De aluno a professor, os docentes que se formaram no Jornalismo da Unifor

Por Melissa Carvalho

Parte do corpo docente da Universidade de Fortaleza (Unifor) já percorreu os blocos da instituição como alunos antes de se tornarem professores. Nos 18 anos do curso, muitos alunos se apaixonaram não só pelo Jornalismo, mas também pela arte de ensinar. “O aluno é nossa ponte com outras visões, com gerações diferentes, formas de aprender diferentes e o mundo de forma geral”, afirma Raissa Karen, professora e doutoranda formada pela Unifor. O fato de poder compartilhar não só conhecimento, mas também ideias, conecta alunos e professores.

O Jornalismo NIC preparou um especial com professores formados em Jornalismo pela Unifor que lecionam ou já lecionaram na universidade.

“Eu acho que nasci para ser professora”

Professora Alessandra Oliveira, hoje atua como coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda. Foto: Sarah Viana.

Desde a adolescência, a comunicação era uma opção na vida de Alessandra Oliveira, aluna que participou da primeira turma de Jornalismo da Unifor, em 2001. Na escola, participava ativamente de todas as etapas da produção do jornal estudantil e via aquilo como um caminho a seguir. Apesar de ter realizado o desejo de atuar na redação, a graduação proporcionou oportunidades a Oliveira no radiojornalismo, sua grande paixão.

As professoras Andreia Pinheiro e Kátia Patrocínio foram referências durante sua formação, essenciais para se encontrar no rádio, área que trabalhou por seis anos. “Eu me tornei professora por causa desses professores”, afirma. Edgar Patrício, coordenador do curso na época, também foi um dos docentes que a apoiaram no período como aluna e lembra que “foi o que primeiro me deu oportunidade de trabalho”. Em sua graduação, a professora lembra que o curso era agregador e aproximava os alunos, até com os de outras instituições. “Nós trocávamos fanzines toda sexta-feira”, recorda. Oliveira teve a oportunidade de ser uma das primeiras estagiárias bolsistas no antigo Labjor (Laboratório de Jornalismo), na época que estava sendo formado.

Professora Alessandra Oliveira com alunos na Feira de Profissões da Unifor 2018. Foto: Sarah Viana.

Durante a graduação, Oliveira decidiu dedicar-se à área da docência. No mestrado em educação, teve novas experiências e conciliou os estudos com o mercado de trabalho. Alessandra acredita que isso foi fundamental para a sua formação como professora. “Eu acho que nasci para ser professora. Eu amo a minha relação com os alunos. Eu sei que tem perrengues, mas é muito mais uma troca”, afirma.

“Eu tive boas trajetórias no jornalismo”

Professora Janayde de Castro. Foto: arquivo pessoal.

A docência sempre esteve perto de Janayde de Castro, mesmo antes de se tornar professora. Durante a graduação, seu primeiro emprego foi como auxiliar de coordenação do curso de Comunicação de uma faculdade da capital. “Quando eu estava perto de me formar, tive que correr para estagiar no Jornalismo, porque eu vinha sempre no meio acadêmico”, conta. Após a formatura, seguiu para o mestrado, pois já acreditava na carreira de professora como uma possibilidade. Hoje, divide a profissão com ex-professores que se tornaram colegas.

Mesmo fazendo vestibular para diversos cursos, a vocação pelo jornalismo acabou sendo algo crucial no momento de escolher a graduação. Janayde cresceu rodeada de histórias, por sua mãe trabalhar em uma editora de livros. “Eu vivi minha vida inteira no universo da leitura e da escrita”, recorda. Durante o colegial, teve vivências que a aproximaram da comunicação. Participou de um evento de olimpíadas da escola, que integravam as filiais de todo o Brasil, como responsável por coordenar a comunicação e colaborou na produção do jornal, na época do grêmio estudantil.

Professora Janayde de Castro praticando rapel na caixa d’água da Unifor quando era universitária. Foto: arquivo pessoal.

Em 2003, ingressou na Unifor como aluna e afirma que um dos motivos da escolha da universidade foi a beleza do campus. “Eu costumo dizer que foi o campus que me cativou, porque eu sempre tive uma predileção enorme pela natureza, uma afinidade”. Durante o curso, participou ativamente do movimento estudantil em causas do Diretório Central Estudantil (DCE) e guarda boas memórias dos congressos de comunicação.

Durante sua formação como profissional, Janayde teve experiências enriquecedoras, que considera realizações pessoais da época que ainda estava na graduação. Quando estava estudando Relações Internacionais, na Itália, teve a oportunidade de participar do Festival Internacional de Jornalismo, em 2014, em Peruggia.  Durante o evento teve contato com jornalistas de veículos internacionais, como a “BBC”, “El Pais”, “The New York Times” e “Le Monde”. Sua grande experiência de reportagem ocorreu durante seu período como correspondente do “O Globo”, quando entrevistou a ex-presidente Dilma Rousseff. “Eu tive boas trajetórias no jornalismo”, garante.

“Ensino é uma construção entre o aluno e o professor”

Professora Raissa Karen. Foto: arquivo pessoal.

O desejo de se tornar jornalista policial deu lugar a docência. Depois de passar um dia na redação, acompanhando o cotidiano, Raissa Karen teve a certeza que queria seguir o caminho do jornalismo. Já desejava estar na Unifor antes mesmo de ingressar no curso, em 2004. A estrutura e os benefícios da instituição fizeram parte da escolha. A professora afirma que estar na universidade foi um momento “intenso e de aprendizagem”.

