Sumov, um gigante em decadência

Por Gêra Lobo

O maior clube da história do futsal cearense e um dos maiores do esporte nacional é o Sumov Atlético Clube. A equipe alcançou níveis altíssimos de sucesso e popularidade, conquistando quase 30 títulos nacionais e internacionais. Porém, na medida que as décadas foram passando, a equipe perdeu o encanto e toda a filosofia vencedora que adquiriu nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Mas isso não é “culpa” apenas do clube em si.

Fundado no dia 12 de agosto de 1965, o Sumov era mantido pela Superintendência Municipal de Obras e Viação (SUMOV) da Prefeitura de Fortaleza. Com essa ajuda, o clube se tornou um fenômeno no Estado, representando o Ceará em todas as competições que participou. Seu domínio se iniciou nos anos 1970, quando venceu seis títulos estaduais e dois brasileiros, além do seu primeiro sul-americano de clubes, ganhando fama não só em território nacional, mas também internacional.

Domínio regional, nacional e internacional

Sumov, em 1986. Foto: Reprodução

Com o apoio crescendo, o domínio dentro das quadras se estendeu. Além de conquistar mais um título sul-americano, a hegemonia no Estado cresceu ainda mais, com 16 títulos nas décadas de 1980 e 1990. Além disso, a aparição de grandes nomes da história do futsal, como Gêra, Gláucio, Cacá, Belfort e Branquinho também marcaram uma geração de sucesso.

Com essa consolidação e domínio, o Sumov se tornou o maior clube de futsal da história do Ceará e um dos maiores do futsal brasileiro. O clube é o maior campeão do estado, com 22 conquistas, quase o triplo do América, que tem 8. Além disso, a equipe é a segunda maior vencedora da Taça Brasil de Clubes, com 6 títulos, apenas um atrás do Jaraguá. Tudo isso conquistado em cerca de 35 anos de clube, já que o último título de grande relevância foi em 2001.

Começo da decadência

O grande baque veio no final dos anos 1990. Em 1997, o órgão municipal SUMOV foi extinto e a Prefeitura deixou gradativamente de apoiar financeiramente o clube até extinguir totalmente o apoio em 2000. Mesmo com o título da Taça Brasil em 2001, a ruptura do apoio foi o começo de uma decadência de grande proporção no clube, que entrou numa crise financeira, resultando, como consequência, na diminuição de rendimento dentro das quadras. É importante lembrar que o futsal nunca foi um esporte de muito público e patrocínio. Portanto, o que já era difícil na segunda metade do século passado, ficou ainda mais.

As dificuldades financeiras são visíveis no clube até os dias atuais. O Sumov vive das suas categorias de base, que ainda são cheias, por ser uma equipe “acolhedora” em relação à formação de novos talentos para o esporte. Mesmo assim, isso é pouco. A situação do seu ginásio, o Aécio de Borba, que fica localizado no bairro Benfica, está em péssimas condições de limpeza e conservação, demonstrando a falta de investimento, exatamente pela escassez de recursos disponíveis.

Infográfico: Gêra Lobo

Títulos

Campeonato Cearense: 1970, 1971, 1972, 1976, 1977, 1978, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1987, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 e 2000

Taça Brasil: 1972, 1978, 1980, 1982, 1986 e 2001

Sul-Americano: 1978 e 1980

Palavras de um ídolo

O vídeo abaixo contém declarações do ex-jogador e técnico do Sumov, Gera, um dos pilares da equipe na década de 1980. Além disso, Gêra foi eleito o melhor jogador do mundo em 1988.

 

Trajeto da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) até o ginásio Aécio de Borba, palco de grandes títulos do Sumov

Confira a matéria editada por Gêra Lobo:

Sumov, um gigante em decadência

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