Estudantes desbravam cada vez mais cedo o mercado de trabalho

Por Clara Menezes e Letícia Feitosa

Eu entrei no Jornalismo em 2012 e, logo no primeiro semestre, eu já fui trabalhar”, conta o repórter João Pedro Ribeiro, 24. Para ele, começar cedo no mercado de trabalho era, além de necessidade, uma vontade. O jovem começou como estagiário na tv universitária já precocemente, quando a redação ainda não aceitava pessoas do primeiro semestre. Após passar um ano no lugar, foi chamado para trabalhar na produção de uma televisão comercial. “Quando estava acabando o meu contrato, o diretor de jornalismo me convidou para ser repórter da televisão”, lembra Ribeiro. Seu primeiro trabalho aconteceu antes de se formar.

A história do repórter é como a de muitos outros estudantes que procuram se inserir na área ainda durante a graduação. Segundo a última pesquisa realizada sobre o tema, em 2013, pela Universidade Federal de Santa Catarina, os jovens de 18 a 22 anos são 11% dos jornalistas atuantes. Já as pessoas de 23 a 30 anos são 48% dos profissionais.

Amanda Marques, estudante de jornalismo. Foto: Letícia Feitosa.

História semelhante é a da estudante Amanda Marques que, ainda na graduação, foi contratada para trabalhar como social media. “Eu decidi entrar no mercado de trabalho no primeiro semestre da faculdade”, fala. Na ânsia por pagar os próprios estudos, Marques conseguiu um estágio em uma agência publicitária, logo no segundo semestre. Desde então, não parou de trabalhar. Hoje, trabalha também em seu próprio site sobre jornalismo cultural, o “Foca Alternativa”.

Mídias

Com o advento da internet, muitos estudantes de Jornalismo criaram seus sites na internet para tratar, principalmente, de assuntos que gostam. Amanda Marques percebeu no mundo online uma possibilidade discutir sobre cultura. “Eu sempre tive um gosto muito grande pela leitura e pela escrita”, diz. A jovem, então, começou a escrever para sites de música ainda no ensino médio e tomou gosto pelo jornalismo cultural. “Eu sempre fui muito das artes, principalmente da música. Eu sempre quis trabalhar com isso”, explica.

Em 2017, Amanda decidiu fundar o site, um espaço para escrever sobre o que ama. “Eu estava com minha namorada e a gente estava falando sobre criar um site, e ela falou ‘você devia escrever, a gente devia meter a cara e fazer’. Então, a gente se juntou, convidamos mais alguns amigos do Jornalismo, um estudante de Publicidade para fazer o design e metemos a cara”, relembra. Dessa maneira, surgiu o “Foca Alternativa”, um projeto autoral.

 

Gabriel Amora. Foto: arquivo pessoal.

Esse é o caso, também, de Gabriel Amora, 22, um dos criadores do “Quarto Ato”, um site voltado para críticas de cinema. Sua primeira opção era produzir filmes. “Eu queria fazer cinema, escrever cinema, pegar uma câmera. Porém, eu ia me frustrar, me decepcionar. Então, eu resolvi cursar algo relacionado a cinema”, conta. Por isso, ele decidiu fazer Jornalismo,  para ser um crítico de cinema.

No entanto, Gabriel Amora conta que nos primeiros semestres da faculdade se decepcionou porque não fazia cadeiras dentro do seu espectro de interesse. Apesar de já ter o blog antes de ingressar no curso de Jornalismo, fez estágio, trabalhou com acervos especiais e até em uma agência de publicidade. Foi apenas quando surgiu uma vaga de estágio para a editoria de Economia de um jornal, que o jovem entrou em contato com o que queria desde o começo: o impresso. Entre a manutenção do blog e algumas tentativas frustradas no mercado, o jovem lembra de momentos importantes da faculdade, como quando produziu um curta e o apresentou para os colegas.

Atualmente, Amora mantém seu site em parceria com o jornal onde trabalha. Com o gerenciamento de um colega, o “Quarto Ato” tem  “umas doze pessoas envolvidas com podcasts, com textos e com cabine de imprensa”, afirma. Além disso, tem uma coluna de crítica de cinema no jornal. “Meus planos para o futuro é me formar, fazer uma pós-graduação e já começar a lutar para ser professor de linguagem ou, então, de jornalismo mesmo”, completa.

Outro estudante de Jornalismo que encontrou um trabalho por meio das redes sociais foi Gustavo Queiroz, 24. O jovem começou quando estava morando na Alemanha. Ele se sentia sozinho por não entender a programação televisiva em alemão, por isso, buscou refúgio em seu canal no Youtube. Hoje, tem um canal sobre críticas de música de heavy metal. Confira seu relato no vídeo abaixo:

 

Vida acadêmica

Conciliar o trabalho e a vida acadêmica é um desafio para os estudantes de jornalismo que entraram no mercado mais cedo. Confira alguns relatos:

Box: Clara Menezes.
Box: Clara Menezes.
Box: Clara Menezes.

 

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