Desenvolvedores de jogos compartilham experiências

Por Yasmim Rodrigues

O SANA , o maior evento de Cultura Pop e Geek do Brasil, movimentou o Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, nos dias 27 a 29 de julho com mais de 20 mil pessoas por dia. No evento, ocorreram palestras, competições de videogames, danças, peças de teatro e diversas outras atividades que envolvem o “mundo geek” ou a cultura asiática, em geral. Na sexta-feira, ocorreu uma palestra com os desenvolvedores de jogos locais, Wladesson Guedes, 22, um dos desenvolvedores do jogo “Defense”; Gustavo Rocha, 29, artista 3D, programador e compositor; Michele Melo, 22, artista 2D e animadora e Cleane Cipriano, 22, designer e diretora de jogos.

De acordo com eles, o mercado de jogos no Ceará iniciou há pouco tempo. “Era algo muito ‘terra sem lei’. Está começando a surgir agora. Os desenvolvedores estão se conhecendo e começando a trabalhar mais. Então, o mercado de jogos no Ceará vai começar agora”, afirma Michele. Segundo Gustavo Rocha, a venda virtual e algumas ferramentas que são utilizadas estão facilitando o surgimento desse mercado. “Além das pessoas estarem fazendo toda essa conexão, acho que essa nova tecnologia ajuda muito, pois está incluindo mais gente”, completa.

“Os desenvolvedores estão se conhecendo e começando a trabalhar mais. Então, o mercado de jogos no Ceará vai começar agora” (Michele Melo)

Paixão por jogos

Os desenvolvedores são apaixonados por jogos. Foto: Yasmim Rodrigues

Os quatro jovens têm em comum, além da profissão, a paixão pelos jogos. “Eu me apaixonei jogando quando era pequeno. Comecei em uma área que tinha a ver, uma ‘sub área’. Eu queria tanto trabalhar com isso que apostei”, afirma Rocha, que iniciou sua vida acadêmica estudando Música na Universidade Estadual do Ceará (UECE).  

Wladesson Guedes também começou a gostar do mundo dos games cedo, aos três anos de idade. “Eu não gostava de carros. Então, joguei um jogo que conseguiu me convencer a gostar de carros. Como aquele jogo conseguiu me convencer a gostar de algo, eu pensei: ‘quero adentrar esse mercado e conhecer um pouco melhor’”, relembra.

Já Cleane Cipriano sonhava em fazer animação para filmes. Porém, quando ganhou um curso de jogos, se encantou. “Eu percebi que eu sou boa na área de gerência, gosto muito de jogar, não pensei que ia acabar trabalhando com isso, mas é algo que gosto muito”, expressa.

Carreira

Os quatro jovens desenvolvedores aconselharam quem deseja iniciar uma carreira no ramo: “o principal é que vai ser difícil, mas não desista” afirma Guedes. “Eu acho que o que mais padece no desenvolvimento de jogos é quando a ‘galera’ vê que o trabalho é bem árduo, bem artesanal e vai desistindo pelo caminho. Você precisa achar uma maneira de se entusiasmar sempre com seu trabalho e continuar produzindo”, aconselha o desenvolvedor do jogo “Defense”.

De acordo com Michele, é importante conhecer pessoas, participar de eventos e fazer contatos. “Não só são pessoas que podem lhe ajudar diretamente, mas discutindo, conversando e estando em contato com elas, você amadurece a sua posição naquela área. Eu acho que isso, numa área de jogos que ainda está se estabilizando, é muito importante”, afirma.

Durante a palestra, os jovens apresentaram seus trabalhos e falaram um pouco sobre como cada game funciona. Confira abaixo os trailers de cada jogo apresentado:

Project E.T.A

O game, produzido por Gustavo Rocha, ainda se encontra em desenvolvimento e está com sua demo sendo prevista para ser lançada em Setembro de 2018. O jogo deve ser jogado em dupla, um vermelho e um azul, pois somente os personagens da mesma cor podem interagir entre si.

 

Orbis Mystica

O jogo “Orbis Mystica”, de Michele Melo, pode ser jogado de 2 a 4 pessoas de forma que todos estão jogando contra. “Nossa intenção era juntar vários amigos para jogarem várias rodadas”, afirma a desenvolvedora Michele. Há também como jogar no modo dupla (dois contra dois) ou no modo caçador (três contra um).

O game é bastante colorido, mas conta com o “charme” dos jogos antigos, o que causa uma certa nostalgia nos jogadores. “Aproveitar uma tecnologia antiga e atualizá-la chama a atenção das pessoas”, afirma Michele, que desenhou os personagens do jogo. Ela conta que tem guardados os rascunhos em papéis, guardanapos e post-its.

 

NUT

Desenvolvido por Cleane Capistrano, “Nut” é um jogo para o público infantil, que mistura a tecnologia com o folclore brasileiro. Atualmente, está em desenvolvimento, mas contará com 5 fases, cada uma representando uma região do Brasil. A fase Norte traz a personagem Caipora, mas Cleane, pretende trazer personagens, como Iara, no futuro.

“Acho incrível como atualmente muitas crianças não conhecem o folclore”, conta Cleane. Segundo ela, o jogo “pode dar um ‘up’ na nossa cultura, que, atualmente, está se perdendo”. Além de trazer conhecimento cultural para as crianças, o jogo, que surgiu inicialmente para o TCC de Cleane, também busca conscientizar os pequenos sobre a preservação do meio ambiente.

 

A Decisão

“A Decisão”, de Wladesson Guedes, é um jogo 2d de suspense, terror e puzzle. Na história, o personagem Wlad Walter acorda no escuro dentro de sua casa sem saber onde estão seus pais. Então, o objetivo principal do jogo é encontrar os pais do personagem, mas antes disso deve-se encontrar uma lanterna. O desenvolvedor chama atenção para a trilha sonora do game. “A música não atrapalha, ela aparece na hora exata, sons de passos e efeitos especiais”, garante.

Esse foi o primeiro jogo desenvolvido por Wladesson. De acordo com ele, se você souber onde procurar, o jogo dura apenas 10 minutos, se não, o tempo aumenta. O game está disponível na rede social Facebook e, no futuro, poderá ter uma versão estendida.

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