Durante a graduação, trabalhava para se manter na universidade, deixando de explorar algumas oportunidades jornalísticas. “Não me arrependo, foi assim que conquistei meu título. Queria ter tido mais tempo para experimentar mais no jornalismo”, admite. Nesse período, ainda conseguiu estagiar na TV Unifor e no Núcleo de Educação à Distância (NEAD), quando se conectou mais com a profissão. O tempo que esteve no Núcleo foi fundamental no caminho para a docência, quando conseguiu ter contato direto com os alunos. “Fui me apaixonando pelo prazer de ensinar, estar com o aluno, de presenciar o processo de formação e orientar”, explica.

Raissa se orgulha de toda sua formação acadêmica, até o mestrado, ter sido realizada na Unifor. A professora destaca o reconhecimento dos alunos como o melhor da profissão e que teve boas referências, como os professores Adriana Santiago e Eduardo Freire, durante sua formação e sua construção como docente. Apesar de estar afastada da Unifor, enquanto realiza o seu doutorado em Portugal, ainda mantém contato com alunos. Karen afirma que o “ensino é uma construção entre o aluno e o professor”.

“Eu gosto de estar aqui, ter esse contato, fazer o que faço hoje”

Professora Mariana Fontenele em foto oficial do curso de Jornalismo Unifor. Foto: FotoNIC.

“Acho que se alguém me dissesse que eu ia ser professora, quando entrei na universidade, jamais eu ia pensar nessa possibilidade. Hoje, eu me identifico muito”, garante Mariana Fontenele. A afinidade com a profissão e a possibilidade de aliá-la ao prazer pela leitura foram alguns dos motivos que incentivaram a escolha pelo Jornalismo, no ano de 2006. Durante a graduação, passava o dia na Unifor e usufruía de tudo que era oferecido. Participou de grupo de estudos, de pesquisa, encontros científicos e o Programa de Monitoria. Vivia cada etapa e comemorava as “pequenas vitórias” dos semestres.

Fontenele teve muitas referências ao longo de sua formação, como a professora Gabriela Reinaldo que, além de ter lecionado na graduação, foi sua orientadora no mestrado na UFC, e Adriana Santiago, que compartilhou sua estreia na docência com os alunos do primeiro semestre. Após a graduação, trabalhou em redações da capital e fez o mestrado em comunicação, antes de ingressar como professora. O estudo e a pesquisa, durante a graduação e o mestrado, acabaram levando Fontenele para o caminho da docência.  

A troca de conhecimentos com os alunos tornou-se um dos prazeres da professora dentro da sala de aula. Apesar de estar lidando constantemente com diferentes pessoas e precisando se renovar a cada semestre, Fontenele afirma que os desafios também são o melhor da profissão. “Eu gosto de estar aqui, ter esse contato, fazer o que faço hoje”, declara.

“A coisa mais fascinante em ser professor é você aprender para poder compartilhar”

Professor Jari Vieira em foto oficial do curso de Jornalismo Unifor . Foto: FotoNIC.

O desejo de ser cineasta acabou ficando de lado para dar lugar à fotografia. Fotógrafo e professor da área, Jari Vieira é formado em comunicação social, com mestrado em arquitetura, urbanismo e design, na Mackenzie. “Eu vi que tinha tudo a ver com fotografia, vídeo e composição. Foi quando eu entendi a interdisciplinaridade”, declara. A arte sempre esteve presente na vida do professor, seja durante sua infância em Juazeiro do Norte, no Ceará, quando um de seus prazeres era observar o trabalho dos artesãos, ou na escola, em Fortaleza, quando carregava uma câmera analógica para registrar os momentos através do seu olhar.

Vieira precisou vir para Fortaleza aos oito anos de idade. Na escola, participou de concursos de desenho, chegando a ganhar o primeiro lugar com um quadro. “Todo mundo desconfiava que o quadro não era meu”, lembra. A partir disso, por influência da mãe, Jari começou a estudar sobre grandes artistas, como Leonardo Da Vinci e Rembrandt.

A escolha do curso foi difícil para Vieira, que cresceu entre irmãos que optaram por engenharia e medicina. O apoio dos pais foi fundamental neste momento, o professor lembra que “eles sempre nos deixaram muito livres, mas nessa liberdade eles exigiam responsabilidade”. Antes de fazer vestibular para comunicação, o professor fez um semestre de direito, arquitetura e ciências contábeis, como uma tentativa de não desapontar. Quando abriu o curso de Comunicação Social, o docente tentou o vestibular, que teve mais de 1.400 inscrições, e acabou não sendo selecionado, tendo que esperar o semestre seguinte para conseguir ingressar.

Jari Vieira no seu primeiro dia de aula na Unifor. Foto: arquivo pessoal.

O professor assistiu toda a formação do curso recém implantado, acompanhando a inauguração do bloco T, dos laboratórios e dos estúdios. Durante a graduação, recebeu o apoio dos docentes, principalmente da primeira coordenadora do curso de comunicação, Cristiana Parente. Sobre a professora, Vieira afirma que a considera como uma “mentora, a pessoa que me colocou no caminho da fotografia, de alguma forma ela acreditou em mim primeira vez”.

Com a influência da monitoria, a timidez deu lugar à vontade de poder compartilhar experiências. Antes de se formar, foi aprovado no concurso de professores da Unifor, sendo efetivado um semestre após a sua formatura. “A coisa mais fascinante em ser professor é você aprender para poder compartilhar e depois ver que aquilo que você aprendeu e compartilhou acabou gerando frutos”, destaca. Hoje, o professor de fotografia conquista os alunos com a arte do olhar e idealiza projetos, como o “Pau de Arara”, que incentiva alunos a conhecerem o nordeste através da fotografia.

Wagner Borges,  professor e coordenador do curso de Jornalismo da Unifor, falou sobre a importância do lema “Ensinando e aprendendo”.

 

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