“Isso, isso, isso”: dubladores de Chaves falam no Sana sobre a profissão

Por Melissa Carvalho

Viver vários personagens em um curto período de tempo é um dos prazeres na dublagem, mas também uma das dificuldades da profissão. Os dubladores e atores Gustavo Berriel e Cecília Lemes participaram de um bate-papo no palco Art & Fest durante o último dia (29) da Super Amostra Nacional de Animes (Sana). Barriel e Lemes são famosos por interpretar a versão brasileira de algumas vozes do programa Chaves.

Cecília Lemes em estúdio de dublagem. Foto: reprodução.

Com a disseminação das redes sociais, os dubladores passaram a ter mais visibilidade por sua voz. Hoje, existem eventos, como o Festival da Boa Vizinhança, com a temática do programa Chaves, que reúnem fãs e os dubladores. “Eu percebi a responsabilidade do nosso trabalho”, revela Lemes. A dubladora tem a voz marcada pela personagem da Chiquinha e facilmente reconhecida pelos que acompanharam o programa do Chaves desde a infância. Lemes participa da dublagem do programa desde o início, também deu voz a Paty, amor do Chaves, e a Dona Neves.

 

“Eu percebi a responsabilidade do nosso trabalho” (Cecília Lemes)

Berriel é um grande fã do programa e já havia feito dublagens de DVD’s e do desenho do Chaves. Agora, Berriel faz parte da nova dublagem do Chaves dando voz ao Senhor Barriga, antes dublado por Mário Vilela. Além deste, o ator também já emprestou sua voz para o Nhonho e o Jaiminho.

Atualmente, Berriel e Lemes participam da dublagem de novos episódios dos anos 1970 do programa Chaves, que serão transmitidos pela Multishow. Depois de décadas no SBT, a Globosat adquiriu todos os direitos das séries Chaves e Chapolin Colorado. Os episódios serão colocados na programação em sequência, algo que nunca foi feito na TV aberta. “Eu sempre quis que [o programa] tivesse um maior alcance”, afirma Barriel.

Além de Chaves, os dubladores já emprestaram sua voz para séries famosas, como “Games of Thrones” e “The Walking Dead”. Além de séries, também participam de dublagens em filmes, animes e documentários. “A dublagem é um trabalho de interpretação”, garante Berriel. Segundo Lemes, o inglês é mais fácil que outros idiomas, como o coreano, e um dos desafios na profissão é começar a falar e terminar junto com o personagem. “É preciso ter muito reflexo”, admite.

Barriel garante que é mais difícil dublar pessoas que não são atores, como em documentários ou programas. O processo de dublagem é feito separadamente, em um estúdio, e depois as vozes dos personagens são mixadas. Muitas vezes, as cenas estão incompletas, para evitar que informações sejam vazadas antes do episódio ir ao ar, e é preciso fazer as dublagens sem os efeitos especiais. Antes, as vozes eram gravadas juntas no estúdio e durava cerca de 15 dias para um longa ser dublado, algo que hoje é feito em três dias.

Amor pelo Chaves

Cecília Lemes em encontro com María Antonieta de las Nieves, a intérprete da Chiquinha. Foto: reprodução.

Gustavo Berriel é ex-presidente de fã clube dedicado ao Chaves e Chapolin Colorado. Quando questionado sobre o que mais se identificava com os personagens do Chaves, o ator diz que se aproxima mais de Jaiminho. “Às vezes, eu tento evitar a fadiga”, brinca. Cecília Lemes se assume chorona como a Chiquinha e diz que se emocionou muito quando conheceu María Antonieta de las Nieves, a intérprete da personagem. “Nossa, mas ela é real mesmo”, lembra.

 

 

 

 

O início na dublagem

Gustavo Berriel em encontro com Édgar VIvar, intérprete do Senhor Barriga. Foto: reprodução.

Cecília Lemes fez sua primeira dublagem aos nove anos. Na época, a atriz havia feito o filme “A marca da ferradura” e deu voz a personagem principal. Lemes também trabalhou no cinema e no teatro e, desde 1978, tem se dedicado apenas a dublagem. Gustavo Berriel era fã de Chaves e apaixonado por esse universo de vozes. Se tornou ator e juntou seu amor pelas artes cênicas com a dublagem. Depois de alguns testes, conseguiu dar voz ao Senhor Barriga e Nhonho no desenho animado e o Jaiminho nos DVD’s. “Quem me inspirou a dublar foi ela [Cecília Lemes], assim como outros dubladores. Eu cresci assistindo Chaves”, relata Berriel.

Primeiros passos na dublagem

Barriel e Lemes deram dicas para as pessoas que querem entrar para a dublagem. Ser ator com registro, com formação na faculdade ou em um técnico, e realizar um curso em algum estúdio de dublagem são os principais requisitos para ingressar na profissão. Para Lemes, ter um reflexo apurado, boa interpretação e boa dicção são fundamentais para um bom desempenho na dublagem.

Os dubladores interpretaram uma esquete durante o evento. Confira o vídeo:

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