Fotojornalismo: a fotografia da comunicação

              Sabrina de Souza

Fotojornalismo é um ramo da fotografia que busca transpassar informações e objetividade para determinada matéria ou assunto pautado. Sendo assim, é, também, uma vertente do jornalismo. Em 1880, o jornal Daily, de Nova Iorque, inovou com a publicação de uma imagem em seu periódico. A fotografia surgia no jornal como uma confirmação daquilo que era escrito pelos jornalistas. As histórias passavam a ser ilustradas e tornavam-se mais reais aos olhos dos leitores.

Igor de Melo, 35, formado em Comunicação Social e fotógrafo profissional há dez anos, conta que um profissional do fotojornalismo tem que colocar toda sua “bagagem” de estudo para construir o texto imagético. “[O estudo] É necessário para passar informação com apuração e comprometimento estético. Com a complicação que está o mercado de trabalho, é necessário saber quem são personagens importantes dentro da política, do mercado, do esporte, moda, saúde, por exemplo. E esses são grandes desafios: ser multimídia e ainda ter a técnica”, declara.  Confira um pouco da história do fotojornalista:

 

Digitalização

Jari é professor de Fotografia na Unifor. Foto: FotonIC

“O jornalismo foi um dos campos de trabalho que mais se modificou nos últimos 20 anos”, afirma Samira de Castro, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, Sindjorce. Um escâner de mesa, antes utilizadas para digitalizar fotos em papéis que seriam revelados e ampliados em papel fotográfico, passaram a ser escaneadas diretamente no negativo. Isso tornou o processo mais rápido e com mais qualidade, principalmente nas cores das fotografias. A transmissão de fotos entre computadores levava poucos minutos para chegar até uma redação, por exemplo. A imagem já chegava em arquivo digital para que fosse montada nas páginas dos jornais.

É fato que com os smartphones com câmeras de última geração, a apenas um toque na tela, todos podem fazer fotos e considerarem-se fotógrafos. “A digitalização da imagem alterou nosso modo consumir a fotografia”, declara a fotojornalista Fabiane de Paula, 31. “Hoje todo mundo é produtor de conteúdo e isso supre o anseio do imediatismo”, completa Igor de Melo.

Em meados de 2009, segundo o professor de Fotografia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Jari Vieira, 39, “com a chegada dos smartphones e das redes sociais, muitos jornais chegaram a demitir os fotojornalistas e a usar apenas fotos originadas das redes sociais”. Porém, de acordo com ele, isso não vingou, porque “o fotojornalista é a pessoa que vai garantir ao jornal que haverá uma boa foto daquele evento ou acontecimento”. Para Fabiane, o grande desafio do fotojornalismo é “o excesso de imagens, pois hoje qualquer pessoa tem acesso a uma câmera, houve aparentemente uma banalização da fotografia. O fotojornalista, além de precisar dominar a técnica que é fundamental, precisa ter ética, a base da credibilidade dele”.

Waleska Santiago em Oregon. Foto: Arquivo Pessoal

Nessa versatilidade do mundo digital, direitos autorais é uma questão delicada, tendo em vista que cópias são feitas diariamente até mesmo no mobile, com screenshot, por exemplo. A fotojornalista Waleska Santiago, 29, afirma que já evita postar seus trabalhos em redes sociais. “Não me sinto segura, e é difícil ter controle e saber até onde minhas imagens podem ir ou até mesmo serem comercializadas sem a minha autorização”, declara. Porém, a visibilidade causada pelo espaço digital ainda é um aliado. “Mas, às vezes que publico alguma foto, tento adicionar metadata nas minhas imagens”, conclui.

Apesar disso, o mercado de fotojornalismo fornece muitas possibilidades e estilos. O fotojornalista pode trabalhar em jornais, agências de notícias, canais de conteúdo, etc. Como o principal finalidade da fotografia jornalística é informar, esta foi classificada em alguns gêneros: fotonotícia, fotorreportagem e fotossequência. A primeira é caracterizada com teor informativo, em que a imagem busca retratar uma notícia em si. Já a fotorreportagem é como uma narrativa acerca de um assunto. Mais usado como ensaio fotográfico. E a fotossequência é utilizada quando a imagem é destinada para retratar cenas e funcionar como uma animação.  

Experiências de mercado

Os ex-alunos da Unifor falam sobre o primeiro contato com a fotografia e suas experiências dentro do mercado de trabalho do fotojornalismo. Confira:

 

Box: Sabrina de Souza

 

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