Toc Toc: transtorno psicológico abordado com bom humor

Por Mateus Moura

Saindo do monopólio das produções cinematográficas americanas, as obras hispânicas vem ganhando destaque com filmes e séries de diversos gêneros. “Toc Toc”, de Vicente Villanueva, diretor e roteirista espanhol, traz à tona, com muito humor, um assunto cercado de preconceitos, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Baseado na peça francesa de Laurent Baffie, o filme conta a história de seis pacientes que estão juntos em uma sala de espera para uma consulta com o Dr. Palomero, especialista em transtorno psicológico. A estressada secretária do consultório informa aos pacientes que, devido a um erro, todos tiveram seus horários marcados para a mesma hora. Além da confusão nos horários, o vôo de Palomero estava atrasado. Para se distraírem, os seis desconhecidos resolvem fazer uma terapia em grupo, lidando com seus problemas.

A ambientação é praticamente inteira dentro do consultório, exceto nos momentos de flashbacks. O filme é de baixo orçamento, mas o elenco consegue entregar atuações excelentes, dando a imersão necessária para o público. E, para os amantes de plot twist, o final do longa nos revela uma grande reviravolta. Sem dúvidas, uma obra que gera reflexão, entretenimento e, consequentemente, aborda um assunto com pouco espaço dentro do cinema.

Os personagens

Federico (Oscar Martínez), Otto (Adrián Lastra), Blanca (Alexandra Jiménez), Ana María (Rossy de Palma), Lili (Nuria Herrero) e Emilio (Paco León). Foto: reprodução.

Conforme vão chegando à clínica, começamos a conhecer o transtorno de cada um. Emilio (Paco León) é um taxista que possui aritmomania e é um acumulador, ou seja, tem necessidade de contar suas ações ou os objetos ao seu redor e não se desfaz de nada. Federico (Oscar Martínez) tem Síndrome de Tourette, uma compulsão por insultos, que o fazem xingar e ofender qualquer pessoa, causando estranheza e desconforto para os que não entendem seu problema. Blanca (Alexandra Jiménez) tem mania de higiene e pavor à germes, evitando qualquer tipo de contato físico e está constantemente lavando as mãos. Ana María (Rossy de Palma) é viciada em conferir várias vezes a mesma coisa, perdendo horas do seu dia checando o que está a sua volta e tem mania de repetir o movimento do sinal da cruz. Otto (Adrián Lastra) não consegue pisar na junção entre listras, também é metódico e arruma tudo de forma simétrica.  Lili (Nuria Herrero) repete tudo que ouve, seja a própria fala ou de outra pessoa.

Todos esses personagens são apresentados de forma leve e cômica, sem a necessidade de recorrer ao humor debochado para conseguir ser engraçado. “Toc Toc” nos mostra o quão difícil é ter que lidar com um transtorno. Socializar, fazer amizades, começar um romance ou até caminhar pela rua são desafios comuns para essas pessoas.

Essas características causam empatia dos telespectadores. A identificação com os protagonistas é gerada a partir dos transtornos de cada um, afinal, todos temos algum tipo de mania, por mais sutil que seja. Isso revela a necessidade de aprendermos a conviver com o problema dos próximos.

Confira o trailer abaixo:

Ficha técnica

Título: Toc Toc

Ano: 2017

Direção: Vicente Villanueva

Duração: 96 minutos

Gênero: Comédia

Disponibilidade: Netflix

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