Telejornalismo passa por transformação tecnológica

Por Letícia de Medeiros

Chegado no Brasil nos anos 1950, o telejornalismo é a prática profissional de jornalismo aplicada à televisão, que se diferencia de outros tipos de mercado por aliar o imediatismo, agilidade e instantaneidade à imagem. Para o coordenador do curso de Jornalismo, Wagner Borges, 50, o mercado de TV vem passando por mudanças desde os últimos 15 anos, principalmente após os avanços da tecnologia. “Essa tendência de mercado chegou no Ceará e refletiu na nossa economia e na maturidade para receber essas novas linguagens. Isso acaba sendo promissor, pois você é capaz de realizar uma cobertura jornalística com um celular e pôr em uma plataforma que não seja obrigatoriamente de comunicação”, afirma. Segundo ele, essas novas possibilidades de se fazer telejornalismo significam que o mercado está em expansão.

Porém, existem pessoas que acreditam no fim do mercado de TV, principalmente após a popularidade das mídias digitais. Mas segundo Samira de Castro, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, Sindjorce, não há como afirmar que a mídia irá acabar. “A gente, que acompanha as leituras mundiais que existem sobre qual é o futuro do jornalismo, tem percebido um futuro de convergência de mídias, um futuro de produção multiplataformas. Mas, ao mesmo tempo, não dá para dizer se esse ou aquele meio, aquela mídia, vai acabar”, explica.

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Um sonho que mudou de rumo

Taís é apresentadora do Bom Dia, Ceará. Foto: Letícia de Medeiros

Taís Barbosa Lopes, 28, foi aluna de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) e atualmente trabalha no Sistema Verdes Mares como apresentadora do programa “Bom Dia, Ceará”. Porém, no começo, esse não era seu sonho profissional. “Quando eu tinha que escolher uma profissão, na época eu queria ser bailarina, mas ao mesmo tempo eu gostava de ler e escrever. Eu era muito curiosa para saber das notícias tanto daqui do Ceará, quanto do mundo todo. Investi no jornalismo como minha profissão e, ao mesmo tempo, segui minha carreira de bailarina”, lembra.

No decorrer do curso, a apresentadora se identificava com cada parte do Jornalismo. Porém, quando fez a cadeira de Telejornalismo, ficou encantada pela área e pesquisou mais sobre como poderia atuar no mercado. Seu ingresso na área veio a partir de uma visita temporária com alguns alunos para acompanhar a rotina de trabalho, e Taís acabou ficando. “Meu professor, um dia, perguntou quem tinha interesse pela área de Telejornalismo. Poucas pessoas tinham interesse, então ele selecionou quatro alunos para passar um tempo na TV Verdes Mares, acompanhando como era a rotina. Eu fiquei para o estágio como produtora. Com o tempo, fui chamada para virar apresentadora do Bom dia, Ceará”, lembra Taís.

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Do Rádio para a TV

Luiz Esteves começou no rádio. Foto: Arquivo Pessoal

Luiz Esteves, 33, nem sempre trabalhou com TV. Na verdade, seu real sonho era trabalhar com Rádio. “No começo, eu queria trabalhar com rádio e cheguei até a estagiar na Rádio Universitária. Meu primeiro estágio foi em rádio, até que uma professora de Telejornalismo da Unifor me incentivou a fazer TV por ver um potencial em mim. No começo eu não queria, mas acabou dando certo”, afirma.

Esteves começou neste mercado estagiando na TV Unifor. Quando ficou sabendo da seleção para um estágio no Sistema Verdes Mares, conseguiu entrar na parte de produção. “Desde que eu comecei a fazer disciplinas de Telejornalismo junto com o estágio na TV Unifor, eu nunca mais saí da televisão”, explica. Atualmente, é apresentador do CETV – 1ª edição, na TV Verdes Mares. Mas, antes de ser apresentador, Luiz foi produtor de pautas e repórter.

O mercado atual

Segundo Luiz Esteves, o mercado atual está repleto de pessoas que querem ingressar nesse meio por acharem que isso os fará artistas mais facilmente. “Jornalista de TV não é artista, não há glamour. Passa a ideia de que a pessoa vai ganhar rios de dinheiro e não é isso, é trabalho duro, é rotina louca”, afirma ele. Para Taís Lopes, ser jornalista toma boa parte do seu tempo, então é preciso amar o que faz. “A gente faz plantão, trabalha feriado, não tem hora para sair. É um mercado seletivo, mas vale a pena para quem ama”, garante.

“É um mercado seletivo, mas vale a pena para quem ama” (Taís Lopes)

Entretanto, para o jornalista Paulo César Norões, 53, o mercado não é difícil, e sim disputado, ou seja, quem se qualificar mais, levará vantagem. “Uma coisa que eu sempre falo é que tem mais profissional sendo formado do que a capacidade de absorver das redações tradicionais. Então, para entrar nas redações é complicado e, muito provavelmente, vão entrar os mais qualificados”, completa.

Além disso, Norões afirma que o perfil ideal para um jornalista é aquele que está preparado para tudo. “Claro que todos têm as suas especializações, mas todo mundo precisa saber fazer um pouco de tudo. Não dá para exigir do jornalista que ele escreva como um especialista, mas é necessário o básico”, explica.

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