O reality show de transformação que muda de dentro para fora

Por Alessandra Baldessar

Há quinze anos, era lançado Queer Eye for the Straight Guy no canal norte-americano Bravo, reality show “de transformação” que mostrava cinco homens gays, cada um especializado em uma área diferente (culinária, decoração, beleza e estética, moda e cultura). Eles mudam a vida de homens heterossexuais a partir da perspectiva de que, seja qual for a sua sexualidade, é preciso cuidar de si mesmo. Uma proposta revolucionária para a época, especialmente no que remete à visibilidade LGBT na televisão, e um inesperado sucesso de audiência.

Pôster do reality show. Foto: TV Guide/ Divulgação.

Em fevereiro deste ano, uma nova versão do programa, Queer Eye, foi repensada para a Netflix. O reality ganhou formato de série, cinco novos apresentadores – ainda fiéis às áreas de atuação originais – e uma temporada que não envolvia apenas homens heterossexuais, mas também um homem gay que queria ajuda para sair do armário (por isso a remoção de “for the Straight Guy”). Além dele, já na segunda temporada (que saiu em junho), um homem trans e uma mulher foram transformados pelos “cinco fabulosos”, como são chamados os apresentadores.

“Queer eye” é uma expressão que, traduzida grosso modo, significa  “olhar gay”, um estereótipo de que todo homem gay é fino e tem bom gosto, enquanto “for the straight guy” é literalmente “para o cara hétero”. O termo queer, hoje considerado “guarda-chuva” por englobar quem, no geral, não segue o padrão da heterossexualidade ou do binarismo de gênero, foi uma das estratégias da série. Embora a expressão continue a mesma, a mudança de significado trouxe um sentimento de inovação refletido na diversidade de cada episódio.

Bem-estar acima da aparência

Antoni, Bobby, Jonathan, Tan e Karamo, os novos “cinco fabulosos”, têm suas especialidades, respectivamente, em culinária, decoração, beleza e estética, moda e cultura, mas não param na hora de transformar os participantes. O principal objetivo a ser alcançado é o bem-estar emocional. A certeza de que, a partir de uma mente aberta e conversas com os apresentadores, eles sairão dali seguros de si mesmos e prontos para viver o melhor de suas vidas.

Jonathan no primeiro episódio: “Quando as pessoas falam ‘você não pode ensinar truque novo a cachorro velho’, não é verdade, porque você pode se reinventar e aprender coisas novas quando quiser”. Fonte: Netflix/ Scout Productions/ Buzzfeed.

Existe também a questão da masculinidade tóxica, arduamente debatida na sequência das revelações de abusos sexuais em Hollywood e do movimento #MeToo. Ela é real: muitos homens têm atitudes extremamente problemáticas e perigosas em relação a mulheres e a LGBTs. A série reafirma a importância de se livrar dessa toxicidade, mostrando que ser vulnerável não tem relação com ser frágil ou feminino.

Recentemente, Queer Eye recebeu quatro nomeações na edição de 70 anos do Emmy Awards, a maior premiação de TV norte-americana, e está no meio das gravações da terceira temporada. Confira o trailer:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php