance maior do que a TV.

No entanto, quando o rádio surgiu, ele era mais utilizado para a veiculação de músicas, como ainda existe até os dias atuais. Depois de algum tempo, apareceram as primeiras emissoras dedicadas ao modelo all news (todas as notícias, em tradução literal do inglês), ou seja, veicular apenas notícias e não transmitir músicas, rádio-novelas ou programas de entretenimento.

Professora Kátia Patrocínio. Foto: arquivo pessoal.

Acompanhando essa demanda do mercado e suas inovações, a Universidade de Fortaleza (Unifor) tem há 18 anos na grade curricular do curso de Jornalismo disciplinas de radiojornalismo, nas quais o aluno entra em contato com o meio radiofônico e pode praticar nos estúdios disponíveis na instituição. Uma das referências de rádio no curso é a professora Kátia Patrocínio, que fez parte da primeira turma de docentes e permanece lecionando na instituição até os dias atuais.

Patrocínio viu a concepção dos estúdios e até mesmo a construção do Bloco T, o prédio onde concentram-se as aulas dos cursos da área da Comunicação Social. Ao longo dos anos de ensino, a professora teve que se adaptar às novas tecnologias surgidas para preparar melhor seus alunos para o mercado. “Tive que aprender esse novo rádio, esse rádio com a internet e acabei ficando fascinada. Conhecer os formatos de podcast, por exemplo. Tudo tive que aprender. Não dá para a gente ficar apenas no rádio em que você liga para levar para todo mundo, é muito mais do que isso. O celular é muito mais presente do que os aparelhos de rádio. O bom é que as emissoras estão indo para os celulares por meio de aplicativo e isso facilita mais ainda”

“Não dá pra gente ficar apenas no rádio em que você liga para levar pra todo mundo, é muito mais do que isso” (Kátia Patrocínio)

De acordo com o presidente da Associação Cearense de Rádio e TV (Acert), Paulo César Norões, as empresas de comunicação estão procurando profissionais que saibam fazer um  pouco de tudo, pois as novas tecnologias possibilitam novos formatos de produtos informativos. Por exemplo: um portal de notícias pode ter vídeos, áudios e outros recursos multimídias, e isso exige que os jornalistas saibam como vão trabalhar com eles.

Dessa forma, o produto do rádio também está inserido nesse formato. As emissoras de rádio, como citado anteriormente por Kátia Patrocínio, estão tentando inovar lançando aplicativos, fazendo podcasts e até modificando a forma de falar nas transmissões.

Experiência de profissionais do mercado

Daniella de Lavor. Foto: arquivo pessoal.

Daniella de Lavor é jornalista ingressa na Unifor em 2003 e, atualmente, trabalha na rádio BandNews. Lavor cursou Jornalismo pensando na disciplina de radiojornalismo pela sua afinidade em trabalhar com a voz, algo que já vinha fazendo nos teatros como atriz. “O rádio me fascina pelo mistério, pela companhia e pelo dinamismo. Talvez, por ser atriz, via no rádio outras possibilidades para além da notícia. Tanto que participei narrando histórias infantis na época da graduação”, confidencia.

 

 

 

 

“O rádio me fascina pelo mistério, pela companhia e pelo dinamismo” (Daniella de Lavor)

 

Tiago Lima. Foto: arquivo pessoal.

Tiago Lima, aluno concludente do curso de Jornalismo da Unifor, trabalha no ramo de rádio desde 1997, mas quis entrar no curso para ter uma formação completa e poder atuar em radiojornalismo, não apenas como radialista. Atualmente, está trabalhando na recém-criada Jovem Pan News, ligada ao Grupo Cidade no Ceará. Ele ressalta que o rádio, como meio informativo, está ganhando muita força. “Ele [rádio] é até mais veloz que a internet em alguns casos. Com o rádio all news, você liga o rádio e tem notícia, mesmo não sendo uma que você quer saber naquela hora, mas os noticiários resumem muito e atingem esse público de modo a fornecer aquela informação que ele [ouvinte] deseja.”

 

Bruno Oliveira. Foto: arquivo pessoal.

 

 

Bruno Oliveira, ao contrário de Daniella e de Tiago, que já sabiam que queriam trabalhar com rádio, descobriu seu interesse e vocação ao longo do curso. Ele trabalhou por um tempo na rádio Verdes Mares (Verdinha) e foi apresentador e repórter na TV Unifor. Aluno desde 2016, conta que sempre ouviu as pessoas lhe dizendo que tinha “voz de locutor”, mas só passou a ter interesse na área depois de um tempo. “Depois que eu entrei na TV Unifor, me falaram a mesma coisa, que eu tinha ‘voz para a rádio’, mas eu só realmente fui a fundo nisso depois da cadeira de Radiojornalismo com a professora Ana Paula [Farias]. Foi quando eu vi que podia dar algo bom por ali”.

Outro aluno que teve o interesse pelo rádio despertado na Unifor foi Jordan Alcântara, aluno da instituição desde 2014. Ele revela que sempre gostou mais de programas de rádio e de notícias do que escutar músicas. Por causa disso, dentro do Jornalismo, ele tinha interesse pela área, mas nada muito concreto. Porém, quando fez a disciplina de Radiojornalismo, com a professora Kátia Patrocínio, seu interesse aumentou, pensou em projetos e entrou na RádioNIC, do Núcleo Integrado de Comunicação da Unifor.

Jordan Alcântara. Foto: arquivo pessoal.

Jordan também conta que sempre gostou de escrever, mas não de produzir textos com tópicos muito definidos, algo que ocorre algumas vezes no jornalismo impresso. Ele também não gostava de TV porque não agradava da ideia de ficar em frente às câmeras. Por causa desses fatores, ele acabou se encontrando ainda mais no rádio. “Gosto da minha voz e gosto de escrever. Tento sempre não apenas contar o que aconteceu ou como, mas busco encantar, criar uma experiência na pessoa que vai me ouvir, usando as ferramentas disponíveis do Rádio: música, efeitos sonoros, pausas, entre outros.” Ele, como mencionado anteriormente, atuou na RádioNIC e logo depois trabalhou na TempoFM.

 

 

 

 

“Tento sempre não apenas contar o que aconteceu ou como, mas busco encantar, criar uma experiência na pessoa que vai me ouvir” (Jordan Alcântara)

 

 

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